Depois de uma semana da invasão do bairro Olga Benário pela FNL (Frente Nacional de Lutas), representantes da Associação Moradia Para Todos resolveram quebrar o silêncio. Valdomiro Neri, representante da associação afirmou que o grupo luta há 12 anos pela área e agora tem que dividir o espaço com a FNL.
“Em primeiro lugar a gente não é contra o movimento deles só não concordamos com algumas ideias. Nós temos um acordo com a prefeita que até pediu para retirar os barracos que iriam atrapalhar as máquinas a fazer as ruas e isso já faz um ano e meio. A FNL chegou falando de nos dar apoio, mas era aceitar ou aceitar, não tivemos opção”, salienta.
O grupo afirma que depois da chegada da FNL eles já tentaram fazer três reuniões com a prefeita e ela não atende ao pedido. “Estamos aguardando uma resposta dela de quem vai resolver essa situação é a prefeita, assim que ela tiver disposição para atender gente vai ver o que ela tem para dizer”, disse..
No local dois grupos estão divididos. A FNL quer montar acampamento na área e a Associação prefere respeitar o acordo prévio com a prefeita.
“Nos últimos anos tivemos mais de 30 reuniões com a prefeita e sempre ela prometendo uma coisa, uma quantidade de terrenos a gente quer uma posição dela na última reunião agora ela disse que não tinha verba para fazer as ruas. Estamos aguardando o prazo dela encerra agora no fim do ano”, lembra o representante.
O fundo social de Castilho cadastrou 180 famílias ligadas á associação e mais de 60 ficaram de fora. “Alegaram que teve documentos perdidos, teve até um áudio da Lilian Nascimento falando que os documentos estavam no Fundo Social guardados. Outras pessoas alegam que entregaram a documentação na mão da “Margarida” e a própria nega. E a gente segue nesse impasse. Sempre preferimos o diálogo. Nunca quebramos nada. Nunca teve baderna. Mas nunca fomos ouvidos também”, finalizou.
Posição da FNL
“Primeiro nós estamos cumprindo um calendário nacional de ocupação de todo o território nacional campo e cidade ou FNL não é só campo é cidade também, segundo nós propomos que eles descessem e fizessem os barracos nós não estamos aqui dividindo área com ninguém. Nós viemos para a cidade pra reforçar o movimento de moradia para o executivo pudesse dar uma atenção maior, não tivemos um entendimento. O nosso modo de fazer luta é diferente deles. Eles derrubam os barracos e recuam. Nós não recuamos, colocamos mais. Uma terra pra você fazer luta é preciso estar sobre ela. Pro lado de fora você não faz luta. Por isso a nossa maneira de lutar é diferente do pessoal da moradia. Nós estamos aqui pelo município de Castilho, pelo grupo de moradia. Reivindicando a área junto ao executivo eu tenho a absoluta certeza que com a democracia com respeito a gente vai conseguir chegar em um denominador comum em relação a esses terrenos que estão aqui e podem favorecer muitas famílias. A previsão nossa é não sair, é se reintegrar vamos defender a luta, se o executivo for reintegrar vamos defender a luta, nós não viemos para sair. Não viemos tomar luta de ninguém. Nós deveríamos se unir pra fazer acontecer na vida dos menos favorecidos e não aconteceu. Então sair daqui está fora de cogitação”, afirmou Lucimar.
Contradição
Valdomiro depois de ouvir as declarações da FNL, falou de contradição na fala dos integrantes do grupo. “Há um pouco de contradição na fala da representante, porque ela fala que a luta é pra nós. E sabemos que tem um pessoal que vem aqui fazer o cadastro de sem moradia e sabemos que a prefeitura já fez uns quatros cadastros, para o Nova Iorque, do Trovão Azul, do Laranjeiras, fez do município todo. Nós não concordamos com a montagem dos barracos e eles podem ficar aqui, ficar em outras áreas da prefeitura, nós não somos os donos então vamos aguardar a resposta da prefeita”.
Lucimar nega que membros da FNL estejam interessados na terra.