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Pearl Jam: um entre 100 mil

Eu era um entre 100 mil. Esperei 43 anos para ver o Pearl Jam tocar ao vivo e a oportunidade veio no Lollapalooza de 2018. O evento levou em três dias mais de 300 mil pessoas ao Autódromo de Interlago

REVISTA FALA! MAIO 2018 - Hugo Leonardo
14/06/18 às 11h05
(REVISTA FALA! MAIO 2018)

 O evento foi anunciado como o maior Lollapalooza de todos os tempos, com uma line-up que reunia nomes como Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam e The Killers. Eu só queria ver o Pearl Jam, banda que acompanho desde o início da década de 90, nascidos no movimento “grunge”, o tal “som de Seatle”, que também lançou ao mundo o “Sound Gardem”, “Nirvana” e “Alice in Chains que formam minha preferência musical.

 Um festival lindo com gente excepcional, ou vice-versa. Ao chegar após curto tour fiz a difícil opção de fã, colar no palco até a entrada da banda, às 21 horas, ou tentar ver mais algo. “Mano Brown” e “Imagine Dragons”, tocavam em outros palcos neste festival eclético.

 Se sou fanático pelo Pearl Jam? Claro. Mas não tanto como Melissa Scaff, uma americana de 43 anos que resolveu ver a banda no Lollapalooza Buenos Aires, uma semana antes. A engenheira química, vinda de uma pequena cidade de apenas 3,5 mil habitantes, ficou decepcionada com o cancelamento do show em Buenos Aires, mas não teve dúvidas na hora de pegar sua mochila e desembarcar em São Paulo.

 Melissa tinha se preparado para a edição da festa na Argentina por dois anos, o que incluiu aulas de espanhol. Vir ao Brasil a deixou cheia de medos, mas logo, contando com a solidariedade dos brasileiros, tanto do hotel onde se hospedou quanto no Twiiter ela viu seu sonho ser realizado.

 Para quem já estava perdendo a esperança de ver o show, ver a mobilização do pessoal do Twitter que ajudou a mobilizar os organizadores do Lolla e as pessoas do hotel que a levaram aos Correios para retirar o passaporte do evento que chegou a ser devolvido com conflito de endereços.

 À vontade, Melissa acabou vendo o Lollapaloza 2018 inteiro e saiu com uma excelente impressão dos brasileiros.

 O show

 O Pearl Jam entrou em palco fazendo tudo o que os fãs queriam, tocando dezenas de clássicos intercalados com lados B da banda que raramente aparecem juntos em um único repertório.

 Com um discurso politizado, Eddie Vedder, em português, resolveu dar um recado, para as mulheres presentes no show, o norte-americano mencionou a imponência do sexo feminino.

 “Essa música é para todas as mulheres fortes das nossas vidas. Nossas mães, irmãs, filhas, esposas, namoradas… só os homens fracos não apoiam as mulheres. Essa é para os homens fortes o bastante que ajudam na luta pela igualdade”, Eddie Vedder.

 De onde eu estava era praticamente impossível ver o fim do mar de gente que foi lá para ver ao vivo o desempenho de Eddie Vedder, que manteve a potência em mais de 30 anos de carreira.

 Perry Farrel, ex-vocalista do Jane’s Addiction e inventor do Lollapalooza, esteve no palco para uma participação especial com a banda. O show teve até guitarra verde e amarela, chamada carinhosamente por Eddie como "guitarra brasileira".

 Em “Black“, um dos tantos momentos marcantes da apresentação de quase três horas, o artista contou com a resposta pura do público e caiu de joelhos em agradecimento. Um daqueles momentos mágicos do rock que ficarão guardados para eternidade.

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