Cotidiano

Famílias chefiadas por mulheres são as mais vulneráveis na pandemia

Atualmente, são 4.691 famílias que recebem o Bolsa Família em Araçatuba (SP); destas, 4.085 são famílias chefiadas por mulheres

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
08/03/21 às 18h30
(Foto: Banco de imagens)

Não é novidade que a pandemia do novo coronavírus provocou mudanças na vida econômica do brasileiro. Entre as famílias vulneráveis que mais sofrem com a situação, estão os lares chefiados por mulheres. 

Em Araçatuba (SP), de acordo com a secretária de Assistência Social, Suzeli Denys, houve um aumento significativo entre as famílias que procuram o atendimento no Cras (Centros de Referência de Assistência Social).

Segundo ela, da meta prevista para atendimento em 2020, o aumento foi de 121% de pessoas atendidas nos centros de referências desde o início da pandemia. Desse total, em torno de 100% são de mulheres chefes de família. 

Suzeli também comenta o perfil dessas mulheres que passam por necessidade de alimentos. Nesse grupo, ela destaca as trabalhadoras informais, diaristas, mães de família e com baixa renda familiar. Essas mulheres buscam os atendimentos no Cras solicitando benefícios como cestas básicas e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), orientações para receber o auxílio emergencial e para realizar o Cadastro Único. 

“Atualmente, temos 4.691 famílias que recebem o Bolsa Família no município, destas, 4.085 são famílias chefiadas por mulheres. A grande maioria do público atendido na proteção social básica são mulheres chefes de família. Fornecemos também kits de bebê, leite e produtos de higiene pessoal pelo Fundo de Solidariedade”, diz Suzeli. 

Desigualdade 

Jamilly é presidente da Associação Casa Maria, em Araçatuba (Foto: Divulgação)

A presidente da Associação Casa Maria, de Araçatuba, Jamilly Nicacio Nicolete, comenta que nesse período de pandemia a desigualdade se aprofundou.

“As mulheres passaram a sofrer ainda mais com o desemprego ou subemprego e isso impacta diretamente na qualidade de vida dos filhos. O desemprego dos maridos impacta não só na renda, mas também no relacional. E a falta das escolas trouxe um aprofundamento da exclusão, seja para essas mulheres, seja para seus filhos. Para aquelas que mantiveram seus empregos, onde deixarão seus filhos? Essa gestão familiar, infelizmente, permanece sendo um atributo imposto socialmente às mulheres”, detalha. 

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(Foto: Divulgação)

Jamilly também lembra que nem todas as mulheres têm uma rede de apoio e, nesse momento, com as escolas fechadas e a pandemia sendo um risco iminente aos idosos, é um risco expor as avós e as mulheres que cuidam das crianças.

Como reflexo dessa situação, a associação recebeu mais pedidos de ajuda, especialmente a demanda por alimentos. Jamilly conta que as solicitações não envolvem apenas cestas básicas, mas outros itens que compõem nossa mesa, como leite, bolacha. Portanto, desde a semana passada, a Casa Maria tem feito uma ação emergencial para arrecadar alimentos para seis famílias, algumas com até quatro filhos, que estão passando por graves dificuldades. 

Quem quiser ajudar, a Casa Maria pede para entrar em contato com a associação; o ponto de arrecadação é a Auto Elétrica Nadai (rua Madalena Lourenço Bruno, 735, bairro Jussara). 

Além disso, a Casa Maria ainda atua no encaminhamento dessas mulheres para o mercado de trabalho, quando possível. “Temos uma rede de apoio que se mantém colaborativa conosco e isso tem nos ajudado a prover alimentos. Mas sabemos que são soluções pontuais para problemas imediatos”, completa. 

Atendimentos de violência doméstica aumentaram 12% ao mês em Araçatuba 

(Foto: Banco de imagens)

Em 2020, o CRM (Centro de Referência da Mulher) de Araçatuba identificou um aumento considerável no número de atendimento realizado às mulheres vítimas de violência doméstica que procuraram pelo serviço. Os tipos de violência que tiveram mais índice foram a violência psicológica e física.

Para fins comparativos, em 2019 as técnicas realizaram um total de 622 atendimentos e acompanhamentos no ano, tendo uma média de 52 atendimentos no mês. Já no passado, o total foi de 736 atendimentos e acompanhamentos ao ano, tendo uma média de 61 atendimentos no mês. Ou seja, um aumento de quase 12% na média de atendimento mensal, explica a dirigente administrativa de coordenação do CRM, Juliana Fernanda de Barros. 

“Atribuímos o aumento na procura pelo nosso serviço devido ao trabalho realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social e pelo CRM na divulgação do nosso trabalho. Em relação às questões que levaram o aumento dos casos de violência doméstica, vale ressaltar que muitos já eram relacionamento que possuíam sinais de abuso e se agravaram com a pandemia e isolamento social, em virtude da maior convivência entre o agressor e a vítima dentro de casa, e o desemprego, que comprometeu a renda de muitas famílias”. 

Juliana destaca que o acesso ao CRM foi facilitado nessa pandemia, já que foram disponibilizados para as mulheres um número de celular e Whatsapp, para que elas não precisassem se deslocar incialmente até o serviço. 

Durante a pandemia, os atendimentos presenciais não serão suspensos devido ao caráter de urgência do serviço, no entanto, será mantido todo o protocolo de segurança tanto para preservar a técnica quanto a atendida, informa Juliana. 

As mulheres contam ainda cm atendimento remoto, por meio do número de WhatsApp (18) 99686-4904, além de outros canais, como 180 e o aplicativo S.O.S. Mulher.

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