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O turismo da destruição não é bem vindo

A pesca voltou ser liberada nos rios de piracema, onde os peixes dependem do movimento das águas para que, nadando contra a correnteza, possam reproduzir.

Castilho - Antônio José do Carmo 
09/03/20 às 12h07
(Foto: Moisés Eustáquio)

A pesca voltou ser liberada nos rios de piracema, onde os peixes dependem do movimento das águas para que, nadando contra a correnteza, possam reproduzir. Em Castilho e Três Lagoas, estão trechos do rio Paraná onde esse fenômeno ainda ocorre, milagrosamente apesar do represamento da usina de Porto Primavera que transformou cerca de 300 quilômetros até o pé da barragem de Jupiá, num lago controlado.

Afluentes como o Rio Verde no Mato Grosso do Sul, com uma das maiores concentrações de dourado, ajudam a diversificar essa piracema que faz surgir a uma imensidão de piaparas e piaus. No subaquático a pesca é quase uma covardia, com capturas de pintados, jaús, pacus de todos os tamanhos. As reproduções também ocorrem, segundo os biólogos, em afluentes marginais ao lago e que também possuem correnteza antes de desaguar.

Na natureza ainda reage e os peixes reproduzem, num ambiente inóspito, com excesso de vegetação aquática e uma política de repovoamento que ainda é pouco transparente e uma fiscalização de depende muito mais da consciência ambiental, do que do efetivo de Policiais Militares Ambientais.

Mas nem a convocação da Guarda Nacional e do Exército teriam condições de colocar um basta nesse modelo de pesca extrativista. A própria lei de pesca no Estado de São Paulo é uma aberração porque permite que cada pescador leve pelo menos 10 exemplares de peixe. Ou seja, só em Castilho onde se hospedam à beira do rio cerca de 5 mil turistas nos melhores dias dessa temporada, é possível que num fim de semana se retire da água 50 mil exemplares de peixes que, se pesarem em média 2 quilos, serão 100 toneladas.

Qual a necessidade de um turista levar tudo isso? Nenhuma. Mas a maioria tem um instinto voraz e somente em concursos que aparecem na televisão, eles fazem a soltura de peixes. Pior de tudo é que uma legião de empresários, profissionais liberais e outros bem instruídos se utilizam do registro clandestino de pescador profissionais, apenas para obter algumas regalias de usar instrumentos e embarcações de pesca que não são permitidas aos amadores, os turistas. Todos recebendo o “bolsa defeso” do Governo Federal, que já localizou essas fraudes e vem tentando coibir com o recadastramento.

O empresário vem de Ribeirão Preto, Rio Preto, Araraquara, Campinas, São Paulo e pescam extraindo os peixes que se enquadram no tamanho definido pela lei. Mas na verdade, enchem as caminhonetes, com freezers lotados de peixes e vão se exibir na volta para casa.

Por que o Estado de São Paulo não toma como exemplo o Mato Grosso do Sul que proibiu o transporte de peixes? Se for para consumir, que seja na beira do rio. Mas sem dúvida, a decisão que economicamente seria mais importante, seria a de deixar o peixe para o turista de verdade. Não esse de perfil destruidor e exterminador, mas aquele que se contenta com pouco porque prefere mais contemplar a beleza da natureza, do que consumi-la.

Não só o meio ambiente, mas a geração de empregos e a elevação da renda seriam muito mais significativas para todos esses municípios paulistas, onde a pesca ainda se faz de forma primitiva, extraindo todos os peixes da água.

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