A mulher no decorrer dos últimos séculos obteve grandes conquistas a partir do movimento feminista, em seus três grandes momentos. O primeiro foi motivado pelas reivindicações por direitos democráticos, como o direito ao voto, divórcio, educação e trabalho, ocorrido no fim do século XIX. O segundo, no fim da década de 1960, foi marcado pela liberação sexual, impulsionado pelo aumento dos contraceptivos. Já o terceiro começou a ser construído no fim dos anos 70, com a luta de caráter sindical.
Atualmente, existem mulheres atuando em todas as áreas profissionais. Desde Primeira Ministra a Presidente da República.
Antes, ela era criada para servir ao sexo masculino, ocupava uma posição inferior, preocupando-se todo o tempo em agradá-lo. Suas atividades eram exclusivamente domésticas.
Ao longo de toda a história, sempre foi muito reprimida e subestimada. Por séculos impedida de frequentar escolas e bibliotecas, sob a pena de serem castigadas e até mesmo excluídas da comunidade caso persistissem com este desejo. Esta prática ainda permanece em alguns países.
Hoje conhecemos do que ela é capaz! Mas, ainda percebemos, em nossa sociedade, o quanto ela está mergulhada em pensamentos machistas.
Em muitos casos, trabalha tanto quanto o homem, mas continua sendo-lhe atribuídas as tarefas domesticas e o cuidado com os filhos. Ocasionalmente os maridos “ajudam” um pouco. Se ajudam é porque não é também dever deles, não é mesmo?
Penso que conseguiu muito, mas ainda falta-lhe um longo caminho a percorrer. Ela tem o direito de realizar-se profissionalmente, tem muito mais liberdade em suas escolhas, mas, infelizmente e frequentemente, continua criando os filhos com pensamentos machistas que sempre lhe foram prejudicial.
Entendo que muitos casais vivam bem desta maneira, em harmonia, mas penso que não podemos perpetuar esta repressão e desigualdade para as próximas gerações. A mulher precisa contribuir para que esta igualdade realmente venha a existir, e ir rompendo com este machismo que faz parte de nossa educação há séculos.
Para alcançar isto, deva criar de forma generosa e libertadora seus meninos e meninas. Pois o machismo, nos tempos de hoje em nosso país, aparece a todo tempo, principalmente nas cidades do interior.
Por que, em pleno século XXI, com a maior igualdade entre os gêneros, a menina faz trabalhos domésticos e o menino não? Por que a namorada do filho pode dormir em casa e o namorado da filha não? Por que a menina que pede para ficar com um menino é “mal falada “e o menino não? “Ele está aproveitando a juventude” e ela é “assanhada”. Alguma coisa aí não bate.
Penso que mulher deve criar tanto sua filha quanto seu filho em igualdade dos direitos e deveres. No entanto, observo que a mulher continua criando a filha para agradar ao homem, e criando o menino para exigir esta desigualdade em relação a mulher. Quando cobra de sua filha que ela tenha todos os deveres do menino; sair-se bem na escola, fazer aulas de línguas, ir para universidade e ser uma ótima profissional e independe.
Mas não lhe permite adiantar-se; pedir um menino em namoro ou um rapaz em casamento, ainda conferindo-lhe as tarefas domésticas: lavar, passar, limpar e organizar a casa, e cuidar das crianças, tendo uma “ajudazinha” ocasional do marido. E quando poupa o menino dos afazeres domésticos, ou quando lhe diz que uma garota é fácil porque é namoradeira e que ele deve namorar uma menina que não seja “rodada”. Com tudo isso a mulher colabora para a perpetuação do machismo, pois é ela a encarregada de educar os filhos.
Isto tudo é contraditório, e vejo que as meninas que estão vindo aí não aceitarão mais estas condições, e os meninos, se continuarem a ser criados com tanto machismo, se sentirão ainda mais perdidos. As princesas de hoje são as “Elzas” (do filme Frozen) e” Moanas” (do filme Moana) da vida. Princesas que correm atrás de seus objetivos e conquistas. Não como antes, que esperavam um príncipe encantado que as salvariam e viveriam felizes para sempre. As princesas de hoje não precisam de salvadores e a figura masculina vem para ajuda-las.
Na educação machista a mulher figura como substituta da mãe, e o homem continua sendo cuidado por ela, mas a mulher também ocupa o lugar de dependente (filha) do marido e continua sendo mantida por ele. Penso que nos dias de hoje isso não cabe mais. Com as conquistas femininas nos últimos séculos, o casal caminha junto e divide as tarefas, um ajudando o outro, mas desconstruindo este modelo de dependência e substituindo-o por um modelo mais independente e de maior igualdade e complementação. Isso tudo mesmo nas famílias onde existe apenas um provedor.
Na criação, o sexo masculino deve ajudar em casa tanto quanto o feminino, devendo respeitar a garota que se declara a ele. Devendo enxergar a amiguinha como uma igual, se ele tem direito de ficar com todas, porque ela não tem? Não estou fazendo uma apologia ao beijar todos mundo, até porque entendo esta necessidade como sintoma que deve ser observado e cuidado (tanto no menino quanto na menina). Mas penso que a mulher não pode continuar perpetuando este machismo que sempre fez tão mal a ela.
Não existe cor de menino e de menina. Não existe brinquedo de menino e menina. Nem tarefas de menino e menina. Em alguns países do primeiro mundo, a criança aprende na escola: costurar, a cozinhar, a limpar o ambiente, lidar com marcenaria, mecânica etc e ninguém se sente menos menino ou menina por isso.
Esperemos que tanto nas escolas quanto nos lares, esta forma de educar e de enxergar nossas crianças e adolescentes mude para que alcancemos a maturidade de ambos os sexos, usufruindo de igualdade e maior harmonia.
Lucia H Spazzapan
Psicóloga clinica
Especialista em psicoterapia psicanalítica pela Univem/ Nucleo de Psicanalise de Marilia
Formação Psicanalítica:
CepCamp (Campinas)
Atualizações Psicanalíticas:
NEPA (Araçatuba)
Espaço Psicanalítico (S.J. do Rio Preto)
Instituto Armando Ferrari- Roma- Itália
Atualização com Antonino Ferro, Pavia - Itália
Psicoterapeuta clínica de criança, adolescente, adultos e casal
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