* Reportagem atualizada às 10h do dia 24/09/2019
A dona de casa Sônia Maria Gusmão, de 67 anos, moradora em Birigui (SP) está há pelo menos três meses sem conseguir medicamentos para tratamento de problemas no coração e de saúde mental, da Prefeitura local.
De acordo com a idosa, que sobrevive com auxílio-doença do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) no valor de um salário mínimo, há pelo menos três meses ela não encontra o carvedilol (comprimidos de 25 mg), utilizado principalmente no tratamento da insuficiência cardíaca, e losartana potássica (50 mg), para tratamento de hipertensão arterial.
Outros dois medicamentos constantemente em falta são o clonazepam (2mg) e sertralina (50mg), utilizados no tratamento para depressão.
“Quando tem clonazepam não tem sertralina, quando tem a sertralina, não tem o outro”, afirma o neto de Sônia, Bruno Henrique Tasso, 20 anos, quem busca os medicamentos na Farmácia Municipal para a avó.
Segundo Tasso, em suas idas à farmácia, ele já presenciou até pessoas tendo crises porque estão sem medicamentos da saúde mental. “Não são apenas esses que minha avó toma, mas tem vários outros também em falta e as atendentes afirmam que não tem data para chegar”, disse. Ele chegou a ligar na Ouvidoria pedindo explicações e a informação oficial é de que o Estado não estaria repassando.
Sônia diz que passou algumas semanas bem ruim pela falta do medicamento. “A médica que me atendeu disse que eu não posso ficar sem essa medicação e eu não tenho condições de comprá-la.” Após recomendação médica de que não poderia ficar sozinha, o neto passou a morar com a avó.
Outro lado
Em nota, a Secretaria de Saúde de Birigui negou a falta dos medicamentos clonazepam (2mg) e sertralina (50mg), da saúde mental. De acordo com a pasta, ambos são oferecidos pela Furp (Fundação para o Remédio Popular), que é o laboratório farmacêutico do Governo do Estado de São Paulo, porém existe um atraso por parte do governo estadual para entregá-los.
"Para não deixar os usuários sem remédios, a Prefeitura de Birigui fez a compra e os medicamentos estão sendo oferecidos normalmente, gratuitamente", informa.
Coração
Com relação ao medicamento carvedilol (25 mg), explica que está em falta há 20 dias e que os estoques acabaram porque a empresa pediu reequilíbrio de preço. "O pedido para o complemento de empenho já foi feito e a Secretaria de Saúde aguarda a chegada do mesmo."
Já o medicamento losartana potássica (50 mg) está em falta há 40 dias, segundo a Prefeitura, porque a empresa que fornece também pediu reequilíbrio de preço. O complemento de empenho também já foi solicitado pela Saúde, que aguarda a chegada do medicamento.
Na nota, a Prefeitura alerta que a losartana potássica (50 mg) é entregue gratuitamente nas farmácias populares de ruas e que Sônia pode solicitá-lo em uma delas até que a Prefeitura volte a fornecer o remédio.
Custo
Nos últimos 12 meses (de 1º de setembro de 2018 a 1º de setembro de 2019), 69.830 pessoas foram atendidas na Farmácia Municipal de Birigui, que dispensou 3.143.604 medicamentos no mesmo período. O custo do serviço é de R$ 1.902.192,69, segundo a Prefeitura.
