Quando a parcela debochada dos eleitores que é obrigada comparecer para cumprir a lei, decidiu votar no Mário Gay, não estava fazendo isso como um gesto em defesa da representação dos excluídos e marginalizados da sociedade, mormente por uma opção de vida sexual diferenciada.
Nada disso. Quem votou nele queria esculhambar com a classe política. Seu comportamento e suas atitudes já eram conhecidas do público e portanto, quem votou sabia muito bem o que estava fazendo. Queriam transferir todo aquele constrangimento que ele causava, para dentro do Legislativo. Não foram os discursos e as posturas em defesas das minorias que levaram Mário para Câmara, mas a sua opção sexual e tão somente. Tanto que ele foi ausente numa das maiores manifestações em defesa das minorias, que foi a caminhada do povo em defesa dos homossexuais assassinados.
A imprensa, empolgada com a pauta, se arvorou aproveitar o gancho para mostrar que o senhor Mário era a manifestação de respeito aos homossexuais, a lado evoluído de uma cidade que quis dar oportunidade para o mais humilde, mais simples. Era só um teatro dirigido por alguns jornalistas.
Agora recai sobre o senhor Mário em forma de denúncia de assédios moral e sexual, por práticas de comportamentos que até pouco tempo, do lado de fora do Legislativo, algumas pessoas achariam só engraçado. Mas dessa vez, ele é acusado de partir pra cima de seus assessores masculinos, exigindo carinho e amor. Com isso, o assunto passou para dentro da Câmara e virou possibilidade de enquadramento na falta de decoro parlamentar. E os vereadores podem cassar seu mandato por causa disso.
Tai um pepino difícil de descascar. Em primeiro lugar, o assunto ainda não chegou oficialmente à Câmara de Andradina, embora as denúncias contra o vereador tenham partido de servidor dos quadros do legislativo. Virou batata quente.
O que mantém Mário no cargo, é a mesma conveniência dos eleitores que queriam só se divertir quando o elegeram. Agora ele tem um peso político importante porque se for cassado, quem entra é um opositor ferrenho da atual administração. Mário já provou e gostou de estar do lado de quem manda. Ele tem em tese o voto da maioria da Câmara. Se for fiel poderá ter sobreviva no apoio político.
Agora, a história do assédio sexual, vai ficando pequena diante daquilo que se acusa atualmente os legisladores, como roubo, superfaturamento, contrato com firmas fantasmas, venda do voto no parlamento, formação de quadrilha...Não que o assédio não seja crime, mas é bom ouvir o Mário. Ele nunca escondeu o jeito de ser. Não sejamos hipócritas.