Políticas públicas
Para Elisângela, o problema atual do Brasil é a falta de políticas públicas que suprem as necessidades do povo. A líder destaca que o Grupo Mulheres do Brasil não faz assistencialismo, apesar de lançar campanhas para ajudar em alguns casos específicos, como nesta época de pandemia.
Dentre as políticas públicas, Elisângela expõe como exemplo o novo marco legal de saneamento básico (Projeto de Lei 4162/2019), que é uma pauta bem forte do Grupo Mulheres do Brasil. O assunto foi trabalhado pelo grupo, que atuou de forma efetiva na articulação com os senadores que estavam em dúvida ou contra o projeto. No último dia 24, o novo marco foi aprovado.
Essa aprovação já está tendo efeito direto na vida de cidadãos. Na favela de Paraisópolis, por exemplo, moradores entraram na Justiça contra a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), exigindo seus direitos, após a decisão.
Elisângela aponta outras pautas também, como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), onde as mulheres se articularam em prol da mudança da data da prova devido à pandemia, e temas antirracistas.
“A pauta este ano era educação, seguida de combate à violência contra a mulher e igualdade racial. Era um projeto muito grande de valorização dos professores, mas por causa da pandemia, não foi possível. Então, parte do grupo teve que agir nas causas sociais”, frisa Elisângela.
Nesse sentido, uma das causas sociais que Patrícia ressalta é o aumento significativo da violência contra a mulher nos últimos quatro meses. Com o isolamento, as vítimas ficam confinadas dentro de casa, muitas vezes com o próprio agressor, o que contribui para que haja esse aumento de casos. “Precisa de uma mobilização, que foi o que a Luiza (Trajano) fez por meio do grupo. Se não tomarmos uma medida, teremos muito mais mortes”, afirma a advogada.
Igualdade racial
Nos últimos 10 anos, pouca coisa mudou no Brasil com relação o negro no mercado de trabalho, destaca Elisângela. “Fala-se bastante hoje, mas ainda faltam muitas políticas e ações públicas. E a mulher negra, historicamente, empreende mais, pela falta de oportunidade no mercado corporativo. Ela vai empreender na costura, na alimentação, em vendas, porque ela não teve a oportunidade. O fato é que o brasileiro empreende por necessidade”, reflete Elisângela.
