Saúde

Mais um recém-nascido morre em Andradina e reacende debate sobre a saúde

Morte de bebê volta a mobilizar população e cobrança por UTI Neonatal; município apresenta índice de mortalidade infantil superior ao registrado no Estado de São Paulo.

H+ Andradina -
30/08/26 às 11h37

Andradina amanheceu neste domingo (30) marcada pela dor de mais uma família que perdeu um recém-nascido. A manifestação foi publicada nas redes sociais pela vereadora Elaine Vogel, que lamentou a morte e afirmou que continuará lutando pela implantação de uma UTI Neonatal no município.

“Hoje meu domingo amanheceu em luto por mais uma morte de um recém-nascido. Minhas condolências a toda família. Minha luta continuará sempre por uma UTI Neonatal!!”, escreveu.

A morte reacende uma discussão antiga sobre a estrutura da saúde em Andradina, especialmente no atendimento a gestantes, recém-nascidos e pacientes que necessitam de cuidados de maior complexidade.

Os números também chamam atenção. Dados do IBGE, com informações do Ministério da Saúde, apontam que Andradina registrou, em 2023, taxa de mortalidade infantil de 18,05 óbitos para cada mil nascidos vivos. No mesmo período, o Estado de São Paulo registrou 11,2 óbitos por mil nascidos vivos.

Ou seja, o índice de Andradina ficou aproximadamente 61% acima do registrado no Estado.

O dado, isoladamente, não permite afirmar que uma morte específica tenha relação com a falta de UTI Neonatal ou com eventual falha no atendimento. Mas a diferença entre os indicadores levanta uma questão que não pode ser ignorada: por que Andradina apresenta uma mortalidade infantil tão superior à média paulista?

As críticas à saúde municipal acompanham a administração de Mário Celso Lopes desde o primeiro mandato. Reclamações sobre atendimento, estrutura e a necessidade de investimentos na área são recorrentes entre moradores.

Para parte da população, entretanto, pouco mudou. Enquanto o município busca fortalecer sua imagem turística e investir em projetos para transformar Andradina em destino regional, famílias continuam cobrando respostas para problemas básicos e estruturais da saúde.

Turismo e desenvolvimento são importantes, mas a pergunta permanece: de que adianta uma cidade buscar novos visitantes se ainda existem famílias lutando por uma estrutura capaz de oferecer atendimento adequado aos seus recém-nascidos?

A morte de mais uma criança não pode ser apenas mais uma estatística. É uma história, uma família e uma dor que permanecerá.

E diante dos números e das cobranças que se repetem há anos, talvez seja hora de os gestores olharem para essa realidade com a mesma atenção dedicada a outros projetos da cidade.

 

P.S.: O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Andradina, da Secretaria Municipal de Saúde e dos demais citados. O Hoje Mais Andradina está à disposição para publicar esclarecimentos, informações técnicas e as providências adotadas sobre o caso e os índices de mortalidade infantil do município.

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