Uma jovem bailarina brasileira se muda para Nova York em busca de ampliar os horizontes e conquistar espaço no mundo artístico; sofre uma lesão e tem seu destino mudado após conhecer um até então desconhecido método de recuperação.
Essa é parte da história de Rita Renha, bailarina formada pela Escola do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, fisioterapeuta e master trainer do Gyrotonic & Gyrokinesis, um equipamento desenvolvido pelo ginasta, bailarino e iogue romeno Juliu Horvath (que ainda está vivo). Inicialmente, era usado para a reabilitação de dançarinos e bailarinos nova-iorquinos, mas Rita trouxe o método para o Brasil e hoje tem várias finalidades.
A profissional esteve em Araçatuba nesta semana pela segunda vez, em meio a uma agenda que seguia com roteiros como Miami, Nova York, Singapura e Suécia. Ao Hojemais Araçatuba, ela contou sua história e explicou mais sobre o método que pode mudar destinos de pessoas lesionadas.
Prevenção
Após uma reabilitação utilizando o método com os equipamentos, Rita imaginou que o trabalho desenvolvido por Horvath também poderia ser utilizado para prevenção de lesões. Os exercícios misturam uma série de estilos com a finalidade movimentar e alongar cada parte do corpo, com ênfase na coluna vertebral, corrigindo problemas posturais e diminuindo dores.
Além disso, os exercícios fortalecem e definem os músculos dando equilíbrio, pois trabalham com movimentos isotônico, que é quando a excessiva movimentação dá lugar à sustentação do peso do próprio corpo estático.
Com isso, observando os movimentos sem aparelhos, o método se assemelha a uma aula de dança, com a diferença de que a pessoa fica sentada ou deitada. Em sua concepção, o método é mais indicado para bailarinas, atletas, educadores físicos e fisioterapeutas.
No Brasil, os aparelhos disponíveis são Pully Tower, Leg Extension Unit, Jumping Stretching Board (todos pertencem ao método Gyrotonic). Existem ainda dois equipamentos do método que ainda não estão disponíveis na América do Sul.
Despertar
Tudo começou quando Rita iniciou sua trajetória de bailarina em Nova York. Na época, sofreu uma lesão no joelho enquanto se preparava para o musical Cabaret e logo imaginou que sua carreira estivesse comprometida. Um de seus colegas havia comentado sobre um método de reabilitação, até então restrito e que era “segredo” entre o meio artístico.
“Quando me falaram do equipamento, eu fiquei reticente, mas tinha um desejo interior que me aguçou. E eu não tinha opções, já que eu estava perdendo referência e precisava dançar. Então pensei, ‘fica quieta e vai lá’”, conta.
Ela detalha que quando teve o primeiro contato com o equipamento, foi uma sensação do movimento em cena, porque utilizava a rotação do corpo e a rotação da coluna. Percebeu que dessa forma seria possível continuar a dançar com o equipamento.
Com o desejo de fazer um trabalho preventivo, em 1997 Rita veio ao Brasil e falou pela primeira vez sobre o equipamento. Já em 1999, ela mudou-se definitivamente para implantar e difundir o trabalho. Ela fundou o Gyrotonic Instituto Brasil, no Rio.
"Durante anos eu preparava todo o processo de implantação, até essa última etapa. Até que Juliu Horvath selecionou um grupo de master trainers por volta de 2007 para que nós pudéssemos certificar, porque ele já estava implantando no mundo inteiro”.
Orientação
Rita conta que recebe diversos tipos de pacientes. “Recebemos muitas pessoas que não gostam de se exercitar, mas os equipamentos simulam a sensação mais prazerosa para o corpo, então é como se estivesse na água boiando. Ele traz uma sustentação com a carga e uso a água para trabalhar tônus e o corpo pode ser explorado em todos os sentidos”, detalha a master trainer.
Rita explica que percebe que é um instrumento que tem um melhor acesso à complexidade e inteligência do corpo. “Se eu sou educador físico, vou usar no treinamento funcional. Se é terapeuta que trabalha a reeducação do treinamento postural, ele permite um amplo sistema que reeduca a postura. Já quem vai aprimorar o movimento do bailarino, que trabalha muito um padrão de rotação externa, você explora a rotação interna, para a pessoa ficar novamente neutra”, define.
Harmonização
Para ela, o equipamento tem a capacidade de trazer equilíbrio e harmonia entre corpo e mente e não tem contraindicações, pois trabalha a simetria e harmonização.
“Estamos numa explosão de mindfulness, então, nada melhor do que esse trabalho como forma de autoconhecimento, porque você sente. Não é algo que eu vou falar e explicar. Vem a consciência intelectual e cognitiva, mas através da experiência”, complementa Rita, que reforça que a experiência não é só de fora para dentro e sim do interno para o externo.
Em Araçatuba, fisioterapeuta vivenciou experiências positivas
Em Araçatuba, a fisioterapeuta Luciana Leite descobriu os equipamentos há 13 anos. Segundo seus relatos, ela sempre buscou o conhecimento dos treinamentos em sua raíz.
“Na minha experiência profissional, eu percebi que posso trabalhar com pessoas de idade mais avançada até o pós-cirúrgico; com alguém que tenha um corpo muito sofrido e lesionado até uma pessoa com um corpo potente e de alta performance”, destaca Luciana.
Ela relembra um caso de lesão no tendão do músculo supra-espinhoso (ombro), com indicação absoluta de cirurgia, diagnosticado no Hospital Sírio Libanês. Por determinação do paciente, ele conseguiu se reabilitar totalmente com o método, sem necessitar de cirurgia.
Luciana ainda se lembra de casos de hérnia de disco com indicação cirúrgica, que também foram totalmente solucionados.
“O que é bacana nesse trabalho, é que você consegue utilizá-lo em qualquer momento do processo que o paciente chega e está vivendo”, enfatiza a fisioterapeuta, que considera como um dos pontos altos a imediata reorganização física e emocional dos pacientes.