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Representante do Incra critica as gestões antes de Temer:“Em nome do Incra quero pedir desculpas a vocês”

 O superintendente adjunto do Incra de São Paulo, Edson Fernandes, surpreendeu a todos com um discurso de reconhecimento de que os assentados da reforma agrária foram abandonados pelo Governo.

Noroeste Rural
14/08/17 às 10h18
Na foto Edson Fernandes ao lado de Fernando Magno(de branco), Secretário Municipal do Desenvolvimento Agrário. (Noroeste Rural)

 O superintendente adjunto do Incra de São Paulo, Edson Fernandes, surpreendeu a todos com um discurso de reconhecimento de que os assentados da reforma agrária foram abandonados pelo Governo. E quando diz isso, quer se referir aos governos anteriores indistintamente. O que é verdadeiro. O público de 300 pessoas que compareceu à sede do Sintraf estava incrédulo. Ouviram um humilde “quero pedir desculpas a vocês pelo abandono”.

 Essa postura soou como um gesto de reconhecimento, de auto-crítica e ao mesmo tempo uma grande esperança que de fato os lotes possam ser liberados para a produção, pois afinal esse também é um dos pilares de motivos para o Governo Federal ter investido mais de R$ 3 bilhões para promover a desapropriação de fazendas.

 A Justiça pega o pé da lei e exige uma “lista nacional de interessados”. Isso é um absurdo. As pessoas querem terra onde elas vivem e não lá na Amazônia. Outra coisa importante: que os senhores magistrados terão o desafio de tornar justo, é que o Incra não pode assumir hoje todas as obrigações de assistência e regularização dos assentados. 

 Por isso, não há como desconsiderar a importância dos movimentos populares, como autores da reforma agrária no Brasil e na nossa região. A Igreja Católica da Alta Noroeste fez opção em defender a reforma agrária e durante um período, deu apoio aos movimentos populares.

 Se esses movimentos, sindicatos e associações conseguiram se organizar e fazer o assentamento que o Incra não fez. Agora a lei não pode ignorar esse acordo que veio até hoje ao longos dos anos, onde as novas famílias que substituíram os titulares originais nos assentamentos devem continuar obedecendo a indicação sindical ou de movimentos que se estabeleceram nessa luta. Ainda mais agora, em que as leis se adequam aos acordos.

 As estatísticas indicam que menos de 20% estão de fato irregulares. Isso significa que nesse quesito de eficiência em colocar os mais pobres na posse da terra, os movimentos e sindicatos atenderam às expectativas. Que o Governo Federal arrume esses 20% e já estará fazendo muito.

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