Basta uma chuva mais intensa e com poucos minutos de duração para que velhos problemas reapareçam em Andradina. Ruas intransitáveis, enxurradas invadindo calçadas e água entrando em residências são cenas que, segundo moradores, se repetem há anos no município.
A cada novo período chuvoso, diversos pontos da cidade voltam a registrar alagamentos. Há relatos de famílias que precisam improvisar barreiras nas portas para conter a água e evitar prejuízos maiores. Em alguns bairros, motoristas são obrigados a retornar diante da força da enxurrada, enquanto comerciantes contabilizam perdas.
O problema, de acordo com munícipes, atravessa mandatos. “Passa prefeito, reelege prefeito, e nada é resolvido de forma definitiva”, relatou um morador que preferiu não se identificar. A principal crítica é a ausência de obras estruturais eficazes, como ampliação e modernização do sistema de drenagem pluvial.
No início do mês, o prefeito Mário Celso Lopes publicou um vídeo afirmando que não há mais inundacoes em Andradina, que é outra infraestrutura pelas obras que seu governo fez, uma declaração que gerou forte repercussão nas redes sociais. Pouco tempo depois, novas chuvas expuseram situações que contradizem a afirmação do prefeito, com registros de ruas novamente tomadas pela água.
Os vereadores Hugo Zamboni e Elaine Vogel utilizaram seus canais de comunicação para mostrar a realidade enfrentada pela população após as chuvas, cobrando providências do Executivo. Zamboni questionou, de forma irônica, se seria essa a “Península dos Grandes Lagos” mencionada pelo prefeito em seu primeiro mandato, numa referência às recorrentes cenas de ruas alagadas.
Problemas crônicos de drenagem urbana exigem planejamento técnico, investimento contínuo e ações preventivas, como limpeza periódica de galerias, ampliação de bocas de lobo e obras de macrodrenagem. Sem isso, a tendência é que eventos climáticos cada vez mais intensos agravem o cenário.
Enquanto o impasse político segue, moradores continuam convivendo com o medo a cada nuvem carregada no céu. A expectativa da população é que, mais do que discursos, sejam apresentadas soluções concretas e um cronograma claro de intervenções para os pontos historicamente mais críticos da cidade.
