Foi publicada na sexta-feira (7), no Diário Oficial da Prefeitura de Andradina, a lista dos estudantes contemplados pelo programa de bolsas de estudo criado pela Lei nº 3.247/2015. A divulgação gerou surpresa e preocupação entre diversos alunos que contavam com o benefício, mas tiveram suas bolsas cortadas, mesmo tendo sido beneficiados em anos anteriores.
Desde o ano passado, a polêmica em torno da concessão das bolsas tem gerado discussão. Em 2023, a prefeitura deixou de fora muitos estudantes, mas após reuniões e proposituras, houve sensibilização para o reestabelecimento dos benefícios. No entanto, a nova lista para 2025 reacende o debate e mobiliza os alunos a pressionarem a Câmara Municipal para intervir na questão.
Os dados divulgados revelam uma grande disparidade na distribuição dos recursos entre as instituições de ensino. A FEA foi a instituição mais contemplada, com 240 alunos beneficiados, garantindo um repasse mensal de R$ 94.400,78. Em contraste, a AEMS teve 44 alunos contemplados, com um repasse mensal de R$ 18.200, e a FIRB recebeu apenas R$ 14.890 para 74 alunos. Isso significa que a FEA absorveu 67% do total de bolsas concedidas, deixando alunos de outras instituições em situação crítica.
Falta de investimento municipal e priorização da FEA
Em audiências públicas sobre o orçamento municipal, estudantes e representantes da educação já haviam alertado para a necessidade de ampliar os recursos destinados ao programa. Andradina investe menos de 0,5% do seu orçamento em bolsas e auxílio transporte, enquanto cidades vizinhas menores aplicam, em média, 1% dos seus orçamentos na educação superior.
O Decreto nº 7.812/2024, publicado pelo município, estabeleceu que alunos da FEA teriam prioridade na concessão das bolsas, sob o argumento de que a instituição possui caráter público. Com isso, alunos de outras instituições, especialmente dos cursos de Direito e Enfermagem da FIRB, foram prejudicados e tiveram suas bolsas cortadas.
Denúncia no Ministério Público e mobilização estudantil
Diante da situação, uma representação estudantil ingressou com uma denúncia no Ministério Público solicitando intervenção sob o protocolo número 0739.0001405/2025. No entanto, segundo pesquisa realizada pelos alunos, a demanda foi encaminhada à ouvidoria da própria Prefeitura, o que gerou frustração e maior mobilização entre os estudantes.
Principais pontos de reclamação dos alunos:
- Muitos tiveram suas bolsas cortadas com a justificativa de que existe o mesmo curso na FEA, especialmente nos cursos de Direito e Enfermagem.
- Estudantes que recebiam entre R$ 100 e R$ 400 até o ano passado afirmam que, sem o benefício, podem ser obrigados a trancar ou desistir dos estudos.
- Diferença nos valores das bolsas: enquanto a FEA recebeu bolsas de até R$ 955, alunos de outras instituições, como a FIRB, tiveram um teto de apenas R$ 322.
Diante do impasse, alunos planejam manifestações para contestar a decisão do governo municipal e pressionar a Câmara a intervir na questão. O movimento busca garantir mais equidade na distribuição dos recursos e evitar que estudantes sejam obrigados a abandonar seus cursos por falta de apoio financeiro.
