O governo do Estado anunciou nesta quinta-feira (19), que a avaliação para reclassificação das regiões no Plano São Paulo voltará a ser feita quinzenalmente.
A última atualização foi feita em 9 de outubro, quando avançaram para a Fase Verde a Grande São Paulo e as regiões da Baixada Santista, Campinas, Piracicaba, Sorocaba e Taubaté. As demais, permanecem na Fase Amarela.
Uma nova reclassificação deveria ter sido feita na última segunda-feira (16), dia seguinte às eleições, mas o governo do Estado decidiu prorrogar a quarentena, sem alterar a classificação das regiões.
O argumento foi a necessidade de atualizar os dados, devido a problemas no sistema do governo Federal. Assim, a reclassificação deve ocorrer apenas dia 30, após a votação em segundo turno.
Prudência
A secretária de Desenvolvimento Econômico de São Paulo, Patrícia Ellen, comentou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (19) no Palácio dos Bandeirantes, que a prorrogação da quarentena sem uma nova classificação das regiões foi uma medida de prudência.
"Se nós tivéssemos realizado a classificação na segunda-feira com os dados da data, nós levaríamos oito regiões para a Fase Verde, colocando 90% da população nesta fase, por um mês. A medida que foi tomada foi exatamente porque observamos primeiros sinais de recrudescimento aqui compartilhados e também por isso, estamos diminuindo o período de reclassificação",
explicou.
Avaliação
De acordo com ela, o período de um mês para avaliação era adequado para a curva descendente, mas como foram duas semanas consecutivas com aumento de internações, é necessário que esssa classificação seja feita em um período mais curto, para acompanhamento da curva.
"Se essa curva de ascendência se mantiver, os indicadores irão mostrar e teremos sim que tomar providênciasmais restrititivas",
explicou.
De acordo com ela, hoje o Estado tem média de 32 internações a cada 100 mil habitantes e 3,1 óbitos por 100 mil habitatantes. Como o limite da Fase Amarela é de 40 internações a cada 100 mil habitantes e 5 óbitos a cada 100 mil habitantes, a situação ainda está sob controle, segundo a secretária.
"Concordo que temos que tomar cuidado e olhar os dados. É normal nos assustarmos e ficarmos preocupados, mas temos que olhar e lembrar o que os dados nos mostra que ainda estamos num momento que houve sim uma variação para cima da curva, mas uma variação relativamente pequena, dentro dos limites para manter esse acompanhamento por mais alguns dias",
explicou.
O secretário-executivo do Centro de Contingência do Combate ao Coronavírus no Estado de São Paulo, João Gabbardo, informou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (19), que estão suspensos no Estado, todos os novos agendamentos para procedimentos eletivos, que são os não emergenciais.
A medida, de acordo com ele, permitirá ao governo paulista ganhar tempo para analisar a evolução das internações de pacientes com sintomas de covid-19 nestas duas semanas e tomar medidas definitivas de acordo com a necessidade.
Ainda de acordo com ele, apesar do aumento nas internações verificado recentemente, não há risco de falta de leitos. Segundo Gabbardo, a taxa de ocupação de leitos que era de 39% no Estado subiu para próximo de 44%, mas ainda está muito abaixo dos 50%.
Entretanto, para evitar riscos, o Estado determinou que a partir de agora, nenhum hospital poderá destinar os leitos Covid para outros atendimentos.
Prevenção
Gabbardo aproveitou a oportunidade para puxar a orelha de parte da população, principalmente dos mais jovens, e chamar a atenção para a necessidade de se manter o distanciamento e demais medidas de prevenção contra o coronavírus.
Ele argumentou que não adianta as medidas serem tomadas pelo governo, se as pessoas não fazem a parte delas.
“O meu recado aqui, é para a população mais jovem, mais sadia, que vai para as ruas, para as festas, para os bares. Esta é a forma que hoje a gente identifica uma maior possibilidade de transmissão”,
comentou.
O secretário-executivo lembrou que apesar de na maioria dos casos os sintomas serem leves para os jovens, eles podem contaminar seus pais e avós, que são do grupo de risco.
“Com o tempo e com esse número de pessoas jovens portadoras do vírus, lentamente nós começamos a retroalimentar a infecção daqueles que não podem adquirir a doenças, os idosos, os portadores de doenças crônicas, aqueles que estão ainda isolados”,
alertou.