Cotidiano

Fenaj lança pesquisa sobre jornalistas vítimas de covid-19 

Segundo dossiê da Federação Nacional dos Jornalistas, estados com mais óbitos são Amazonas e São Paulo; situação se agravou nos últimos meses, sendo que 25% das mortes ocorreram em janeiro deste ano

Da redação* - Hojemais Araçatuba
13/02/21 às 17h09
(Foto: Divulgação)

Pesquisa realizada pelo Departamento de Saúde, Previdência e Segurança da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), comprovou que os profissionais da imprensa estão entre as principais vítimas da covid-19.

Do início da pandemia, em 2020, até o final de janeiro deste ano, pelo menos 93 profissionais morreram em decorrência da covid-19. Depois da conclusão da pesquisa, a repórter cinematográfica Vanusa Torchi, de São Paulo, também faleceu, elevando o número para 94.

A situação agravou-se nos últimos meses, com um crescimento dos óbitos. Entre julho e agosto de 2020, as mortes na categoria se mantiveram relativamente estáveis. Nos últimos dois meses de 2020 houve um crescimento acelerado e explodiu em janeiro de 2021: 25% dos casos de mortes ocorreram neste mês.

Amazonas e São Paulo são os dois estados com maior número de casos: 14 mortes em cada. Mas chama a atenção os números do Amazonas, que tem uma população dez vezes menor que São Paulo (4,2 milhões contra 44,6 milhões ). O Estado tornou-se, a partir de janeiro, símbolo da falência dos poderes públicos, em especial do governo federal, no combate à pandemia.

Rio de Janeiro, com nove óbitos, e Paraná, com oito, completam a lista dos estados com maior número de casos fatais na categoria. A Paraíba, com uma população quase idêntica à do Amazonas (quatro milhões de habitantes), registrou cinco mortes de jornalistas.

O diretor do Departamento de Saúde e coordenador da pesquisa, Norian Segatto, disse que os números são assustadores, mas ainda podem estar subestimados.  “Não existe um mecanismo o oficial de registro dos casos e nem sempre a morte do profissional de imprensa é noticiada”, explicou.

Metodologia

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A pesquisa da Fenaj foi realizada por meio de buscas em notas de jornais, informações coletadas com os sindicatos de jornalistas de todo o País e relatos vindos diretamente de amigos e parentes das vítimas. A federação manteve no conjunto das vítimas alguns profissionais identificados como radialistas (que igualmente são profissionais da comunicação), por não ter sido possível confirmar o registro profissional de cada um.

A análise dos dados coletados também revelou a idade das vítimas. O maior número (23) estava na faixa etária de 51 a 60 anos, e outras 22 vítimas fatais da doença tinham entre 61 e 70 anos.

Na análise de gênero, os homens são maioria absoluta entre as vítimas, somando 91,4% do total. Entre as vítimas mulheres (8,6%), chama a atenção o fato de serem mais jovens. Metade tinha menos de 35 anos, três delas estavam entre 47 e 52 anos e em uma não se conseguiu ainda apurar a idade.

Para a Fenaj, o maior responsável por esses números é o governo federal. Mas também as empresas de comunicação têm sua parcela ao expor trabalhadores a condições não seguras.

Norian Segatto lembra ainda que, infelizmente há entre a categoria uma minoria de profissionais que compactua com a tese da “gripezinha” e ajuda a disseminar desinformações para a população. “Às famílias, amigos, colegas de trabalho de todas as vítimas da covid-19, em especial dos trabalhadores da imprensa, nosso mais profundo pesar. Elas não são apenas números de uma macabra estatística, são pessoas, que viram ceifados sonhos, futuro, vida”.

Acesse aqui o relatório completo

*Com informações da Fenaj

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