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Candice Mariani Santos Nogueira, Mulher Coração

A nossa capa desta edição das Mulheres é uma mulher que expressa à essência feminina, ela é toda CORAÇÃO.

Flávia Gomes - redação Andradina
02/04/20 às 12h16
“A cardiologia é apaixonante, é muito dinâmica, muito prática: a válvula fecha aqui, a pressão aumenta e aquilo abre... enfim me identifiquei, pois eu também sou muito objetiva e prática”, Candice. (Foto: Cleber Carvalho)

A nossa capa desta edição das Mulheres é uma mulher que expressa à essência feminina, ela é toda CORAÇÃO. Candice Mariani Santos Nogueira seguiu os passos do pai, Dr Jurandy Santos, principalmente na forma leve em que vê a vida. “Mesmo sendo médico cardiologista, meu pai sempre teve uma calma, uma paciência, que me fazia sorrir, pois eu achava muito bonito o jeito humilde dele tratar, principalmente, os mais velhinhos que iam em casa levar carneiro, galinhas, enfim, o que podiam para agradecê-lo. Esta gratidão das pessoas e dele para com as pessoas, me fez enxergar a beleza na área médica”, conta Candice com brilho nos olhos e um sorriso na boca.

Mesmo sem estimular os filhos a serem médicos, Dr Jurandy acabou vendo a filha e o filho Gustavo trilharem o seu caminho. Candice lembra que tinha ficção pela profissão da mãe, a professora Marita. “Se eu não fosse médica, seria professora”, dispara ela. A nossa Mulher Coração entrou na faculdade em 1991, com apenas 17 anos, se formando aos 23 anos, escolhendo a cardiologia como residência médica e, ainda fez mais 2 anos de especialização na ecocardiografia adulta e infantil.

Com certeza, esse sentimento que a permeou por toda sua infância de leveza e gratidão a fizeram se tornar a médica que é, onde tem prazer em estar atendendo os pacientes, vê no cuidado para com eles, o real significado de seu juramento. E, assim, o mundo perdeu uma aventureira... “eu sempre gostei muito de tradução e interpretação de línguas, cheguei a morar em Cambridge, adoro viajar, curto outras culturas”.

Assim como Dr Jurandy foi trazido para Andradina, na época por Tito Sampaio, e Candice veio a pedido do pai, pois só um médico fazia ecocardiografia em Andradina e Birigui, o Dr Hitoshi Nakaguma. “Ainda é somente o Dr Hitoshi e eu que fazemos ecocardiografia na cidade”, conta ela.

A história dessa mulher daria um belo filme. Candice é neta do ex-prefeito Augusto Mariani, que faleceu de câncer durante o mandato, época em que seus pais se conheceram. Aos 16 anos, ela foi morar sozinha em Ribeirão Preto. Cursou faculdade em Presidente Prudente, durante a residência médica em São Paulo, conheceu seu marido, Fábio Nogueira que por ironia do destino era natural de Pereira Barreto. “Fábio dividia apartamento em São Paulo com um primo meu e eu com meu irmão, e no Carnaval na praia de 1998 começamos a namorar”, revela ela que é prova viva de que o amor de praia sobe serra.

Já noiva de Fábio e ele, médico veterinário já estabilizado na capital, Candice sucumbe aos pedidos do pai e vem para Andradina. “Meu pai me convenceu de que a demanda reprimida na cidade para eco era muito grande, e ainda é, hoje sou eu tentando trazer outro cardiologista pra cá”, brinca ela.

(Foto: Cleber Carvalho)

Assim, Candice e Fábio vieram para mais perto de sua família e aqui, constituíram a sua. No nascimento da primogênita, Pietra, hoje com 15 anos, Candice teve uma das maiores provas de fé e luta de toda sua vida. “Eu aprendi muito com o nascimento da nossa filha, foi um grande marco. A Pietra nasceu prematura, com um quilo, ficou 33 dias entre a vida e a morte. E ali, eu vi muita gente serena e vi que se eu tivesse o estado de espírito em paz nada mais iria me abalar”, afirma. Toda aquela paz que Candice sentia na UTI infantil quando fez sua residência e especialização, a prepararam para o momento que teve que deixar de ser médica para estar como mãe. “Foi um grande marco o que vivi com a chegada da Pietra, mas só vejo as coisas boas de tudo o que nos aconteceu”. Mesmo assim, com todas as marcas de ter tido a filha na UTI, Candice sacudiu a poeira e foi ser feliz com sua família, agora, completa com o caçula nos braços. “O nascimento do Fabinho foi completamente diferente, pude sentir emoções únicas e que me mostraram que a vida é um eterno aprendizado”, assegura.

Com tudo isso, Candice não abre mãe do tempo com a família. “Eu aprendi muito com meus pacientes e com meu pai, de não ter remorso. Baseio muito a minha vida nisso, tento conciliar tudo, meu trabalho e minha família, levo meus filhos pra escola, almoçamos juntos, isso, a ecocardiografia me dá, pois não tem emergência, tudo é com hora marcada, assim, posso cuidar bem de todas as minhas paixões: meus pais, marido, filhos e meu trabalho”.

Além disso, Candice implantou na cidade, há dois anos, o varal solidário. Ela viu em outras cidades e acabou propondo a instalação desse projeto na cidade. “Assumi a linha de frente para esta ação e foi muito gratificante”, conta ela que saiu em 21 de junho de 2018 pelas ruas com colocando os varais solidários. “Digo que os postes nos escolheram, pois não tinha ideia de que cada um tem uma circunferência, então, o que cabia, a gente pregava”, revela em tom de alegria. Assim, durante o frio, os cidadãos penduram roupas ou cobertas para aqueles que não têm possam se esquentar. Ela é assim, intensa em tudo que faz e com certeza se não tivesse criado raízes em Andradina iria ser uma médica sem fronteira e a cidade não teria esse sorriso que ilumina todos a sua volta.

“Cuido da minha alimentação e pratico exercícios, amo correr, coloco meu fone no ouvido e vou escutando minhas músicas, isso me dá uma paz e uma alegria que não tem preço. Isso faz com que eu tenha o coração saudável”, Candice. (Cleber Carvalho)
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