Eles são posseiros de uma área que a CESP nunca ocupou, nem cuidou em Paulicéia. A área pegou fogo. Pode ter sido a cerca elétrica na fazenda, os pescadores que não saem da beira do rio ou provocado por qualquer um.
Por que os colonos estão sendo acusados e multados pelo fogo que atinge reservas e áreas de preservação? E a reponsabilidade da CESP ninguém discute. Ela então é quem não deveria ter deixado as 80 famílias ocuparem as terras.
Elas estão em faixas de segurança, e pelo que vimos na última visita local que fizemos, as placas de proibição de acesso às APPs e a caça foram as famílias dos posseiras quem colocaram.
Outro fator agravante contra o Estado, é que a diretoria da CESP no passado fez vistas grossas sobre essa ocupação. E até incentivou. Eles tem prova disso. Hoje a estatal está engolida pela Votorantim, e a empresa privada precisa passar a limpo os passivos ambientais.
Tudo bem, isso é justo. A CESP precisa parar de hipocrisia e cuidar das áreas ambientais ou de proteção das barragens, como o caso dessa, cuja quantidade de terra nunca foi inundada e tem motivos de sobre para se discutir a necessidade da desapropriação.
Mas lavrar multas contra o pobre do colono posseiro? E identificar apenas o “líder” Josué da Silva? Em nome dele já foram lavrados R$ 1,8 milhão em multas ambientais. E por que não a CESP? Quem abandonou o quê? Então se é dele, que deem a ele a terra para ele poder pagar a dívida.
Há dois anos ele tentou um acordo. Pagou cestas básicas e os colonos decidiram plantar 2 mil árvores. Ótimo. Mas, como vão plantar se precisam da anuência da CESP que é a responsável pela área e que está com outra ação de despejo.
Que vergonha gente. Onde estão as pessoas do bem? O Josué não pagou e não tem como pagar essa dívida. Ela engorda as estatísticas das autuações ambientais, e o Governo de São Paulo se sai bem na fita. Mas a meu ver, nesse caso, está-se e punindo a pessoa errada.
Se a empresa acredita ser necessário arrancar “aquele tipo de povo” de lá, como disse recentemente o prefeito da cidade, precisa deixar de lado esses métodos criminalistas.
A punição de Josué da Silva, como líder e único responsável, pode ser interpretada como uma intimidação e criminalização do movimento que é social e não político. Seja qual for a lei onde esteja enquadrado, ela é injusta.
Sem condições da pagar a dívida, Josué pode ser preso. Um dos mandados de prisão pelo não pagamento ambiental do plantio das 2 mil árvores, já foi expedido e bloqueado por tempo indeterminado, mas que pode ser retomado com o provável reenquadramento.
“Nunca colocamos fogo em nada. Ao contrário, nós ajudamos a preservar as matas evitando trânsito de caçadores. Eles podem até me prender, mas terão que me matar primeiro”, disse Josué da Silva.
Enquanto isso a CESP apenas assiste as autoridades do mesmo Estado, a defenderem os seus “direitos”. Fosse outros tempos, o Governador do Estado iria ler esse texto e tomar providências. Mas, a imprensa virou comunista e esse meu texto deve se enquadrar nisso.
Só que não. É do Governo Bolsonaro que esses agricultores precisam se apegar. A faixa ocupada é de um rio Federal. Para mim, a Justiça Estadual nem competência teria para cuidar desse assunto sozinha. E o Presidente apoia os posseiros na região norte do País. Pois bem. Vamos aguardar.