Cotidiano

Iniciativas tentam diminuir déficit de árvore em Araçatuba 

Clube da Árvore faz mutirões de plantio e ações educacionais; temporada de arborização começa neste mês

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba 
21/09/19 às 13h00
Mudas são doadas a população durante todo ano na ong, que busca mais voluntários (Foto: Manu Zambon)

A ONG (Organização Não Governamental) Clube da Árvore, que no ano que vem completa 15 anos de fundação em Araçatuba, trabalha com ações de educação ambiental e mutirões de plantio.

De setembro até março, que é a época da chuva, voluntários realizam o plantio de 50 a 100 árvores por mês na cidade. A intenção, segundo o presidente, Leonardo Potje, é plantar em torno de 260 árvores até o final da temporada chuvosa. Além do plantio, a ONG faz o acompanhamento dessa árvore durante dois anos.

Quando acabam os mutirões, de março a setembro, o clube prepara as mudas na sede, que fica na rua Dona Amélia, dentro do bosque municipal. No entanto, as doações de mudas à população acontecem o ano todo. Basta entrar em contato pelo Facebook ou Instagram  ou solicitar com um dos voluntários.

Sobre os plantios, Potje também explica que o georreferenciamento que está sendo feito em Araçatuba será uma ótima oportunidade para acompanhar áreas com mais déficits arbóreos no município e também mostrar áreas que estão propícias ao plantio.

A ONG também trabalha com educação ambiental. Um dos exemplos é o programa Sala Verde, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. O espaço foi inaugurado na sede este ano e a organização já conseguiu atender um público de cerca de 500 pessoas. O projeto, que é itinerante e pode percorrer escolas, tem como objetivo disponibilizar e democratizar o acesso às informações socioambientais e desenvolver atividades de educação ambiental. Além do programa, a organização também atua em iniciativas, como o Bombeiro Mirim.

Verdes ruas

O fotojornalista Angelo Cardoso, de Araçatuba, planta solidariamente árvores em calçadas. Para chamar a atenção, principalmente de comerciantes, criou há dois anos e meio a página Verdes Ruas (ou “ver o verde nas ruas”, como ele gosta de destacar), no Facebook, com o objetivo de compartilhar notícias sobre meio ambiente e incentivar o plantio, principalmente nas áreas comerciais, onde a arborização é mais precária.

No início, Cardoso, que contava com a ajuda de uma pessoa, fez várias ações e plantou em diversos lugares, incluindo em frente a estabelecimentos onde comerciantes não aceitavam árvores, afirma.

Segundo o voluntário, foi possível fazer com que muitos entendessem a situação para ter abertura ao plantio em ruas, como Marechal Deodoro, Chile e Aguapeí, e na avenida Mário Covas. As mudas que ele utiliza são tanto doadas pela Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade, quanto por amigos e empresários.

Plantio ocorrido por meio do Verdes Ruas, em 2017, na rua Marechal Deodoro (Foto: Divulgação)

“O pensamento do comerciante araçatubense é complexo. Dizem que isso atrapalha a fachada. Explico pra eles, que quando uma pessoa compra ou não na loja ou empresa não é por causa da fachada, mas pelo atendimento, qualidade e preço do produto. As pessoas precisam se conscientizar, que com mais árvores têm mais sombras, ar fresco e daria para andar a pé tranquilamente”, destaca.

Temperatura

Por falar em temperatura, o fotojornalista fez um experimento nesta semana na cidade, com um termômetro digital infravermelho com mira a laser. Na rua Humaitá, no asfalto, o equipamento marcou 62 graus, e na sombra, 35 graus.

De acordo com Potje, o entorno de uma árvore tem a capacidade de baixar em 5 graus a temperatura (uma média geral), o que melhoraria não só a sensação térmica, como também ajudaria pessoas que sofrem, principalmente, com doenças respiratórias. Árvores são bombas d´água, um umidificador natural pela sua evapotranspiração.

Segundo o presidente do Clube do árvore, essa é a importância de se cultivar mais florestas urbanas, como acontece em trechos nas avenidas Saudade e Dr. Alcides Fagundes Chagas (que passa em frente à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e leva até o recinto de exposições Clibas de Almeida Prado).

Voluntários

A ONG precisa de voluntários. Atualmente, mesmo com um grupo de 42 pessoas, apenas 12 participam efetivamente, destaca Potje. Portanto, quem tiver interesse em fazer parte, também pode procurar o clube e preencher uma ficha. Não é necessário que o voluntário compareça à sede todos os dias, podendo definir os horários disponíveis e quais trabalhos poderia fazer.

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