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Com quarentena, empresas se desdobram para manter comércio funcionando e evitar demissões

O Brasil em tempos de coronavírus é cenário para medo e preocupação também ela saúde financeira

Da redação - Andradina
24/03/20 às 10h13
Cinthia Carvalho começou um comércio no porta-malas do carro e chegou ao Shopping. "O momento não é para desistir" (foto: Cleber Carvalho)

A empresária Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza) disse ontem em suas redes sociais que dependendo do tempo da quarentena, muitas empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, vão desaparecer.

 “Após superarmos a fase de isolamento, que é necessária, sem dúvida, o que me preocupa muito é o quadro que iremos enfrentar na economia. Dependendo do tempo de quarentena, muitas empresas, especialmente as micro, pequenas e médias, irão desaparecer, e muitas das grandes terão que demitir equipes, agravando ainda mais o enorme quadro de desemprego que tínhamos pré-crise. Estudiosos estão falando em dezenas de milhões”, escreveu em texto publicado nas redes sociais na noite de ontem.

Em Andradina, uma empresa de fast food, de alto desempenho havia conseguido vender nove sanduíches das 17 às 21 horas. Ele deu férias coletivas aos funcionários, ficou com um mínimo de funcional e ela mesmo se pôs na linha de frente, metendo a mão na massa para não deixar a empresa parar. Caso as vendas não progridam ele fechará as portas na sexta-feira até o final do período da quarentena.   

O setor da alimentação, que foi afetado drasticamente pelo decreto de quarentena, mesmo que permitida a venda em sistema de entrega, faz outras vítimas entre os trabalhadores diaristas, com ajudantes de cozinha e principalmente garçons.

No comércio varejista, onde se exclamava um momento de expectativa de recuperação gradual da economia, o impacto é mais severo e irá trazer consequências graves. As consequências de uma quarentena prolongada deverá ter grandes consequências sociais.

Em reunião entre lojistas do Oeste Plazza Shopping, a empresária Cinthia Carvalho Minimi Calister (Erva Doce calçados) ao lado da irmã, Ana Lígia, se emocionou a dizer que com o estoque no porta malas do carro, abriu uma lojinha na casa da mãe, passou pelo centro comercial até chegar ao shopping. “A crise chegou em um momento que as vendas pela internet estavam levando seus produtos para todo o país. Não vejo motivos para desistir, precisamos trabalhar, não se trata de ganância, mas só existindo conseguimos manter o que cultivamos e que é o sustento de nossos funcionários. Precisamos passar por isso e continuarmos inteiros”, disse.

É discurso comum entre os comerciantes da cidade o desejo de focar todos os esforços na saúde pública mas sem tirar o olho da recuperação da economia. “Quem não participar ativamente, com todos os esforços possíveis da solução destes problemas, pagará um preço histórico”, disse Luiza Helena.

 “É necessário caminhar rapidamente com planos que possibilitem a tranquilidade já durante a quarentena, em todos os níveis: Executivo, Legislativo e Judiciário, da União, Estados e municípios, para que haja condições para que os cidadãos não sejam assombrados com o fantasma do desemprego e da insegurança financeira para sustentar suas famílias”, finalizou suas declarações ao Valor Econômico.

 “Temos um longo trabalho pela frente, e nunca na história precisamos tanto dos governantes, que devem pensar e agir em conjunto com o único objetivo de vencermos a crise da saúde e a grave crise econômica que se anuncia.”

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