O especialista detalha que há três tipos de escorpiões mais comuns em Brasília: o amarelo (Tityus serrulatus), o com patas rajadas (Tityus fasciolatus) e o preto (Bothriurus araguayae). “O amarelo é o mais comum e tem uma particularidade evolutiva bem interessante: não precisam de um macho para se reproduzirem, o que acelera o nível reprodutivo da espécie”, explica o professor da Blue Global School.
Devido a essa vantagem reprodutiva, os escorpiões amarelos estão envolvidos na maioria dos acidentes domésticos. Por isso, o biólogo alerta para alguns cuidados.
Eles sempre têm preferências por ambientes úmidos, ricos em material orgânico em decomposição, pois isso acaba atraindo animais detritívoros que são alimentos fáceis para eles. Mas isso não impede que eles também sejam encontrados em calçados e frestas
(professor de biologia Rodrigo Basílio).
Cuidados com os bichos
O professor explica que para evitar o surgimento dos escorpiões é necessário manter o quintal limpo e livre de esconderijos possíveis aos aracnídeos. “Vale salientar que eles também podem aparecer em ralos e esgotos domésticos por conta da abundância de comida para eles”, alerta.
Sobre as picadas, Basílio diz que apesar de extremamente dolorosas, nem todo mundo tem problemas sérios com as ocorrências.
Mas existem pessoas que possuem sensibilidade por conta do veneno, que pode causar quadros de alergia e até morte. O certo é que qualquer pessoa que seja picada procure o atendimento médico imediatamente
(professor de biologia Rodrigo Basílio).
Em 2022 o DF registrou um caso de morte por picada de escorpião depois de uma criança de dois anos ser picada pelo aracnídeo. Ela chegou a ser levada para o hospital e fez uso de soroterapia, mas apresentou complicações sistêmicas e não resistiu.
O que fazer ao encontrar um escorpião?
O biólogo explica que o melhor é evitar o contato direto. “A captura não deve ser feita por pessoas que não tenham experiência no manejo de escorpiões. As pessoas geralmente também colocam em recipientes com álcool, o que pode ser perigoso uma vez que os escorpiões usam como defesa se fingirem de mortos”, pontua.
Basílio orienta que o ideal é prestar atenção na locomoção do escorpião para certificar que ele não vá se esconder e chamar um serviço especializado no combate a essas pragas. “Matar pode ser uma solução na hora, mas onde tem um pode ter vários”, alerta.
Caso seja picado, a recomendação da Secretaria de Saúde do DF é buscar o atendimento médico imediatamente. A pasta orienta que o local seja lavado com água e sabão para remover sujeira (sem nenhum uso de outra substâncias, como borra de café e álcool). “Eleve o membro afetado a fim de evitar que o veneno se espalhe mais rapidamente e procure atendimento médico imediatamente”, observa.
A pasta explica que não é necessário levar o escorpião para o atendimento médico, mas é fundamental informar ao profissional de saúde o máximo de características possíveis, como cor e tamanho do escorpião.
Para ataque de escorpião, aranha, lagarta e lacraia, os números para contato com a Vigilância Ambiental são o 160 ou pelo e-mail
gevapac.dival@gmail.com
, no qual pode ser feito agendamento da inspeção. “Após o agendamento, uma equipe é enviada à residência que faz a coleta dos animais existentes, com busca em caixas de esgoto, entulhos e outros locais”, informa.
A Secretaria de Saúde explica que a equipe ajuda a identificar as condições ambientais que favorecem a presença de escorpiões. “Escorpiões são animais noturnos que não regulam a própria temperatura. Nos meses mais frios costumam diminuir seu metabolismo, ficando menos ativos. Por isso, os acidentes causados por escorpiões costumam aumentar nos meses mais quentes, o que varia dependendo de cada região”, detalham.
Cuidados
No DF, as unidades de saúde referência para tratamento de picadas de escorpião são o Hmib (Hospital Materno Infantil de Brasília) e dez hospitais regionais: Guará, Brazlândia, Paranoá, Ceilândia, Gama, Santa Maria, Planaltina, Sobradinho, Taguatinga e Asa Norte.
A capital do país também conta com o CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica), que está em operação desde 2004. O centro atua na prevenção e no tratamento de emergências toxicológicas e acidentes com animais peçonhentos. Em 2024, foram realizados 484 atendimentos, sendo 91 deles com escorpiões.
Como entrar em contato com o CIATox-DF:
0800 644 6774;
0800 722 6001; e
(61) 9 9288-9358.