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Tamiko Inoue, uma vida de desafios e vitórias

Mesmo antes de vencer as eleições enfrentar o desafio de governar a maior cidade da região e ainda manter uma administração ativa frente a todas as dificuldades do País, Tamiko Inoue já encantava com sua história de cordialidade, simplicidade e coragem.

Edição 100 - Flávia Gomes - Andradina
10/03/20 às 15h34
(reprodução)

Ela foi uma das secretárias municipais, na pasta da Educação, que permaneceram no mesmo local desde o primeiro dia do primeiro mandato. Tamiko Inoue ficou frente à Educação por sete anos e meio e só se afastou para a disputa à prefeito de Andradina.

“Abracei a causa de corpo e alma, procurando dedicar-me para fazer a transformação e melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem em Andradina. Sabia que não seria fácil, mas também não temi o que viria pela frente.  Fui bem acolhida e recebida pela rede e estudei para aprender e acompanhar tudo que tinha que ser feito”, lembra.

Em meio a todos esses desafios e transformações, Tamiko enfrentou uma grande provação, a luta com um câncer nos ovários e intestino, manifestado no início de seu trabalho na educação. “Até a descoberta foi um milagre de Deus, por que eu não tinha sintoma nenhum. Quando percebi alguma coisa diferente e fiz um exame já era grande, estava com 17cm por 19cm por 12cm. Eu fiquei assustada porque ia ao médico todos os anos. Fiz outro exame e depois foi confirmado que era um tumor, mas não sabia se era maligno ou benigno e fui encaminhada a um centro especializado, pois teria que ser operada”, conta.

A professora passou por uma cirurgia grande em 2009 no Hospital A.C. Camargo em São Paulo, e depois foi submetida a quimioterapia durante seis meses. Foi difícil o tratamento. Sentia muitas dores, tinha muita náusea e ficou bem mais magra. Depois sacudiu a poeira e voltou ao trabalho. Não foi a toa que foi a escolhida para a sucessão municipal em 2016 para substituir o ex-prefeito Jamil Ono e a tudo tem enfrentado com coragem e devoção.

CONQUISTAS

Muitas foram às conquistas dentro do Governo de Andradina, mas destacam-se a sua capacidade de gerenciar e manter a cidade em crescimento. Tanto que Andradina vem sendo a cidade que mais gera emprego na região. Fez os investimentos em infraestrutura, reformou escolas, climatizou salas de aula, fez unidade de saúde e estendeu o atendimento até as 20h, implantou o ônibus lilás para a saúde da mulher, espera entregar a piscina olímpica neste ano assim como concluir a pavimentação de Andradina à Paranápolis e deixar Andradina preparada para seu futuro turístico.

(foto: Cleber Carvalho)

ORIGEM

Nascida em uma comunidade rural em Birigui (SP), ela chegou em Andradina ainda criança para se instalar no bairro de Planalto, em 1950. Filha do imigrante japonês Shinji Inoue e Tikae Inoue, ela é a mais velha de seis irmãos, três homens e três mulheres.

Na propriedade da família Inoue, a vida na lavoura era dividida entre avós paternos, pais, tios e tias ainda solteiros. A família buscava escrever o seu futuro e apostava no trabalho conjunto com o plantio de culturas como o arroz, algodão, milho, amendoim, feijão e administravam uma pequena empresa de beneficiamento e polimento de arroz com produção de farelo para ração animal. Na década de 60 passaram para o ramo de avicultura e chegaram a produzir 100 mil ovos por dia.

Ela estudou em escola pública. O início foi muito difícil, pois tinha que praticar o português na escola, pois no seio da família todos usavam a língua japonesa. Determinada, Tamiko já entrou no primeiro ano sabendo ler e escrever. Ela tinha objetivos desde cedo e eles passavam pela Educação. “Tínhamos dentro de nós, todos os sonhos do mundo e por isso nos empenhávamos nos estudos e no trabalho na tentativa de reunir e melhorar as condições materiais e tudo o mais que fosse necessário para a realização dos nossos sonhos”, diz.

No período fora da escola, Tamiko trabalhou duro, aprendeu corte e costura e ainda dirigia uma Perua Rural Willys.

Assim ela seguiu estudando, queria ser professora e concluiu o curso de Licenciatura em Letras pelas Faculdades Integradas Rui Barbosa. Seu pai faleceu meses antes da formatura. A vida mudava e Tamiko seguiu seus planos, mesmo que com mais obrigações.

Ela começou a dar aulas em 1970, em Planalto depois passou em Concurso Público para a Escola Estadual Antonieta Bim Storti de Murutinga do Sul. Ela já havia passado em dois concursos para Diretor de Escola, mas não se motivava a deixar as salas de aula. Em 1989, foi novamente aprovada em mais um concurso para diretora e acabou aceitando a direção da Escola Estadual Sara Beatriz de Freitas, na Terceira Aliança, em Mirandópolis.

Um ano depois, em 1991, Tamiko atendeu a um convite da professora Áurea Calestini Rodrigues Martinho, na época Dirigente de Ensino de Andradina para implantar uma Escola Técnica Agrícola que hoje evoluiu para a ETEC Sebastiana Augusta de Moraes, vinculada ao Centro Paula Souza.

“Estávamos criando uma escola a partir do nada. Não tínhamos prédio e nem se quer uma área para construir a estrutura para iniciar o curso técnico em Agropecuária”, lembra Tamiko.

Das primeiras salas construídas em 1992, até a grande estrutura existente hoje, Tamiko permaneceu ativa frente à escola até julho de 2004. Foram 14 anos na direção da escola até ocupar o cargo de Secretária Municipal de Educação.

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