Política

Eleições 2016: Será Messias?

“Discussões sobre medidas radicais nunca me atraíram. Prefiro o diálogo equilibrado até com quem pensa radicalmente ao contrário”, disse.

Andradina - Hugo Leonardo
24/07/15 às 07h38
(Cleber Carvalho)

Há muito o que conquistar na relação direta entre um município e o Governo Federal. No caso de Andradina ela foi fundamental para uma guinada em relação a cidade em que se tinha, quando o governo do Partido dos Trabalhadores chegou, com a posse do prefeito Jamil Ono em 2009, e a cidade atual, com investimentos milionários além de programas sociais e a vinda de infraestrutura em todas as áreas. Nunca a relação entre poderes tão distintos foi tão próxima quanto no governo atual.

Vale recordar que esse tipo de relação nem sempre foi assim e a cidade de Andradina pouco ouvia falar de investimentos com recursos federais. Foi necessário uma mudança de postura e gastar muita sola de sapato para ter as portas de Brasília aberta para o Governo de Andradina. Neste processo, uma figura fundamental foi a do Secretário de Governo Manoel Messias de Almeida, um dos maiores porta vozes do governo municipal.

Dentro do Governo de Andradina Messias já cumpriu várias funções estratégicas, entre elas a de Chefe de Gabinete, Ouvidor, Coordenador de Assuntos Estratégicos e Secretário de Administração. Messias é testemunha ocular e participativa em todos os eventos que levaram a construção deste governo, responsável por uma mudança radical na cidade.

“Estávamos discutindo um verdadeiro momento de reconstrução de Andradina e haviam várias pessoas e partidos unidos. Aquele grupo que se formava estava disposto a ousar a entrar na disputa porque a discussão central era a construção de uma alternativa para o município, e passava pela construção de um Plano de Governo, e a escolha de alguém para encabeçar e representar esse movimento”, explica Messias.

Messias recorda da união de “verdes” e “vermelhos” na elaboração das ideias, da vinda de Jamil ao grupo e do grande sentimento de união que reuniu pessoas em torno de uma causa maior, já que todos que estavam ali pra ajudar.  “Nosso primeiro objetivo era ter algo na mão para apresentar como alternativa para o município de Andradina. Foi uma disputa humilde, em cima de um caminhão humilde como nós e a gente acabou ganhando as eleições elegendo Jamil e de lá pra cá a gente colocou em prática quase tudo daquilo que nos propusemos, e deu certo, tanto Jamil foi o primeiro prefeito a ser reeleito da história”, cita.

Messias confessa que sempre acreditou na vitória, mas dos planos ao resultado, ele acredita que se está até acima da expectativa. “Se mensurarmos apenas a conquista do ICMS de Três Irmãos, já representa algo histórico para uma cidade, ou seja, o prefeito que vem a sentar no lugar do Jamil, vai ter uma condição fantástica, praticamente com todo asfalto recuperado, com problema de água e esgoto resolvido, com as contas saneadas, mais de R$ 100 milhões de orçamento, fora que o Pac2 que vai levar asfalto a 100% do município e levar galerias de captação de águas a todo mundo”, se entusiasma.

A inspiração

Messias é natural de Andradina e filho do herói brasileiro e grande líder espiritual da cidade Euphosino de Almeida e de Manuela Rocha de Almeida. Ele é o caçula entre sete filhos. Na figura do pai, o grande exemplo, uma pessoa que acompanhou desde que se entende por gente. “Ele era aquela pessoa bastante espirituosa, bastante religioso, sempre se referindo a Deus. É assim que todos se lembram dele. Ele me dizia que quando foi pra guerra (2ª grande guerra) ele rezava todos os dias para o fim do terrível campo de batalha que encontrou na Itália. Mesmo com dúvidas se voltaria vivo, sua fé pedia o fim daquele sofrimento. Quando voltou ao Brasil se converteu ao Kardecismo e de cada dez palavras que dizia oito se referia a Deus. E que Deus era bom, graças a Deus”, lembra Messias.

Na relação com o pai, Messias aprendeu o quanto era necessário ser humilde e pregar o amor e a paz em todos os atos. A casa estava sempre cheia. Pessoas de vários seguimentos da sociedade que o procuravam para uma oração, palavras de conforto e conselhos. “Fossem ricos ou pobres, ele estava ali levando aquela palavra de fé e esperança, fazendo as orações dele e essa é a referência do meu pai que eu tenho. O meu grande exemplo”, cita.

Mesmo jovem o debate de ideias dentro de casa o atraía. Em 1980 Messias começa a ter uma vida mais voltada a questões políticas, sindicais, com sua mudança para Brasília, à trabalho.  Ele saiu de Andradina ao lado do amigo Edval Antônio Arsênio (JA Peças), a quem tem como um irmão. “Desembarcamos em Brasília e fomos morar no apartamento da tia de Edval, Páscoa Morretti, que foi mais que uma mãe para gente. Ela era Funcionária dos Ministérios e praticamente nos ensinou como “andar” em Brasília. Foi um momento muito feliz”, lembra.

A chegada a Brasília, em plena Ditadura Militar, foi um momento de despertar para Messias. “Lembro de ter estado na catedral da cidade em uma missa com a presença do presidente, o General João Batista de Figueiredo, aquele cidadão de perna torta que andava parecendo um peão (risos)”, lembra.

Na época, apesar de estar em sindicatos e de participar de outras ações como a do Movimento Negro Unificado, Messias ainda não era filiado a nenhum partido. Messias só conheceu o Partido dos Trabalhadores quando voltou à Andradina e teve afinidade com as ideias do partido desde então, filiou-se e foi até presidente por dois mandatos, e no segundo deles marcado pela eleição de Jamil. Em sua atuação política Messias é reconhecido por uma postura “não-radical” e 100% inclinada ao diálogo.

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