Nesta quinta-feira (10), o fotógrafo paraense João Paulo Guimarães teve um relato impressionante publicado no site Repórter Brasil, contando parte de sua experiência no Pantanal durante as queimadas.
Ao Hojemais Araçatuba , o profissional explicou nesta sexta-feira que ficou por seis dias no Hotel Sesc Porto Cercado, em Porto Cercado, distrito de Poconé (MT), e percorreu a rodovia Transpantaneira, que passa no meio do Pantanal, em contato direto com o bioma.
“Confesso que travei. Fiquei paralisado sem saber como fotografar. Nunca tinha passado por isso”, disse ao Hojemais Araçatuba . Segundo ele, quando chegou em Poconé, próximo da meia-noite, o município estava na penumbra, de tão pesada que era a fumaça. Foi também perto de Poconé que ele fez uma das fotos mais chocantes da viagem, a de uma jaguatirica morta na beira da estrada.
“Grito para pararem o ônibus e desço para fotografar. O ar é pesado. Os olhos do animal brancos e a língua de fora, como se tivesse tentado sorver o pouco que ainda resta do ar do Pantanal. O motorista aparece ao meu lado, e falamos baixo, como que em luto. Ele diz que ela não foi atropelada. Morreu fugindo”.
Em Barão de Melgaço (MT), a temperatura chegava a 43°C no meio da tarde, com fumaça que se perdia no horizonte. O fogo consumia tudo, a ponto de brigadistas e bombeiros não conseguirem trabalhar no combate às chamas, conta.
De acordo com o fotógrafo, um dos fatos que mais marcaram essa experiência foi ver o que o fogo é capaz de fazer. “A força e o barulho. Parece um lança-chamas”, disse para a reportagem.
Agora, a ideia é voltar para o Pantanal e dar continuidade ao trabalho fotográfico, com a ideia de ajudar na divulgação do que está acontecendo no bioma.
