Ao condenar Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a juíza Lúcia Glioche destacou o longo caminho percorrido até a decisão e os anos de dor enfrentados pelas famílias das vítimas. "Talvez Justiça fosse que o hoje o dia jamais tivesse ocorrido, talvez Justiça fosse Anderson e Marielle vivos", afirmou ela durante a leitura da sentença, pontuando que, embora o veredito represente um avanço, ele não anula o sofrimento dos entes queridos.
A decisão do 4º Tribunal do Júri do Rio foi proferida na última quinta-feira (1), cerca de seis anos e sete meses após o crime que chocou o Brasil e atraiu atenção internacional. Lessa, acusado de efetuar os disparos em 14 de março de 2018, foi condenado a 78 anos e 9 meses de prisão, enquanto Queiroz, que dirigia o veículo utilizado no crime, recebeu a pena de 59 anos e 8 meses.
Durante a sentença, a juíza expressou sua visão crítica sobre o sistema judicial: "A Justiça por vezes é lenta, é cega, é burra, é injusta, é errada, é torta, mas ela chega. A Justiça chega mesmo para aqueles que, como os acusados, acham que jamais serão atingidos por ela". A frase reforça a crença de que, embora tardia, a Justiça alcança os responsáveis.
O Julgamento e a Sentença
Na leitura da sentença, a magistrada lembrou a importância do júri popular como expressão democrática — um princípio que Marielle Franco defendia em vida. "Aqui prevalece a vontade do povo em maioria", disse, agradecendo o trabalho voluntário dos jurados.
Ela prosseguiu com a condenação de Lessa e Queiroz, determinando penas significativas de reclusão, multas e a obrigação de indenizar os familiares das vítimas. A condenação incluiu uma pensão para o filho de Anderson, Arthur, até que ele complete 24 anos, além do pagamento de R$ 706 mil em danos morais para cada uma das vítimas.
"Talvez justiça fosse que Marielle e Anderson estivessem presentes", refletiu a juíza, destacando que, embora não seja capaz de trazer as vítimas de volta, a Justiça retirou dos acusados a liberdade, considerado o bem mais precioso após a vida. Ao final da sessão, a juíza agradeceu às partes envolvidas, incluindo a Defensoria Pública, as defesas, os servidores judiciais e os policiais militares, encerrando a audiência com um "boa-noite" aos presentes.
