Seguindo recomendação do Comitê de Contingenciamento da Covid, o governador do Estado, João Doria (PSDB), decidiu manter as atuais restrições da Fase Emergencial do Plano São Paulo, que estão em vigor desde o início da semana.
Na manhã desta quarta-feira (17) ele disse à imprensa que o São Paulo e o Brasil apresentam um quadro gravíssimo e que deveria anunciar novas medidas após participar de uma reunião com a equipe do Centro de Contingência, prevista para as 11h.
Em entrevista coletiva no início da tarde do Palácio dos Bandeirantes, Doria explicou que por enquanto serão mantidas as restrições atuais. Porém, não descartou a possibilidade de endurecimento das regras, caso haja essa recomendação dos especialistas.
“Eu apenas reconheci que o estado é grave, que vivemos uma situação dramática em todo Brasil, pois outros governadores estão vivendo a mesma situação. Todos estão em uma situação à beira do limite do colapso e nós estamos fazendo o possível para não ultrapassar essa faixa dos 90% de ocupação dos leitos de UTI. Preocupados, atentos, mas seguindo a orientação da ciência”, disse.
Avaliação
O coordenador do Comitê de Contingência, Paulo Menezes, explicou que o governo do Estado vem adotando as medidas recomendadas, como a Fase Vermelha e mais recentemente a Fase Emergencial e que os números atuais são consequência da transmissão do coronavírus ocorrida já há algum tempo, antes dessas restrições.
“Nós não temos um indicador diferente do que a gente já usa. A taxa de ocupação é muito preocupante e precisamos de tempo para que esse isolamento produza um resultado”, argumentou.
Ele comentou que o fato de o número de casos nesta semana ser igual ao da semana passada pode ser um indicativo de melhora, mas que ainda precisa se confirmar.
Além disso, Menezes explicou que é preciso estudar medidas realmente eficazes para conter o avanço da pandemia diante do atual cenário e pediu a colaboração das pessoas, para que façam o básico, que é manter o distanciamento e usar máscara.
"Se houver a colaboração de parte da população que ainda não entendeu a gravidade da situação, não será preciso adotar medidas mais restritivas”, destacou.
Lockdown
Na segunda-feira (15), a secretária de Desenvolvimento Social, Patricia Ellen, já havia informado que o Estado estava no limite das restrições e descartou a decretação do lockdown.
Para ela, o que pode ser feito agora cabe ao governo federal, que é o responsável por controlar as fronteiras do País e intermunicipais, onde poderiam ser instaladas barreiras.
O professor de nefrologia José Medina Pestana, que também é membro do Centro de Contingência, reforçou a ideia de que o lockdown é inviável e muito difícil de ser implementado no Brasil.
Ele argumentou que essa medida foi adotada apenas em países da Europa com dimensão de um Estado brasileiro, o que facilita o controle, e que o Brasil tem uma condição econômica muito diferente desses países.
“O lockdown pode significar uma quebra da cadeia de produção, levar ao desabastecimento, à instabilidade social e para ser implementado precisa ser muito bem pensado”, argumentou.