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Chato, eu?

Existe uma praga que deve assolar a humanidade desde os tempos mais remotos.

Revista FALA! - Toni Fonzar
19/02/19 às 14h21

Existe uma praga que deve assolar a humanidade desde os tempos mais remotos. Imagino na idade da pedra rodas de ogros sendo desmanchadas na melhor hora da narrativa da caçada. Em tempos medievais, vejo donzelas se atirando das torres dos castelos, após serem dadas em matrimônios para alguma dessas aberrações. Não tem jeito! Sei, mesmo sem comprovação, que ele existe desde que o mundo é mundo. O Chato. E não me refiro àquele parente do piolho que costuma habitar os baixios do corpo, falo mesmo dele, ou dela, o gangorra, o poça d’água, o vinagre, que costuma azedar os ambientes onde se apresenta.

Já confabulei diversas teorias para explicar esse flagelo, mas isso não é coisa tão simples quanto parece. Por proximidade e observação, já tive fases de achar que a coisa era genética, dado o elevado número de famílias inteiras que são atingidas por essa calamidade social. Dizem também que todo chato pensa que é legal, e por isso é chato. É mais ou menos como quem tem mau hálito, quem se lasca são os outros. O pior é quando o assombrado além de chato parece ter uma jaula de quati embaixo da língua. Aí não tem pra ninguém, o ataque vem multissensorial, pelo nariz, olhos e ouvidos.

O chato tem um sexto sentido, isso é incontestável, porque ele sempre descobre seus melhores momentos e rapidinho dá um jeito de se enfiar na jogada e acabar com a descontração do ambiente. Já tivemos chatos folclóricos, que é claro, não posso citar aqui, mas eram infinitamente menos tóxicos, havia uma inocência na chatice, hoje são profissionais, emanam sua radioatividade não só ao vivo, mas também por redes sociais, se bem que no mano a mano é que o bicho pega, não tem pra onde correr.

Meu Deus, que coluna preconceituosa! Logo eu, tão cheio de pregar conceitos democráticos e igualitários, me vejo aqui detonando esses seres que a natureza privou de bom senso e agradabilidade. Acabo de me tocar que o chato sou eu, porque pela quantidade, os outros, aqueles que me chateiam, estão dominando o mundo de forma absurdamente eficaz e não há no horizonte qualquer esperança de contenção desse tsunami.

Confesso e assumo. O chato sou eu.

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