Já se passaram 100 dias da posse dos vereadores eleitos para a Legislatura 2013/2016. Andradina passou a ter 15 cadeiras, cinco a mais que a Legislatura passada. Todos estão trabalhando em diversas áreas da cidade, inclusive já votaram projetos polêmicos, como a criação das novas secretarias. E, para os vereadores de “primeira viagem” como está sendo o trabalho?
Para responder a esta pergunta, o vereador Marcelo Gimenez falou dos novos desafios em ser o representando do povo. “Estou gostando, é uma atividade bem nova pra mim, pois eu era policial militar, me surpreendo com algumas coisas, como sempre ouvi que a função do vereador é legislar, aí vemos que o poder de legislação do vereador é muito pequeno”, revelou Gimenez. “Eu achava que o campo de atuação para legislar do vereador fosse mais amplo, mas não é. Foi uma surpresa, tudo o que o vereador vai propor praticamente é inconstitucional, pois não pode gerar obrigações ao Executivo. Mas mesmo assim, usamos o instrumento mais comum que é o anteprojeto de lei, tenho tido bastante sucesso o que me deixa satisfeito”.
O anteprojeto é uma proposta, uma sugestão ao Executivo. “O que dará o êxito ao anteprojeto é você defender perante a quem pode decidir e mostrar a importância e a viabilidade dele. O que ajuda é que a administração atual está aberta a inovação”. O primeiro anteprojeto do vereador e que já está em funcionando é o cursinho da Unesp. “São 168 alunos que estão fazendo cursinho totalmente gratuito com professores e material da Unesp”, disse o vereador com os olhos brilhando de satisfação.
Gimenez agora luta por dois novos anteprojetos: obrigatoriedade de identificação de terrenos na cidade para facilitar a fiscalização ou a denúncia, e a colocação de pelo menos um brinquedo para portadores de deficiência física em cada parque público da cidade. “Hoje, a criança cadeirante só pode olhar os amigos brincarem, não podemos aceitar isso, temos que lutar pela acessibilidade e inclusão social”.
O trabalho de vereador é fácil?
“Sempre gostei de política, só me deparei com esta questão do legislar, pois às vezes as pessoas falam que vereador só dá nome a ruas e praças, é que na verdade o único projeto tranquilo que um vereador pode encaminhar é batizar prédios públicos e ruas. A principal atuação do vereador é a fiscalização do Executivo, de ver o porque das coisas, checar denúncias e reclamações. Eu tenho gostado muito do trabalho”.
Assistencialismo
“Isso tem muito, as pessoas acham que é obrigação do político pagar suas contas. Eu tomei uma postura desde a campanha que me fez muito bem, não me rendi e não me comprometi. Eu fugi de promessas, eu tenho compromissos como o do cursinho da Unesp, com os motociclistas. Eu fugi de tudo o que era pedido. Ainda vem muita gente atrás dos vereadores para questões particulares, algumas você vê que é por ignorância, mas outros já são viciadas em pedir. O que fazemos aqui é não deixar de atender, intermediar, mas não ceder a questões particulares”, frisou ele.
Balanço
“O balanço é positivo. O que pretendo intensificar mais é andar pelos bairros, acho que o vereador não pode colocar isso como secundário, tem que ir aos bairros colher as necessidades, sentir o problema junto com as pessoas, sensibiliza mais, ir às unidades de saúde”, explicou.
Já o balanço negativo que Gimenez faz é com relação a falta de planejamento e visão geral da política municipal. “Ainda cada um puxando pra um lado, às vezes todos bem intencionados, mas um atrapalhando o outro. A visão que tenho, e não é utopia, é o caminhar junto do Executivo com o Legislativo. Acho que cada setor deveria sentar com os vereadores e apresentar o plano para que seja buscada a coisa certa. Vou a São Paulo e Brasília e saio pedindo coisas, ao saber os planos do município, os pedidos poderiam ser mais direcionados”.
Para ele, o trabalho de vereador está valendo a pena. “Sempre gostei de política, meu plano era mais pra frente, mas foi a antecipação de algo que queria participar. Na polícia somos muito polidos na política, é proibida a filiação partidária, é uma situação difícil de lidar, mas sempre que possível quando estava na ativa participava da política. Em 100 dias já ter um projeto legal aprovado e funcionando, ter bandeiras importantes como o parque industrial para exportação de produtos. Acho que pelo pouco tempo já deu para ter assunto para trabalhar bastante coisa”, finalizou.