Cotidiano

Estudo inédito aponta que azitromicina não é eficaz no tratamento de covid-19

Pesquisa contou com a participação do médico Guilherme Benfatti Olivato, de Araçatuba, que também integrou estudos sobre o uso do corticoide e hidroxicloroquina 

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba
08/09/20 às 18h02
A substância é utilizada em grande parte dos hospitais, mas sem comprovação de eficácia (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Mais um estudo desenvolvido pelo grupo Coalizão Covid-19 Brasil ganhou destaque internacional em menos de uma semana.

Dessa vez, os pesquisadores brasileiros, incluindo o médico intensivista e clínico geral, Guilherme Benfatti Olivato, de Araçatuba (SP), apontam em estudo que o antibiótico azitromicina não tem efeito no tratamento de pacientes com coronavírus. A pesquisa é inédita em se tratando de pacientes graves, que necessitam de maior suporte de oxigênio.  

A substância é utilizada em grande parte dos hospitais do mundo, porém sem comprovação da eficácia do medicamento e sem a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde).

A pesquisa, que recebe o nome de Coalizão II, foi publicada em uma das principais revistas científicas do mundo, a britânica The Lancet , e mostra que em pacientes graves, não houve benefício clínico. De acordo com Olivato, são considerados graves os casos em que há necessidade de oxigênio por meio de cateter, ou bipap, ou respirador.

Eficiência

Participaram do estudo 57 hospitais das cinco regiões do País. A pesquisa analisou resultados de 397 pacientes, com média de idade de 60 anos, divididos em dois grupos: o primeiro, formado por 214 pessoas, recebeu hidroxicloroquina e azitromicina; o segundo, com 183 participantes, foi tratado apenas com hidroxicloroquina. 

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O médico, que representa o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo, destaca que o estudo aconteceu entre março e maio, época em ainda estava em discussão a eficácia da hidroxicloroquina contra o coronavírus. Inclusive, o mesmo grupo, por meio do Coalizão I, comprovou a ineficiência da substância, assim como diversos outros estudos internacionais.  

Ambos os grupos foram acompanhados durante 28 dias, sendo que o tratamento foi realizado em 10 dias. O estudo mostra que não houve diferença na melhora dos pacientes. Os enfermos que receberam azitromicina ficaram internados, em média, por 26 dias. Aqueles que não receberam o antibiótico, ficaram hospitalizados por 18 dias.  

Vale destacar que a azitromicina é um antibiótico, cuja função é combater infecções bacterianas das vias aéreas. Como ele também tem efeito anti-inflamatório, seu uso começou a ser prescrito contra a covid-19. Sabe-se que em alguns casos, como uma reação ao coronavírus, o sistema imunológico tem uma reação exagerada, causando uma inflamação, o que pode levar um agravamento da doença.

Dexametasona

No último dia 2, o grupo, que é formado a partir de uma parceria entre os hospitais Sírio Libanês, Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, de São Paulo, e Albert Einstein, também foi notícia com artigo publicado na revista científica Journal of the American Medical Association.

No estudo Coalizão III, os pesquisadores apontaram que o corticoide (dexametasona) teve bons resultados no tratamento contra covid-19. O grupo de pacientes graves que teve acesso ao anti-inflamatório, ficou menos tempo no respirador mecânico em comparação aos doentes que não receberam o medicamento.

Segundo Olivato, o estudo randomizado com o corticoide é a melhor evidência científica em tratamento contra o coronavírus, divulgada até o momento. Tanto é que a OMS já sugere o uso do anti-inflamartório em pacientes graves.  

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