Sem sintoma
“Meu irmão não tinha nenhum sintoma de covid-19, tudo indica que ele estava infartando. No nosso entendimento, foram vários erros do pronto-socorro. Primeiro, como liberam uma pessoa infartada para ir para casa horas depois do atendimento? E se era um paciente com suspeita de covid-19, liberaram para ir para casa sem nenhuma informação e sem coleta de material para exame? Sem avisar ninguém da família? Por que só depois da morte essa suspeita apareceu?, questiona a irmã de Juvenal Maria Helena Azevedo Soares.
Parentes de Juvenal contam que pouco antes dele se sentir mal estava conversando e tocando violão, instrumento que gostava. Não houve contato com nenhuma pessoa com suspeita ou com a doença e ele não tinha apresentava nenhum sintoma.
O corpo de Juvenal foi enterrado às 16h, no cemitério da Consolação com o caixão lacrado. Maria Helena, um filho de Juvenal, Alex Araújo Malta, e outro irmão, Jonas Soares Malta, vieram de São Paulo para a despedida, que não ocorreu. “Viajamos centenas de quilômetros para ver apenas um caixão”, disse, desolada.
A família afirma que, embora nada traga Juvenal de volta, vai procurar seus direitos como cidadãos.
Protocolo
A reportagem entrou em contato com a OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Birigui, responsável pela administração do pronto-socorro, questionando sobre o protocolo de atendimento para casos suspeitos de covid-19, porém não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
Já a Secretaria de Saúde de Birigui informou que Juvenal se enquadrava nos critérios de investigação, por isso a declaração de óbito trouxe morte suspeita por covid-19. O protocolo adotado, segundo a pasta, é do Ministério da Saúde referente às medidas de enfrentamento ao coronavírus.
Dispneia/desconforto respiratório, pressão persistente no tórax, saturação de oxigênio menor que 95% em ar ambiente e coloração azulada dos lábios ou rosto são alguns dos sintomas que levam o médico a classificar o paciente com síndrome gripal. Exames complementares são avaliados e determinados pelos médicos, segundo a secretaria.
