Chegar aos 100 anos de idade com saúde e vitalidade não é muito comum. São raros os casos de velhice saudável em um país onde a expectativa de vida hoje, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), atinge 75 anos tanto para os homens, quanto para as mulheres.
Em Castilho, o ex-prefeito e ex-vereador por quatro mandatos, Vicente Delboni, celebrou 101 anos de vida na última terça-feira (15) com lucidez, boas recordações e muita alegria. Nascido em Ariranha (a 283 km de Castilho) em 15 de agosto de 1916, ele é mais velho que o município onde reside, que completou, na última semana, 64 anos.
Delboni começou sua carreira profissional aos 14 anos, quando trabalhou como mecânico na Ford, em Araçatuba. “Após consertá-los, levava os veículos até Três Lagoas (MS), e sempre passava pelo distrito, hoje Castilho”, lembrou. Em 1940, foi sargento do Exército, quando foi dispensado com a Segunda Guerra Mundial.
No ano seguinte e já casado, muda-se para Vila Cauê, como antes era conhecida. “Montei uma oficina e depois um posto de combustíveis. Sempre trabalhei para Castilho crescer. Trouxe água, luz, água, esgoto, banco e até o padre”, contou, aos risos. Neste período, conheceu o engenheiro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, Alfredo Castilho, que foi chefe dos trabalhadores que implantavam a ferrovia na região, ligando os Estados de São Paulo e Mato Grosso, cortando o rio Paraná.
PREFEITURA Antes de assumir a Prefeitura, Delboni foi vereador por dois mandatos (1955 a 1958 e 1959 a 1962). “Eu não queria ser prefeito, mas queria ajudar a cidade. Fui vice-prefeito e, em 1963, o administrador Nenê de Brito renunciou. Com isso, tive que assumir o Executivo. Na época, vendi meus bens e os desafios que tive e que consegui trazer para a cidade foi água, esgoto, energia e banco, pois não tinha nada disso. Fiz tudo isso sem recurso do governo, contando, apenas com a ajuda do povo”, destacou. O ex-prefeito observou que, para fazer as obras, retirava areia e pedra do rio Paraná, quando o nível estava baixo, já que neste período recursos estaduais não vinham para o município. “O governador Ademar de Barros sonhava em ser presidente, no entanto, a Junta Militar não concordava com isso, o que dificultava a vinda de verbas. Por várias vezes fui de caminhonete até São Paulo buscar materiais e custeava tudo isso do meu bolso”, relatou. Depois de ser prefeito, Delboni ainda foi mais três vezes vereador, exercendo os mandatos de 1983 a 1988, 1989 a 1992 e de 1993 a 1996. ROTINA Viúvo e pai de dois filhos, o ex-prefeito levanta diariamente às 4h. “Não durmo, apenas cochilo”, contou. Fazendo o uso de uma cadeira de rodas para se locomover, ele vai até a cozinha, prepara o café, pão com manteiga e come uma fruta. Após isso, vai até a sala e, de uma janela, fica observando o movimento da rua.No almoço, o cardápio está incluído massas, mocotó e não pode faltar um cálice de vinho. “Raramente eu como carne vermelha”, ressaltou. No período da tarde, ele, com o auxílio de muletas, caminha por 20 minutos, voltando para a casa para o jantar onde depois assiste telejornal e, às 21h, vai dormir. Sozinho, ele vai ao cabeleireiro e barbeiro. Perguntado sobre o segredo da longevidade, Delboni diz que a dica é uma comida simples. “Sem gordura e comer duas vezes ao dia bastante frutas”, finalizou.
BOM HUMOR E ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL CONTRIBUEM PARA VIVER MAIS, DIZ GERIATRA
O bom humor e uma alimentação saudável estão entre os fatores que contribuem para a longevidade, conforme informou o médico geriatra Luís Fernando Zonzini Salvariego, de Araçatuba. O especialista destacou que o fator genético hoje representa 17%. “O restante são os hábitos de vida. A estrutura familiar e social de amizade são outros pontos que fortalecem a saúde do idoso”, disse.
Entre os fatores que contribuem para se ter uma melhor qualidade de vida, Salvariego cita o acompanhamento de um médico, alimentação balanceada, evitar o sedentarismo e, principalmente, a polifarmácia, ou seja, o uso indevido de medicamentos. “Além disso, o idoso deve-se evitar o uso de álcool e cigarro e incluir no cardápio legumes e frutas. Beber um litro de água por dia é outro fator primordial, para evitar a desidratação”, destacou.
O especialista alertou ainda que a população idosa masculina é a que menos procura um médico. “Este é um hábito que precisa ser mudado, pois estes pacientes são os que mais adoecem. O ideal é que o idoso vá duas vezes por ano ao médico, evitando que se tornem alvos fáceis de doenças”, finalizou.