“Você se cansou com todo os seus caminhos, mas não quis dizer: Não há esperança. Você recuperou as forças, e por isso não esmoreceu” (Isaías 57:10 – Bíblia Presente Diário).
Centésima revista, parece que foi ontem que conheci a Flávia , grávida da Gabi , e que algumas vezes, ajudei embalando a menina, enquanto ela trabalhava, e não podia parar com o escrito!
A vida de quem escreve, seja notícia, recado, artigos, crônicas, vive de inspiração, ainda que seja momentânea, ou esteja sendo cultivada nos escaninhos da consciência, sendo alimentada como um feto. Cada dia, um pensamento, um fato, um dito e assim caminha a vida do escritor, repórter ou simplesmente um curioso que almeja desvendar os intrincados caminhos da conversa, do bate papo e até da fofoca, não pode parar para não perder o fio da meada. É frustrante perder uma boa frase, um conceito, uma opinião que embasaria tudo a ser escrito!
Isto se revela como o cansaço duplo: mente e corpo, este se recupera mais rápido que aquela, pois algumas horas de sono ou certos cochilos após o almoço e, toca em frente. A mente necessita ser arejada, com boa leitura, com um filme, com algo que traga colorido ao modo de pensar. Organizar uma revista requer muito trabalho, seleção de material, disposição visual, revisão do escrito, pois a língua portuguesa é pródiga em “armadilhas”, tanto na gramática, quanto na exposição da frase. Uma vez em São Paulo, escrevi a um periódico e perguntei o porquê havia tantos erros na língua pátria exarados no jornal, e a resposta foi: O jornal é um comunicador, não um professor de português! Até hoje não consegui entender; ou melhor tal resposta explica porque somos péssimos em nos comunicar. Deixando tais coisas para trás, sigamos em frente. Se não participei das cem edições, creio que pelo menos em noventa, rabisquei meus pensamentos, e sou muito grato em fazer parte da equipe da Fala! Como disse que a montagem de uma revista requer muito cuidado e atenção, isto causa um desgaste muito grande, às vezes, é preciso lutar contra a gente mesmo, pois a vontade é largar tudo, e procurar algo diferente para trabalhar. Nesta minha vida de trabalho desempenhei muitas funções e, convivi com gente de toda espécie; desde brilhantes desenhistas de publicidade aos inspirados editores nas agências de publicidade que trabalhei quando tinha 15 anos. Vi muitos deles, ficarem na sala de desenho e, dizerem que enquanto não encontrassem o caminho, o jeito certo, não arredariam o pé dali! Certa manhã ao chegar ao local de trabalho, notei a luz da sala acesa, e perguntei ao editor: Chegou mais cedo? Não, estou aqui desde que vocês foram para suas casas! Não consegui dada a juventude entender o porquê. Lembro de ter lido em um livro que alguns pastores de uma igreja, líderes da denominação, foram ao norte da África encontrar um dos seus missionários, brilhante homem de conhecimento bíblico, social, ético, etc, e conversando com ele, perguntaram como ia a igreja naquele país, que apesar de muçulmano, permitia que o cristianismo fosse propagado. Ele disse: Vamos indo. A quanto tempo você está aqui? Uns dez anos...quantos convertidos tem a sua igreja? Cinco! E por que você está aqui? Porque Deus me pôs aqui! Aqui está o cerne da vocação, há algo que jamais será compreendido por aquele que não tem em si, o ideal. O que eu quero encontrar, o que quero levar até o fim?
Às bananas o cansaço, alguns dizem isso e vão combatendo com café, coca cola ou outras coisas, mas não desistem. “Há homens (e mulheres) que lutam um dia, e são bons; há outros que lutam um ano, e são melhores; há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons. Porém, há os que lutam toda a vida; estes são indispensáveis”. Incluí mulheres, porque elas são duras na queda quando colocam um ideal em seu horizonte elas o buscarão sem descansar. Parabéns, Flávia , Hugo e Mariana e aos colaboradores por esse marco jornalístico de uma revista que tem sobrevivido apesar de muitos entraves, que tem sido vencidos, pela tenacidade com que enfrentam as batalhas. Quando perguntarem pelo cansaço, respondam: Isto é ideal. Abraços.