Pretendendo explorar leopardo, elefante, rinoceronte, leão e búfalo, o Safari “Mama África” anunciado pelo prefeito de Andradina, Mário Celso Lopes na quinta-feira (16/02), não é permitido pela legislação brasileira, segundo informações do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), responsável pela autorização e fiscalização de criadouros de animais.
Usando o canal de divulgação oficial da Prefeitura de Andradina, a proposta do prefeito seria de “proporcionar a experiência única de um contato com animais da fauna africana soltos em diferentes biomas. Os turistas poderão ver animais em ambiente natural na segurança de um transporte que os levará bem perto, incluindo o “Big Five”, os cinco grandes animais africanos, o leopardo, elefante, rinoceronte, leão e búfalo, que eram considerados os animais mais difíceis de serem caçados na África”.
Muitos animais objeto da ganância para fins comerciais, figuram na lista correndo risco de extinção, dentre eles os 5 maiores do continente africano. “Hoje, esses animais se transformaram nas estrelas mais fotografadas pelos turistas nos safáris mundo afora e até mesmo na África os passeios são direcionados para a observação dos cinco grandes”, explicou o prefeito. Porém a ambição de Mário Celso esbarra na legislação brasileira que não permite este tipo de empreendimento.
Nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Ibama para obter informações se o safari pretendido por Mário Celso é permitido pela legislação. Na manhã desta sexta-feira (24/02), o órgão ambiental informou que – “Não é permitida a criação de fauna com esta finalidade”.
Segundo o Ibama, o uso de animais para finalidade na modalidade de safari é proibido e a importação é acompanhada pelo órgão – “Este tipo de atividade (para fins turísticos) não é autorizada no Brasil. A importação de fauna deve ser autorizada pelo Ibama, conforme portaria nº 93/1998 do Instituto. A norma dispõe sobre as espécies proibidas e as condições para importação de espécimes da fauna, conforme finalidade”.
Mário Celso tenta passar a informação que a implementação do empreendimento considerado ilegal pelo Ibama, trará prosperidade para a região, mas quem de fato se beneficia com tal exploração desse comércio turístico é próprio proprietário, que abocanha todos os tipos de comércios e lucros com as iniciativas.
No anúncio, Mário Celso Lopes convidou o prefeito de Murutinga do Sul e presidente do Ciensp, Cristiano Eleutério como se o empreendimento distante 5 km da sede do vizinho município, fosse gerar algum tipo de benefício direto para a população do município limítrofe. Na prática, o prefeito de Andradina que perdeu a presidência da associação dos municípios, pretende “abraçar” alguém de destaque regional e maior prestígio político para ajudar a difundir o empreendimento, não permitido pela legislação nacional.
Outros empreendimentos de familiares de Mário Celso, além de consolidados, ainda contam com isenções tributárias do erário municipal e também não alavancou a economia de municípios da região pós inauguração do parque aquático. Resta saber se os animais que poderão ser utilizados no safari de Mário Celso, como leões, leopardos, rinocerontes, elefantes serão nos moldes dos robôs dinossauros comprados para o parque aquático ou alguns “outdoors” esparramados em meio a vegetação para serem fotografados.
O leopardo livremente em seu habitat necessita em média de área média de 40 mil quilômetros quadrados. Já os elefantes se movimentam em média de 20h diárias, e ocupam área territorial por bandos de até 11 mil quilômetros quadrados, além de ingerir em média 200 kg de alimentos e 100 litros de água por dia.
Reflexão
O anúncio do safari, também gerou postagem da professora da UFMS (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul) e andradinense, Mariana Esteves, que usou sua rede social na sexta-feira (17/02), postando reflexão sobre a iniciativa exploratória de animais do outro lado do Oceano Atlântico.
