A forma como a administração municipal tem conduzido a realização da ExpoAgro em Andradina voltou ao centro do debate após críticas sobre os valores investidos no evento. O principal ponto de questionamento é o contraste entre o alto custo da edição de 2025 e a possibilidade de um modelo mais econômico e tradicional para os próximos anos.
Segundo dados levantados pelo vereador Leandro Ataíde, a Prefeitura teria investido cerca de R$ 1 milhão na ExpoAgro 2025, que contou com apenas dois dias de shows e não incluiu rodeio — uma das principais atrações históricas do evento.
Para o parlamentar, o valor chama atenção principalmente quando comparado a propostas apresentadas por organizadores de festas de peão. De acordo com ele, com um investimento entre R$ 300 mil e R$ 400 mil seria possível viabilizar uma festa completa com dois dias de shows gratuitos, com rodeio, estrutura adequada e shows de maior alcance, além de parte da programação gratuita.
“A gente precisa discutir a forma como esse dinheiro está sendo aplicado. Com menos da metade desse valor seria possível resgatar uma festa tradicional, que realmente movimenta a cidade”, destacou o vereador durante uso da tribuna.
A crítica ganha ainda mais peso ao considerar o impacto econômico do evento. Comerciantes ouvidos pelo parlamentar relataram que a edição de 2025 ficou abaixo das expectativas, especialmente pela ausência do rodeio, que tradicionalmente atrai público de toda a região.
Setores como lojas de roupas, calçados e salões de beleza, que costumam registrar aumento significativo nas vendas durante grandes festas, não teriam sentido o mesmo reflexo no ano passado.
Para o vereador, a retomada de um modelo semelhante ao da antiga Expoan — com rodeio e atrações de maior apelo popular — poderia não apenas reduzir custos, mas também fortalecer a economia local.
Outro ponto levantado é que cidades vizinhas têm conseguido manter eventos desse tipo com apoio do poder público, atraindo inclusive moradores de Andradina, o que representa perda de consumo e de visibilidade para o município.
A discussão também evidencia uma aparente contradição: ao final da edição de 2025, havia a expectativa de que o evento seguinte fosse mais estruturado e contasse com o retorno do rodeio. No entanto, o planejamento anunciado para 2026 indica novamente a ausência dessa atração.
Diante disso, cresce a pressão para que a administração reveja o formato da festa e avalie alternativas que aliem responsabilidade no uso dos recursos públicos com valorização das tradições e estímulo à economia local.
A expectativa agora é que o debate avance e que as decisões para as próximas edições levem em conta não apenas os custos, mas também os resultados efetivos para a cidade.
