Famílias do assentamento Chico Mendes, localizado na zona rural, a cerca de 60 quilômetros do Centro de Araçatuba (SP), ficaram 12 horas seguidas sem energia elétrica entre segunda (7) e terça-feira (8). Cerca de 270 famílias que moram na região foram afetadas.
Como é o caso do produtor rural Elias Rodrigues Negrão, que teve um freezer queimado por conta do apagão. O eletrodoméstico, que segundo ele custou em torno de R$ 3 mil, era usado na sua propriedade para guardar carnes de frango, carneiro e porco, que são vendidas.
Elias também produz leite e, há quatro anos, chegou a perder sua produção por falta de energia. “A gente paga um absurdo na conta de energia, desde quando trocaram o nosso relógio, e o prejuízo fica sempre pra gente”.
Elias teve um freezer queimado após queda de energia (Foto: Colaboração)
O produtor conta que toda semana falta energia no assentamento. Elias também destaca que tem medo de outros itens de uso profissional queimarem, como o tanque no valor médio de R$ 12.700.
Garrafa de gelo
Rosimeire de Fátima Rafael mora no assentamento há 10 anos e reforça o comentário de seu Elias; o problema é recorrente na região e não precisa estar chovendo. Ela explica que só não teve prejuízo nessas 12 horas de queda, perdendo o leite que estava no resfriador, porque o período sem energia foi noturno e não estava muito calor.
De acordo com a produtora, a maioria das famílias tem produção de leite e, com a falta de energia, muitas propriedades acabam perdendo o produto, que seria vendido a laticínios da região. Para não ter prejuízo quando a eletricidade é interrompida, alguns congelam água em garrafas pets higienizadas e colocam o recipiente no resfriador, para manter o líquido fresco.
Rosimeire mostra o refrigerador que armazena o leite (Foto: Colaboração)
“Já fizemos manifestação em frente à CPFL pra melhorar essa rede elétrica. Depois até melhorou. O problema já foi pior, faltava bem mais energia. Teve uma vez que precisamos pegar um gerador emprestado porque ficamos dois dias com apagão por causa de um temporal”, diz Rosimeire.
Peixes
O morador e produtor José Furlan Januário, além de leite, tem criação de peixe. Atualmente, são mais de 10 mil alevinos, que precisam de oxigênio no tanque em que vivem. “Dessa vez, chegou no limite. Quase perdi essa criação. O peixe precisa de oxigênio e a bomba que gera esse oxigênio, precisa de energia”, afirma José, que já perdeu peixes pela queda da rede elétrica.
O produtor também trabalha com leite e produção agrícola, mas precisou desativar a chocadeira para os frangos, porque não pode ficar muito tempo desligada.
Ele ainda conta que, caso não haja uma solução para esse problema, pensa que a energia solar pode ser uma alternativa.
Outro lado
O problema das 12 horas sem energia foi normalizado por volta das 10h de terça-feira, no entanto, menos de 48 horas depois, o assentamento registrou outro apagão de energia, na manhã desta quinta-feira (10), já sendo solucionado por volta das 11h.
A CPFL Paulista informa que a interrupção no fornecimento de energia registrado na terça-feira, no assentamento Chico Mendes, foi causado pelo furto de um regulador de tensão, equipamento essencial para manter a voltagem da linha dentro dos padrões normais de funcionamento da rede de distribuição. A empresa disse que fez a reposição do equipamento na tarde de ontem.
“A distribuidora esclarece que o assentamento está localizado no final de uma linha de rede elétrica com mais de 40 quilômetros de extensão e, por isso, interferências externas como queda de árvores, descargas atmosféricas, queimadas e postes atingidos por veículos podem causar quedas pontuais de energia”.
A CPFL Paulista também explica que estuda ajustes na estrutura que abriga os equipamentos para garantir uma rede mais confiável à região do assentamento.
Ressarcimento
Em relação a equipamentos danificados, a distribuidora orienta que os clientes entrem em contato por meio de seus canais de atendimento digital (www.cpfl.com.br e o app para smartphone "CPFL Energia") e solicitem o ressarcimento seguindo os procedimentos padrão.
“A distribuidora esclarece que os pedidos podem ser solicitados até 90 dias depois da ocorrência que teria danificado o aparelho. O consumidor deve fornecer uma breve descrição do caso, com provável data e horário do ocorrido, informações sobre sua unidade consumidora, relato dos problemas apresentados e detalhes de marca e modelo do aparelho”.