Ela sempre foi iluminada, além de linda, mas vê-la hoje com sua filha nos braços é radiante.
Estamos falando da jornalista e publicitária Ana Maria Paris que viveu no ano passado uma mistura de sentimentos que a fez crescer ainda mais como ser humano. “Me pergunto quem eu era antes da Ayla, não consigo lembrar”, comenta ela.
Mas, vivenciar a maior alegria de sua vida, o nascimento da Ayla Paris Vilerá foi anestesiar a dor da perda de uma das pessoas importantes para ela, do seu pai Edgard Francisco Paris.
Quem acha que o caminho dessa mulher foi fácil, não conhece bem sua trajetória que tem como marca a luta. E a cada conquista, uma renúncia que a preparam para poder lidar com o momento hoje. Onde, ela não precisou renunciar a nada, para se realizar, unindo assim a maternidade em sua plenitude com a ascensão profissional.
Ana Paris, atualmente apresentadora do SRCTV, e gerente de marketing da OSS, casada com Fernando Vilerá, sempre soube que queria ser mãe. Depois de cinco anos juntos havia chegado a hora de a família aumentar. Por dois anos, Ana tentou e se frustrou. Chegou a pensar que jamais conseguiria engravidar. “Foram anos tensos, eu estava entrando em depressão, então planejamos ir embora do País, nós dois com empregos arranjados nos Estados Unidos, tudo estava sendo encaminhado”, conta ela.
Assim, o casal tinha mudado o foco, tiraram a gravidez dos planos e colocaram a mudança para o exterior. Mas, antes de embarcarem nesta nova jornada se permitiram um final de semana na praia. “Passei muito mal em uma noite, na farmácia falaram que era uma virose. A viagem de volta foi um tormento, enjoada, passando mal mesmo, mas jamais pensei que pudesse ser gravidez”, relembra ela. Na semana, sem melhorar, Ana foi comprar remédio e acabou pegando teste de gravidez de farmácia. “Já era normal comprar teste de farmácia, tinha feitos vários testes sem o Fernando saber, sempre ficava frustrada, mas quando fiz esse vi que tinha os dois tracinhos, só lembro-me de ter gritado de tanta emoção, nem tive chance de fazer alguma surpresa pro Fernando, pois ele veio saber o que era e, naquele momento, choramos de alegria”. Mas, ela ainda não acreditava, pois esses exames não são 100%. Só quando viu a palavra positivo no teste de laboratório que Ana percebeu que não mais se mudaria do País, mas sim realizaria um dos maiores desejos de sua vida: o de ser mãe.
“Quando vi a palavra positivo parece que meu mundo que estava negro, coloriu de uma forma tão linda, voltei a sorrir e meu olho voltou a brilhar, voltei a ser a Ana que as pessoas tanto gostam, aquela Ana que trazia alegria por onde passava”, revela. A felicidade era tanta que Ana preparou uma surpresa para cada familiar para dar a notícia. “Era algo que a nossa família toda estava esperando”. Tudo estava maravilhoso, até a pandemia não atrapalhou as comemorações, pois a criatividade de Ana fez com que todos participassem de sua gestação, criado inclusive um diário digital. “Meu pai tinha uma gráfica, desde que eu me entendo por gente trabalhava com ele, desenvolvendo artes, slogans, toda essa parte criativa da propaganda é um legado muito lindo que meu pai me deixou”.
Mas, então, com 38 semanas de gravidez, Ana sofreu um dos golpes mais duros que o destino poderia dar: a perda do seu pai. “Me lembro exatamente tudo do dia, a tensão no ar, sentia que todos queriam me proteger, mas eu sabia que eu teria que viver intensamente aquele momento de perda, então mesmo grávida, vivi os piores momentos da minha vida, meu pai sonhava tanto com a netinha, estava radiante e, agora, eu estava ali totalmente devastada”, relembra Ana que desde o nascimento da filha não tinha parado para pensar em como enfrentou tudo isso.
Para ela, além de todo apoio dos familiares, o Dr Adilson Damasceno foi ímpar em cuidar dela naquele momento. “Ele literalmente segurou na minha mão, cuidou da parte física e mental, ao mesmo tempo que a dor me dilacerava, a Ayla me dava uma força inexplicável, ainda é uma batalha violenta dentro de mim”, afirma. Uma dor que a cada dia é amenizada, mas jamais desaparece. Então, Ayla chegou e Ana voltou a sorrir.
E, novos medos surgem a cada etapa que a menina cresce. Ana entendeu que os planejamentos feitos antes dela nascer, não seriam tão bem executados. “Sempre falava, tenho o tempo da licença maternidade, depois volto ao trabalho e vai estar tudo ok, isso antes dela nascer. Quando ela nasceu, comecei a contar os dias que estavam acabando da licença maternidade, eu não queria que acabassem e logo outra guerra interna, eu estava sentindo muita falta da Ana profissional, que acorda, se arruma, se maquia, que precisa estar sempre bem visualmente, pois trabalha com televisão, essa Ana precisava voltar, mas ao mesmo tempo a única coisa que eu queria era ficar com a minha filha o tempo inteiro”, relata. Foi então, que Ana decidiu que mesmo sendo difícil, iria deixar seu exemplo de profissional e mãe para sua pequena. “Acho importante salientar que o Fernando tem um papel fundamental em todo esse processo, pois ele sabe que a Ayla é uma obrigação nossa, assim como eu troco fralda, dou banho, ele também faz, não é uma ajuda, ele sabe a importância de vivenciar também as experiências com a filha. E isso, nos uniu ainda mais, hoje vivenciamos um amor incondicional e eterno. A cada dia me apaixono mais por ele e por nossa família”.
Ela encontrou o lugar ideal para que Ayla pudesse ficar, o Baby House Hotelzinho. “A Ana é um ser humano incrível, deixo minha filha lá em paz e sei que está bem cuidada, ainda hoje é muito difícil, pois sinto culpa em estar deixando ela para trabalhar, mas tem uma coisa que eu estou aprendendo que para uma criança ser feliz a mãe dela tem que ser feliz”, garante. “Não sei se concilio bem os dois papeis, mas tenho a certeza que estou fazendo o que meu coração manda. Todos os dias tenho a certeza de que quero ser exemplo pra Ayla, assim como o meu pai e minha mãe, Izaura, foram e são pra mim”.
