O problema com o abastecimento de água nos bairros da zona leste de Araçatuba (SP), que entrou no quarto dia neste domingo (6), levou vários moradores e comerciantes a procurar a polícia e registrar boletim de ocorrência. No plantão policial nesta manhã o Hojemais Araçatuba encontrou cinco registros de queixa contra a falta de água.
Na noite de sábado (5), voltou a ter protesto na frente da sede administrativa da Samar (Soluções Ambientais Araçatuba), responsável pelo saneamento básico na cidade. O grupo produziu até faixa para cobrar que o problema seja definitivamente solucionado.
Porém, até o início da tarde deste domingo (6), a falta de água persistia em vários pontos e a população tem que buscar água em caminhões-pipa disponibilizados pela empresa.
Em nota emitida na manhã deste domingo, a concessionária informa que em alguns locais atendidos pelo Sistema de Abastecimento Hilda Mandarino é registrado fluxo fraco de abastecimento.
De acordo com a concessionária, isso ocorre principalmente nos pontos mais altos da zona leste. “Para equalizar a pressão do abastecimento, alertamos a população da zona leste a utilizar a água de maneira consciente. Evite o desperdício e utilize apenas o necessário”, informa a nota.
Desabastecimento
O desabastecimento afeta treze bairros e três condomínios residenciais atendidos pelo Sistema Hilda Mandarino. A região é muito populosa, pois há vários conjuntos habitacionais e muitos condomínios de apartamentos que dependem da pressão da água para terem os reservatórios cheiros.
O corte no fornecimento aconteceu na manhã de quinta-feira (3) e foi anunciado com antecedência pela Samar, para realização das obras de setorização.
O objetivo desse trabalho é justamente evitar que problemas pontuais afetem grande quantidade de pessoas, por meio da instalação de registros que possibilitam o redirecionamento do abastecimento. O processo foi concluído na zona sul e está em fase de finalização na zona leste da cidade.
Demora
A previsão inicial de normalização era para as 20h, mas, segundo a concessionária, quando o abastecimento foi retomado, houve o rompimento de uma rede adutora.
Equipes iniciaram a manutenção, com previsão de restabelecimento até o final da tarde de sexta-feira (4), mas a água só voltou no início da madrugada de sábado (5), sem condições de uso, por estar escura.
Na manhã de sábado as torneiras estavam secas e a Samar emitiu outra nota, relatando novo rompimento da rede distribuição para o reservatório Hilda Mandarino. No início da tarde a água voltou, porém, devido à baixa pressão, ela não consegue encher os reservatórios.
Diante desse quadro, por volta das 15h30 de sábado a Samar emitiu a primeira nota pedindo à população que evitasse o consumo excessivo para que os reservatórios do sistema recuperem seus níveis e equalizem. “Utilize apenas o necessário e com consciência”, pede na nota.
Protesto
Por volta das 20h, um grupo de moradores se reuniu na frente da sede da Samar, na rua Baguaçu, para cobrar providências contra o desabastecimento. A ação foi pacífica. Policiais militares e guardas municipais acompanharam o ato.
Na noite de sexta-feira já havia ocorrido um protesto, com pneus sendo queimados no portão de entrada e saída de veículos da Samar.
Polícia
Uma das pessoas que procurou a polícia na noite de sábado foi uma vendedora de 38 anos, moradora no Água Branca 2. Ela contou que está sem água em casa desde 13h de quinta-feira, quando começou a fazer contato com a Samar para saber quando o problema seria solucionado.
O último contato foi feito ainda no sábado, quando foi informada via Whatsapp que o bombeamento de água para o Sistema Hilda Mandarino havia sido retomado às 9h e o abastecimento seria normalizado gradativamente ao longo do dia, o que não havia acontecido até as 21h, quando ela esteve no plantão policial.
Ainda segundo a vendedora, a casa dela fica distante dos pontos onde foram disponibilizados caminhões-pipa para oferecer água à população e ela não possui veículo para transportar água.
Um segurança de 39 anos esteve na delegacia no final da manhã de sábado e informou que estava havia três dias sem água. Na casa dele há três adultos e duas crianças, que estavam impossibilitados de tomar banho.
Um morador no Umuarama alegou que o corte no fornecimento de água não foi previamente informado e que os filhos dele tiveram a aula suspensa em função do desabastecimento.
Além de não ter água para os afazeres diários de casa, inclusive a própria higiene pessoal, disse que a esposa dele tem um salão de cabeleireiro e está impossibilitada de trabalhar.
Uma autônoma de 45 anos, do Ivo Tozzi, disse à polícia que está inconformada com a falta de água, pois está tendo que comprar água e comida. No caso dela, que cozinha para fora, tem também o prejuízo financeiro, sem contar os transtornos, pois tem uma filha de 3 anos.