Por conta da sua relevância histórica, a capela já foi alvo de pesquisa acadêmica entre os anos 2017 e 2018, assinada pela advogada e historiadora Carolina Cerqueira Cruz, de Araçatuba.
O trabalho de monografia “Capela Santo Onofre em Araçatuba: Patrimônio Histórico e um Direito Fundamental Esquecido” chegou a ser apresentado no III Congresso Internacional de Direitos Humanos de Coimbra, em Portugal.
Largo
Orientada pela professora universitária, historiadora e doutora em ciências políticas Ângela Liberati, Carolina teve acesso a processos relacionados à capela e descobriu que houve uma ação de usucapião ajuizada em 1982, na 1ª Vara Cível da Comarca de Araçatuba. O feito autoriza a ocupação de particulares no Largo Santo Onofre, um tipo de praça que abrigava a capela na época e que hoje está ocupada por terceiros.
A historiadora e advogada também explica que teve acesso a outras ações de usucapião, com datas anteriores ao tombamento, e que a Prefeitura já entrou com ação de desapropriação, em 1996.
A reportagem questionou o Executivo sobre a conclusão do processo, mas por conta do setor jurídico não estar funcionando, ainda não houve respostas.
Para Ângela, que tem um vasto material sobre a capela, a preservação do espaço público é de fundamental importância na construção da cidadania e o ideal seria recompor a área que abrangia o templo.
“O direito à memória, ao patrimônio, é um direito fundamental de terceira geração. Equivale ao direito ao trabalho, ambientalismo... Quando você lida com direito fundamental não pode priorizar um ou outro”, diz Ângela.
Linha do tempo
A Capela Santo Onofre desperta curiosidades daqueles que nunca tiveram a oportunidade de entrar e conhecer seu interior (
Confira o vídeo no final da reportagem
). O espaço é pequeno e está preservado, com pintura nova e mobília em bom estado. Em uma das paredes, quadros contam a história do local por meio de textos e fotos