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O perigo que a variante Delta do Coronavírus representa

São poucos casos confirmados no Brasil, mas a cepa indiana já é considerada uma ameaça, devido à sua natureza mais transmissível.

Da Redação
10/07/21 às 10h26

A nova variante Delta do coronavírus, que antes era conhecida como B.1.617.2, tem preocupado os profissionais da saúde, sendo que existe o grande risco de que ela possa vir a ser responsável por uma nova onda de Covid-19 no país.

Ainda são poucos casos no Brasil, mas com certeza ela já é uma ameaça, devido à sua natureza mais transmissível, quando comparada as estirpes já catalogadas pela comunidade cientifica.

A cepa foi identificada pela primeira vez na Índia em dezembro de 2020 e se disseminou rapidamente pelo país. Posteriormente, ela foi identificada no Reino Unido, levando a um número cada vez mais crescente de infecções e mortes.

Nos Estados Unidos, o primeiro caso provocado pela variante Delta ocorreu em março, e no fim de junho, ela já era responsável por mais de 20% dos infectados no país. No Brasil, a estirpe foi notificada pela primeira vez no dia 20 de maio.

Alguns países que estão com suas campanhas de vacinação mais avançadas já conseguem sentir os resultados da imunização em massa, com uma grande diminuição no número de casos e principalmente de óbitos.

Contudo, em lugares como o Brasil, onde a vacinação avança bem mais lentamente, a preocupação com a chegada de uma terceira onda da doença se mantém constante, correndo um grande risco com as novas mutações do vírus. 

Esse fato, somado à flexibilização das medidas de isolamento que tem acontecido em várias regiões do país, pode abrir espaço para a variante Delta se replicar, é o que alertam a maioria dos especialistas.

A epidemiologista e vice-presidente do Sabin Institute, nos Estados Unidos, Denise Garrett, afirma o seguinte:

“É urgente lidarmos com a variante delta com mais seriedade, antes que se espalhe.  As variantes estão em busca de pessoas não vacinadas, e não dá tempo de ficar escolhendo o imunizante.          Usar máscara, manter o distanciamento social e se vacinar são as soluções”.

Para ela, essa diminuição “momentânea” do número de casos, deveria ser utilizada para nos prepararmos de maneira mais eficaz contra a nova cepa do vírus.

Desde que começou a se espalhar pelo mundo, a variante Delta já chegou em 98 países , são os dados da Organização Mundial da Saúde.

No Brasil, o Ministério da Saúde confirma que 16 casos foram identificados e notificados entre 20 de maio e 8 de julho, sendo seis no navio que esteve atracado na costa do Maranhão , três no Rio de Janeiro, um em Minas Gerais, três no Paraná, dois em Goiás e um em São Paulo.

Até o momento, entre esses casos, dois óbitos foram relacionados com a cepa indiana, no Maranhão e no Paraná. A pasta divulgou que os dados coletados ainda não demonstram circulação comunitária, porém, investigações ainda estão sendo feitas.

Os casos e seus respectivos contatos são monitorados pelas equipes de Vigilância Epidemiológica e pelos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância e Saúde locais, conforme as determinações do Guia Epidemiológico da Covid-19.

O Ministério da Saúde tem orientado estados e municípios sobre as medidas necessárias, como a intensificação do sequenciamento genômico das amostras positivas e a vigilância laboratorial. 

O isolamento dos casos suspeitos e confirmados, a notificação imediata e as ações de prevenção em áreas de suspeita de circulação de variantes também estão entre as recomendações.

O infectologista e pesquisador da Fiocruz, Julio Croda, informa que a cepa é a mais transmissível até o momento, encontrada no Brasil e os médicos enfatizam o uso das máscaras e de outras medidas higiênicas, mesmo para aqueles que já se vacinaram.

Os especialistas não se surpreendem com o que está acontecendo no mundo, tendo em vista que todos os vírus conhecidos até o momento pela ciência, evoluem com o tempo, e sofrem mutações à medida que se replicam.

Contudo, uma observação unânime entre os pesquisadores e profissionais da saúde sobre a periculosidade da variante Delta do Coronavírus, é a rapidez com que ela está se disseminando pelo mundo.

Isso preocupa diversos países pelo mundo pois a pandemia já obrigou diversas empresas a ficarem fechadas e, com essa possível disseminação da variante Delta, pode não haver de fato uma retomada da economia em muitos países, levando várias empresas à falência.

Claro que não são todas as empresas que estão sendo prejudicas com essa pandemia. Empresas de delivery, lojas virtuais,   serviços de streaming  entre outras, estão tendo um grande crescimento na pandemia. Mas mesmo assim, em um contexto geral, a preocupação é grande pois a maioria das empresas não tem a mesma realidade.

 O que ainda precisamos entender sobre a variante Delta 

Ainda não está claro se a variante Delta pode provocar infecções em pessoas que foram vacinadas ou têm imunidade natural à uma infecção anterior por COVID-19, que eram raros em geral até o momento.

Embora ainda existam poucos estudos, as informações iniciais sobre a gravidade que a nova cepa representa, incluem um recente estudo feito na Escócia, onde se comprovou que ela pode ter duas vezes mais possibilidades do que a cepa Alpha em causar a hospitalização de pessoas não vacinadas.

As pesquisas realizadas até o momento também apontam mudanças no que se diz respeito aos sintomas iniciais. Com a infecção causada pela variante Delta, aparentemente a tosse e a perda do olfato são menos comuns.

Entretanto, coriza, febre, dor de cabeça e dor de garganta são comuns nesses casos, podendo confundir facilmente o diagnóstico com uma gripe comum, ou mesmo com um resfriado.

Uma coriza não impede a pessoa de ir à casa de familiares ou mesmo ao seu local de trabalho, e esses aspectos facilitam ainda mais a disseminação do vírus. Indivíduos infectados ainda podem demorar a procurar um médico, devido aos sintomas serem mais brandos no início da doença.

Ao que tudo indica, a cepa Delta é 75% mais contagiosa do que a estirpe original de SARS-CoV-2, além de estar se espalhando 50% mais rápido do que as outras, como por exemplo, a variante Alpha, que teve origem no Reino Unido.

Contudo, vale lembrar que alguns profissionais, como o virologista Paulo Eduardo Brandão da Universidade de São Paulo, defendem a ideia de que ainda não existem dados suficientes para se concluir que a nova variante Delta é mais transmissível, ou se ela foi mais transmitida. 

"As recentes aglomerações nos países europeus podem ter causado uma avalanche mesmo que ela (variante Delta) não tivesse todo esse potencial”.

A mesma dúvida é lançada pelos pesquisadores, sobre a agressividade da mutante, sendo que nos países acometidos houve um aumento de mortes e hospitalizações associadas à cepa indiana, mas isso pode ser uma consequência direta do número crescente de casos.

A boa notícia é que os métodos para se prevenir contra a infecção causada pela nova variante Delta, são exatamente os mesmos que vêm sendo adotados até aqui, usar máscara, manter o distanciamento social e se vacinar, independentemente da marca do imunizante.

A recente diminuição na quantidade de casos no Brasil, não deve ser encarada como uma porta para o relaxamento das medidas de contenção do vírus, ao passo que se o fizermos, estamos fadados a sofrer as consequências de mais uma onda da doença no país. 

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