Cotidiano

Outubro Rosa: elas enfrentam o câncer de mama sem desanimar

Neste mês, conheça histórias inspiradoras de mulheres que lutam contra a doença 

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
05/10/19 às 10h00
Rosemeire se atentou para o autoexame após campanhas do Outubro Rosa do ano passado (Foto: Manu Zambon/Hojemais Araçatuba)

Aos 45 anos, a auxiliar de limpeza Rosemeire Cristina Pereira da Graça, de Araçatuba (SP), descobriu que sua fé em Deus é muito maior do que podia imaginar. E foi a essa palavra que ela se apegou para enfrentar o tratamento contra um câncer de mama, que descobriu há quase um ano. “As pessoas escrevem sempre: foco, força e fé. Eu escrevo: fé, fé e fé”, ressalta.

Rosemeire descobriu a doença fazendo o autoexame. “Sempre fiz o acompanhamento certinho, anualmente. Mas no ano passado, as campanhas do Outubro Rosa me lembraram que eu deveria fazer o autoexame. Um dia, eu sentia um carocinho. No outro, ele sumia. Eu achei que pudesse ser coisa da minha cabeça, mas mesmo assim procurei meu médico. Fiz todos os exames e recebi a notícia”, relata.

Como estava bem no início, ela não precisou retirar toda a mama, apenas o “quadrante”, ou seja, a região da mama onde estava o tumor. A cirurgia foi em 20 de março. Nesta semana ela terminou as 16 sessões de quimioterapia e ainda passará pela radioterapia.

Desde novembro passado, muita coisa mudou para Rosemeire. “A gente muda a maneira de enxergar as coisas, de reagir. Você passa a dar muito mais valor para pequenas coisas. Sou casada, tenho três filhas. No começo foi um choque, você fica impactada com a notícia, mas depois eu entendi que era a hora de seguir o tratamento, a orientação médica, focar no que será feito e que tudo dará certo. Eu decidi que vou vencer a doença. Não desanimei em momento algum.”

A força da auxiliar de limpeza tem um motivo especial. Há cerca de 15 anos, a mãe dela teve um câncer no intestino, não quis passar pelo tratamento e acabou morrendo devido à doença. “Eu fiz diferente, eu decidi lutar e entrei na luta para ganhar. E ganhei.”

Apoio

Nesse período difícil, Rosemeire está tendo um apoio especial. Seu companheiro, Danilo Delboni Frigeri que, inclusive, acompanhou a entrevista dela ao Hojemais Araçatuba, fez questão de participar de todo o processo, da primeira consulta às sessões de quimioterapia.

“Ele trabalha à noite e sai às 6h. Nos dias de quimio, ele saia do trabalho e ia comigo direto para o hospital, sem dormir. E teve dias de sairmos do hospital às 16h. Isso tudo me surpreendeu, porque é uma demonstração de amor e para quem está passando por um tratamento, como eu, é importante a pessoa estar ali, do seu lado, segurando na sua mão.”

O casal está junto há 13 anos e tem uma filha de 10 anos. Assim que o tratamento acabar, os dois pretendem se casar, em uma cerimônia simples, para comemorar a vitória contra o câncer e do amor. “A doença aumentou o companheirismo, a vontade de estar sempre junto.”

Rosemeire também destaca o apoio que teve da equipe e pacientes do CTA (Centro de Terapia Antineoplásica), da Unimed Araçatuba. “O apoio de outras mulheres que estão enfrentando o mesmo problema e dos profissionais foi muito importante. Você vê que está numa luta, mas não está sozinha. Fiz muitos amigos, amigos que eu levarei pro resto da vida.”

Aposentada redobrou cuidado com a saúde

Luiza Quinalha Gomes perdeu a mãe com câncer de mama (Foto: Sala7)

Também foi num autoexame que a professora aposentada Luiza Quinalha Gomes, 77 anos, de Araçatuba, notou que algo estava errado com sua mama esquerda. Viúva e mãe de três filhos, ela conta que não foi fácil a aceitação. “Quando a gente descobre um negócio desses, a gente fica sem chão”, resume.

