Filho de político, Flávio Amorim sempre gostou de ver as pessoas falarem em palanques. Pessoas como Jânio Quadros, época em que seu pai era vereador em Guaraçaí e Flávio o acompanhava. Chegou em Andradina em 1988, após ter desistido de participar das eleições a prefeito de Tucuruí. “Cheguei aqui na época em que o Edmon e o Orensy tinham brigado e o Mauro Brito foi eleito”, lembra Flávio que sempre ouviu as conversas dos amigos Edmon, Orensy e Deusdethe, acabando se envolvendo na política andradinense. Participou das primeiras eleições de 1996, sendo eleito vereador e se reelegendo. Depois, se tornou vice-prefeito na Administração do Ernesto Silva. Depois foi candidato a vice novamente, mas de Marcos Pilla. E, nas últimas eleições a prefeito, ficou em segundo lugar a prefeito com 4.867 votos. “Com apenas dois cabos eleitorais, recursos pequeninos e tendo a calçada junto com o povo de palanque”, lembra.
Com 30 anos de profissão na medicina, Flávio Amorim conhece bem as necessidades de bairros urbanos, como Benfica, Vila Mineira e rurais como Planalto, Paranápolis, Belo Monte, Fazenda Progresso.
No último ano, Flávio sofreu o maior golpe de sua vida: a perda da esposa, a professora Célia. “O que aconteceu com a gente abalou muito a minha família, pois quando perdemos uma pessoa por acidente ou por doença é uma coisa, mas quando você perde uma pessoa porque alguém resolveu que a vida daquela pessoa lhe pertence e tira a vida dela, aí é muito difícil”, conta. Com a perda de uma das maiores incentivadoras de Flávio na política, ele até pensou em desistir, mas se lembrou das ideias da esposa em mudar Andradina. “Ela queria creche para todas as crianças, o que mais revoltava ela era crianças não terem um espaço seguro para as mães poderem trabalhar. Andradina uma cidade que já não tem emprego, e quando a mãe arrumava não podia trabalhar”, lembra ele. “Outra coisa que ela falava muito era medicação para famílias carentes, é uma coisa que eu também pretendo melhorar, é um absurdo só ter direito a pegar remédio na rede pública se a receita for do PAM, tem cadastro, só puxar o histórico, temos que aprender que o paciente que precisa do remédio não pode ser limitado pela receita, sem contar que nos finais de semana não tem como pegar medicamentos na rede municipal, isso tem que mudar”, explica.
Nas últimas eleições, entre suas propostas estavam levar a farmácia municipal para o PAM e trazer o Hospital da Mulher para Andradina. “A nossa cidade é um polo regional, não temos e não precisamos enviar nossos pacientes para Araçatuba, temos que trazer reforços para Andradina, como o Hospital da Mulher, e assim reforçar nossa cidade como referência regional”, enfoca ele acrescentando da importância de se trazer também para Andradina uma faculdade. “Uma faculdade é uma indústria, além dela fabricar profissionais, ela vai ter professores que vão trabalhar aqui, é emprego, tem alunos que vem de fora pra deixar suas economias aqui, pois vai morar aqui pra estudar”.
Visão particular
Ele vê o trabalho de um prefeito como o de um médico: uma pessoa que ouve e atende os anseios dos outros. “O médico na realidade ajuda as pessoas, mexe com a vida delas, a pessoa precisa do apoio, do socorro, pois quando chega com o problema não tem outra saída a não ser confiar em você. A Prefeitura é a mesma coisa. Você sendo médico você pode ouvir o paciente e atender, mas a prefeitura você tem que ouvir o povo, se torna um administrar de uma empresa a qual você não é dono, então tem que aplicar os recursos em benefício de toda a população, fazendo o bem ao coletivo”, explica Amorim.
Ele diz que na política o acerto na escolha dos parceiros é determinante para o sucesso. “Não existe estrelas, e sim um administrador que tem seus assessores para ajudar administrar naquilo que propuseram que ele fizesse. Por isso tem que ter uma boa escolha deixando bem claro pra ele que pode ser trocado caso não consiga cumprir com as obrigações. Tem que ter a quantidade suficiente pra tocar o serviço, e não acredito que precise encher a prefeitura para isso”, cita.
Flávio Amorim disse não ter inimizades políticas. “Sou amigo de todos e do mesmo modo que posso me tornar candidato a prefeito, eu também posso ser vice de alguém, tudo pode acontecer. A política muda muito, cada esquina ela pode estar de um jeito”, finaliza.