Cotidiano

Médico da região realiza 1º transplante bem-sucedido em paciente com sequelas de covid

O médico Oswaldo Gomes Júnior, de Mirandópolis, integrou equipe como um dos cirurgiões; procedimento foi feito em paciente com 61 anos, no Hospital Israelita Albert Einstein

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
09/05/21 às 19h00
(Foto: Divulgação)

*Matéria atualiza às 20h50

O médico especialista em cirurgia torácica Oswaldo Gomes Júnior, natural de Mirandópolis (SP) - distante a 76 km de Araçatuba -, integrou a equipe responsável por fazer o primeiro transplante bem-sucedido do País em paciente com sequelas da covid-19.

A cirurgia, que rendeu ao homem de 61 anos novos pulmões, ocorreu em 14 de fevereiro, no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. 

O transplante é o segundo realizado no Brasil, porém, na primeira vez, o paciente não sobreviveu devido às complicações cardíacas. Já foram registrados em todo mundo cerca de 50 procedimentos similares ao que ocorreu no hospital paulistano. 

A equipe brasileira contou com sete profissionais, incluindo anestesista e enfermeiros. Além de Oswaldo, a equipe foi composta por outros dois cirurgiões, Marcos Samano e Guilherme Carvalho. A cirurgia foi realizada por sistema particular e durou mais de dez horas.

O transplante pulmonar pode ser unilateral, ou seja, em apenas um lado, ou bilateral, quando os dois lados são substituídos, que é o que ocorre com a maioria dos pacientes e foi o caso do seu paciente, explica Oswaldo. O doador foi um jovem de 35 anos do interior do Estado. 

De acordo com o médico, nesses três primeiros meses de pós-operatório, a evolução tem sido muito favorável ao paciente. “É um trabalho árduo multidisciplinar, que envolve médicos, nutricionistas, fonoaudiólogos e, principalmente, fisioterapeutas”. 

Equipe contou com os cirurgiões Guilherme Carvalho (esquerda) e Oswaldo, sob a liderança do médico Marcos Samano (Foto: Divulgação)

Internação

O médico conta que antes da cirurgia, o paciente ficou sete meses internado. Nesse período, ele ficou 88 dias em ECMO (Extracorporeal Membrane Oxygenation), que em português significa Oxigenação Extracorpórea por Membrana, um dos recursos mais avançados no manejo de pacientes com hipoxemia (baixa oxigenação no sangue) grave e refratária.

“Seu pulmão foi complemente comprometido pela covid, apresentando uma fibrose irreversível. Ele só se mantinha vivo devido a ECMO, que é um ‘pulmão artificial’, uma máquina que mantinha a oxigenação necessária para o seu corpo, mantendo suas funções vitais. O paciente apresentava-se extremante debilitado, entretanto ele tem sido um guerreiro e venceu todos esses desafios”. A alta está programada para esta próxima semana. 

O transplante foi a chance dele sobreviver à doença e caso não tivesse ocorrido, a probabilidade dele morrer era muito grande. No entanto, esse tipo de cirurgia não deve ser compreendida como uma opção para todos os casos de covid-19. 

“É uma indicação precisa, é muito restrita. São pacientes que já estão em ECMO há muito tempo. Não é a salvação da covid; depende de estrutura hospitalar, especialização da equipe, mas que sim, pode ser uma alternativa em pacientes com sequelas irreversíveis”.  

Riscos

Oswaldo também comenta sobre os riscos do transplante pulmonar, já que é uma cirurgia extremante complexa. “Além de todo o risco cirúrgico e anestésico, temos que lembrar que o paciente apresentava uma fraqueza extrema; são sete meses em uma cama de hospital. Ainda temos as infecções associadas, possibilidade de rejeição do órgão, ou seja, são muitos fatores de complicação que devem ser previstos e combatidos em sua totalidade para o sucesso do transplante”. 

Cirurgia de transpante teve duração de mais de dez horas (Foto: Divulgação)

ECMO

O profissional faz parte da equipe responsável pelo tratamento utilizando a ECMO na unidade. O sistema ficou conhecido após o ator Paulo Gustavo, que veio a óbito aos 42 anos, nesta semana, iniciar terapia com essa técnica.

De acordo com o médico, a ECMO já vem sendo utilizada com frequência no País, no próprio transplante pulmonar. Há alguns anos, essa técnica vem sendo usada em casos selecionados. 

“Entretanto, ela tem se mostrado uma modalidade com uma boa efetividade para pacientes com comprometimento grave por covid, de uma maneira fácil de entender. O fundamento da ECMO é deixar o pulmão ‘descansar’. Quando o pulmão, mesmo com o ventilador mecânico, não consegue mais oxigenar o corpo, o mínimo necessário para mantê-lo vivo em suas funções vitais, instalamos a ECMO, e a máquina faz o papel do pulmão”. 

O especialista ainda comenta que nesse caso, a recuperação do paciente pode ocorrer em uma média de dez a 14 dias, se o pulmão estiver recuperado. “Retiramos a máquina e a pessoa volta a usar seu próprio órgão pra sua oxigenação. Que fique bem claro, a ECMO não é um tratamento específico, ela é uma ‘ponte’, ou seja, nos oferece um tempo a mais até termos uma solução para o caso”, finaliza. 

*Matéria atualizada pra correção de informação. 

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Empresa Jornalística e Editora LTDA
32.184.870-0001/54
Editor responsável:
Aline Galcino - MTB: 43087/SP
aline.galcino@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2021 - Grupo Agitta de Comunicação.