Pesquisa brasileira divulgada nesta quarta-feira (2), na revista científica Journal of the American Medical Association, aponta que pacientes graves com coronavírus, que receberam o tratamento à base de corticoide (dexametasona), ficaram menos tempo no respirador mecânico em comparação aos que não receberam o anti-inflamatório.
Guilherme Benfatti Olivato participou representando o hospital Albert Einsten (Foto: Arquivo pessoal)
Um dos autores principais do estudo, que recebe o nome de Coalizão III, é o médico intensivista e clínico geral, Guilherme Benfatti Olivato, de Araçatuba (SP), que participou representando o Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.
O estudo foi desenvolvido pelo grupo Coalizão Covid-19 Brasil, formado a partir de uma parceria entre os hospitais Sírio Libanês, Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, de São Paulo, além do Albert Einstein.
Em julho, o mesmo grupo havia divulgado pesquisa que mostrou que a hidroxicloroquina não tinha eficácia no tratamento de pacientes com sintomas leves ou moderados de covid-19.
De acordo com o pesquisador, o estudo Coalizão III envolveu 41 UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) de todo País e analisou 299 pacientes com SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), internados em estado grave e intubados.
Eficácia
Os pacientes analisados têm uma média de 61 anos e a maioria é formada por homens. Os enfermos foram divididos em dois grupos: um intitulado “intervenção” (151 pessoas), que foi submetido ao uso de corticoide, e o outro chamado “controle” (148 pessoas), cujos pacientes tiveram acesso ao tratamento padrão, sem corticoide.
Com base nisso, os pesquisadores concluíram que o corticoide diminui o tempo dos pacientes nos respiradores. Ou seja, reduziu em torno de 2,6 dias o tempo da pessoa na ventilação mecânica. O grupo “controle” teve um tempo médio sem respirador em torno de quatro dias, enquanto aqueles que receberam a dexametasona, foi de 6,6 dias sem ventilação mecânica.
Com isso, o uso da dexametasona pode ser associada a um menor risco de complicações decorrentes da permanência na UTI desses pacientes. Os enfermos foram acompanhados durante 28 dias, sendo que a mortalidade, no total, de 58%.
No caso dos pacientes que receberam o corticoide, a administração do medicamento teve início no primeiro dia de intubação. Segundo Olivato, eles receberam 20 mg (miligramas) de dexametasona, por via endovenosa, nos primeiros cinco dias de ventilação e depois 10 mg da mesma droga por mais cinco dias. No total, foram dez dias de tratamento.
OMS
O médico ainda destaca a revisão de estudos publicada também nesta quarta, pela OMS (Organização Mundial da Saúde), sugerindo o uso da dexametasona, utilizando o estudo Coalizão III como uma das principais referências.
No documento, a organização diz: “Recomendados corticosteroides para o tratamento de pacientes críticos com casos graves da covid-19. Sugerimos não usar corticosteroides no tratamento de pacientes que não tenham casos graves da covid-19”.
Em breve, o grupo deve publicar outro estudo, dessa vez utilizando a azitromicina como medicamento no tratamento do coronavírus.