O tumor tinha menos de 1 centímetro, mas mudou completamente a vida de Luzia, que já tinha um histórico triste com a doença - a mãe dela morreu aos 54 anos, vítima do câncer de mama.
Mas ela precisava de forças para enfrentar esse obstáculo, pois é ela quem cuida do filho, hoje com 52 anos, que teve uma lesão no cérebro aos 25 anos após sofrer um acidente de carro que o deixou em uma cadeira de rodas. “Depois que meu marido faleceu, meus filhos casaram e ficamos nós dois.

Apesar do dano cerebral, ele entende o que está se passando e me ajuda. Ficou triste quando viu que eu perdi os cabelos, mas riu muito quando me viu de peruca, dizia que eu estava linda. Agora ele está feliz, porque meus cabelos cresceram, mesmo não sendo como antes”, conta, explicando que tinha cabelos loiros e agora os fios, ainda curtos, são grisalhos.

Foram 25 sessões de radioterapia e serão 18 de quimioterapia no total. “A quimioterapia me deixou muito mal, me derrubou. Fiquei acamada muito tempo, perdi 7 quilos. Agora estou nas sessões de reforço, mas estou bem, superando. Recebi muito apoio da família e de amigos e isso é muito importante”, conta.

Apesar de ter aberto mão de sua carreira para se dedicar aos cuidados com o filho, Luzia afirma que jamais deixou de se cuidar. Sempre fez exercícios, principalmente caminhadas, e cuidava da alimentação.

Hábitos

Agora, está ainda mais exigente. “As mulheres precisam se cuidar, manterem-se ativas e ter bom humor, porque faz bem. Praticar exercícios, fazer os próprios alimentos, fugindo das comidas prontas e observando principalmente a qualidade da água, que precisa ser alcalina”, aconselha. “O autoexame também é fundamental. Graças a ele eu descobri no início, o que aumenta as chances de cura”, completa.

"Cada um de nós está aqui com uma missão. A minha não acabou"

Rosa Maria Natal passa por sessões de radioterapia (Foto: Manu Zambon)

“Eu tenho uma fé muito grande. Sou muito positiva, acho que tudo nesta vida é muito bom e que cada um de nós está aqui com uma missão. A minha não acabou ainda. Deve ter algo que eu preciso fazer.”

Esse é o resumo que a professora aposentada Rosa Maria Natal, de 84 anos, de Bilac, faz sobre seu enfrentamento contra o câncer de mama, que começou há um ano, e que ela trata com bom humor e otimismo.

“Foi o único ano em que atrasei os exames de rotina. Eu fiz uma viagem para a Europa e acabei adiando minha ida ao médico. Mas eu comecei a sentir dores. Isso foi em agosto do ano passado. Em setembro, comecei a fazer os exames e logo depois recebi o diagnóstico.”

Coincidentemente e sem saber, ela passou pela cirurgia de retirada de mama no mesmo período em que a filha, aos 59 anos, fazia quimioterapia contra um nódulo, também no seio. “Só que ela não falou nada para ninguém. Depois de um tempo, ela contou para os irmãos, mas não para mim e para o pai. Foi uma coincidência absurda; eu ter câncer aos 83 anos e ela, aos 59. Eu enfrentando aqui e ela lá em Campinas. Mas, graças a Deus, ela também está muito bem”, disse.

A professora aposentada retirou a mama no dia 3 de janeiro e agora passa pelas sessões de radioterapia (já foram 13 do total de 25) e quimioterapia a cada 21 dias.

Apesar do choque pela notícia da doença e depois o baque ao saber que a filha enfrentava o mesmo problema, Rosa Maria não se deixou abalar, principalmente para passar positividade para o marido, que está com Alzheimer. “Você tem que achar força para os dois. Ele falava pra mim: você está curada, está ótima. Porque eu sou assim, eu me cuido, me arrumo, uso maquiagem, eu passo isso, com dor ou sem dor.”

No entanto, ela destaca que a doença a fez refletir sobre algumas atitudes. “Eu sempre dei valor à vida, eu acho que a vida é maravilhosa e eu quero prolongá-la o quanto puder. Mas sempre fui uma dona de casa que gostava das coisas nos mínimos detalhes. Isso passou, não leva a nada. É preciso viver a vida, com os filhos, a família”, finaliza. 

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.