O setor mineral brasileiro movimentou R$ 139 bilhões no primeiro semestre de 2025. Este total representa um crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). De acordo com o órgão, a atividade minerária está relacionada a 53% do saldo da balança comercial brasileira.
Este desempenho positivo do setor mineral alcançou destaque pelo aumento no faturamento de minerais críticos, que representam R$ 21,6 bilhões, um avanço de 42% em relação a 2024. Minerais críticos são químicos essenciais para a transição energética por serem usados em ímãs, turbinas eólicas, telas de TVs e celulares, motores de veículos elétricos, painéis solares e baterias.
O relatório do IBRAM revela que, no primeiro semestre, Minas Gerais, Pará e Bahia lideram o ranking de faturamento minerário. Minas lidera, com 39,7%, seguido por Pará (34,6%) e Bahia (4,8%).
O emprego foi outro tema que apareceu em alta no relatório. Foram 226 mil empregos diretos gerados pela mineração entre janeiro e junho. Foram criadas mais de 5 mil vagas.
No entanto, se por um lado o setor gera tanta riqueza, por outro há um obstáculo grande a ser vencido. Enquanto as mineradoras apresentam altos faturamentos, cidades mineradoras não recebem devidamente, a participação nesse faturamento, como estabelecido na Constituição, e sofrem com a falta de recursos para a saúde, educação e infraestrutura. De acordo com gestores municipais, a presença da mineração nos municípios gera migração de trabalhadores, inchaço das cidades, aumento de demanda por serviços públicos, aumento de inflação no comércio e nos aluguéis e as prefeituras não conseguem administrar o município com a alta sonegação dos impostos que acontecem no setor.
A AMIG Brasil, que representa os municípios mineradores brasileiros, reclama que, de 2014 a 2021, R$ 12,4 bilhões deixaram de ser arrecadados pela União, Estados e Municípios Mineradores e impactados pela atividade. O problema foi evidenciado por um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), que aponta que cerca de 70% dos títulos minerários ativos no país não recolhem a Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Entre os que realizam o pagamento, muitos realizam uma espécie de autofiscalização e repassam valores inferiores aos devidos, com diferenças que chegam a 40,2%.
Problemas que tornam ainda piores os impactos da mineração na sustentabilidade dos municípios, como explica o presidente da AMIG Brasil e prefeito de Itabira (MG), Marco Antônio Lage: “Nós temos problemas enormes ambientais, as marcas da mineração deixam marcas quase que irrecuperáveis, irremediáveis aos territórios. Nós temos um custo de vida maior, nós temos problemas de saúde, com doenças respiratórias sobretudo, nós temos problema da escassez hídrica, porque a mineração utiliza muita água na sua produção, no seu processo de refino, de beneficiamento de minério. Então, quando a gente bota na balança pelo valor que os municípios recebem hoje, apesar de todos os benefícios que a indústria de mineração traz para o planeta, traz para a indústria de uma maneira geral, para a qualidade de vida, a gente sabe que para os territórios (municípios explorados) não vale a pena”.
A AMIG Brasil acionou o Ministério Público Federal (MPF) para exigir medidas urgentes, incluindo o fortalecimento da fiscalização do setor pela Agência Nacional de Mineração (ANM), o combate à sonegação fiscal no setor mineral e o fim da autofiscalização, garantindo mais transparência ao processo. O MPF instaurou um inquérito investigativo e já solicitou informações à ANM sobre as irregularidades apontadas.
