Polícia

Julgamento do feminicídio de Vanessa termina com condenação de 34 anos e 9 meses

A sentença encerra tarde de forte comoção no Fórum de Andradina

H+ Andradina 
10/12/25 às 19h49

O julgamento de E.R.S.R., acusado de matar Vanessa em 2024 — o primeiro feminicídio registrado naquele ano em Andradina — chegou no início da noite desta quarta-feira (10) com a condenação do réu a 34 anos e 9 meses de prisão em regime fechado. A sentença foi anunciada após horas de debates intensos no Tribunal do Júri, que registrou momentos de grande tensão e mobilização popular.

Desde o início da sessão, o clima no Fórum de Andradina era de apreensão. Familiares e amigos da vítima acompanharam atentamente cada etapa do julgamento. No entanto, pouco antes do início das alegações finais da defesa, a família de Vanessa foi retirada do plenário. A determinação partiu da equipe responsável pela segurança e pela condução da sessão, após a irmã da vítima demonstrar forte comoção diante dos detalhes apresentados pelos envolvidos no caso.

Visivelmente abalados, os familiares permaneceram do lado de fora do prédio do fórum.

 

A decisão

Após as argumentações da defesa e da acusação, o Conselho de Sentença reconheceu o crime como homicídio qualificado por feminicídio, agravado pela motivação de gênero. Com base nisso, o juiz fixou a pena do réu em 34 anos e 9 meses de reclusão, a ser cumprida inicialmente em regime fechado.

 

O crime

O feminicídio de Vanessa, então com 24 anos, ocorreu no bairro Quinta das Castanheiras. Segundo o Boletim de Ocorrência registrado na época, ela havia sido agredida pelo ex-amásio, E.R.S.R., conseguindo fugir da residência onde a violência aconteceu. Ferida e desorientada, buscou ajuda na casa de uma sobrinha, que acionou o resgate por volta das 3h da madrugada. Vanessa foi levada à UPA de Andradina.

A família relata que, apesar dos sinais de possível hemorragia cerebral, o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento foi insuficiente. Um dos médicos recomendou a internação, mas ela acabou liberada por outro plantonista. Vanessa acabou morrendo na casa da mãe.

O caso de Vanessa permanece como símbolo da luta contra a violência doméstica e pela melhoria no atendimento às mulheres em situação de risco. A sentença, embora traga um desfecho jurídico, não apaga a dor dos familiares, que agora buscam transformar o sofrimento em voz ativa contra a repetição de tragédias como esta.

A condenação encerra um julgamento marcado por dor, mobilização e pela reafirmação da gravidade do feminicídio — crime que segue deixando marcas profundas na sociedade.

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