O Ministério Público fala em manobra para ocultar bens, depois que o prefeito licenciado Edson Gomes (PP), que está preso desde o final de março, e sua esposa, a ex-prefeita Odília Gomes, terem se recusado a receber uma herança deixada pelo filho, Guilherme Giantomassi Gomes, morto em um acidente em junho do ano passado. É que se aceitassem, poderiam ter o dinheiro sequestrado pela Justiça, devido a ações em que já foram condenados. As informações são do portal G1 e do TEM Notícias.
A ação foi proposta pelo Ministério Público, depois de descoberto que o casal renunciou a herança. Para o MP, essa renúncia caracterizaria uma atitude fraudulenta, com a intenção de blindar os bens da família, que poderiam ser usados pela Justiça no cumprimento de ações já julgadas, em que Edson e Odília Gomes já teriam sido condenados a devolver cerca de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.
“Nós não conseguimos encontrar bens no nome de Edson Gomes, para que o cumprimento da sentença possa prosseguir e nem para que sejam tornados indisponíveis, para que eles garantam as ações em andamento. Com essa renúncia, eles continuaram nessa situação de insolventes. Tornando-se nula essa renúncia, passa a ser possível, então, que esses bens possam ser atingidos pelas ações de ressarcimento”, disse a promotora Luciane Rodrigues Antunes, em entrevista ao TEM Notícias, da TV TEM.
Edson e Odília Gomes respondem na Justiça Estadual a sete ações civis públicas e, na Federal, a mais quatro, todas por improbidade administrativa na época em que administraram Ilha Solteira.
Ainda de acordo com o Ministério Público, o patrimônio da família inclui dezoito fazendas, todas localizadas no Município de Pedro Gomes, no Mato Grosso do Sul, e mais de duas mil cabeças de gado. A maioria desses bens estaria nos nomes do filhos, inclusive do atual prefeito Otávio Gomes (DEM).
Em nome do casal estariam apenas poucos imóveis, avaliados em cerca de R$ 300 mil. Já, no nomes dos filho, o patrimônio estaria avaliados em cerca de R$ 20 milhões. “Verificamos em pesquisas nas certidões de todos esses imóveis, que grande parte deles foi adquirida ao longo da vida política de Edson Gomes, já diretamente em nome dos filhos, enquanto eles eram menores de idade e não tinham situação econômica compatível com a aquisição desses bens, o que já demonstra, no ponto de vista do Ministério Público, uma intenção de ocultar o patrimônio dessas ações em andamento”, afirmou a promotora, também em entrevista ao TEM Notícias, da TV TEM.