assinaturas; Hojemais Araçatuba conversou com fotógrafo que esteve no Pantanal registrando as queimadas" /> assinaturas; Hojemais Araçatuba conversou com fotógrafo que esteve no Pantanal registrando as queimadas" />
Cotidiano

Petição cobra ações sobre queimadas que atingem o Pantanal

Documento já recolheu mais de 230 mil assinaturas; Hojemais Araçatuba conversou com fotógrafo que esteve no Pantanal registrando as queimadas

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
11/09/20 às 13h08
Fotógrafo esteve por seis dias registrando imagens das queimadas no bioma (Foto: João Paulo Guimarães/Arquivo pessoal)

Há quase um mês, documento circula na internet colhendo assinaturas com o objetivo de chamar a atenção de autoridades e pressionar ações de combate às queimadas no Pantanal, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O documento já conta com mais de 230 mil assinantes.

O abaixo-assinado é direcionado ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao secretário de Meio Ambiente do Mato Grosso do Sul, Jaime Elias Verruck, à secretária de Meio Ambiente do Mato Grosso, Mauren Lazzaretti e ao Ministério Público do Mato Grosso do Sul.

Para acessar o abaixo-assinado, clique aqui.

O texto destaca o número de um milhão de hectares destruídos pelo fogo, frisando que é a maior tragédia ambiental em décadas no Pantanal. “Um desastre sem precedentes, nunca tiveram queimadas como essas que estão acontecendo. Foram mais de 7 mil focos de incêndio até agora, um aumento de 211% em relação ao mesmo período de 2019”.

De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de janeiro a agosto deste ano, o fogo já consumiu 18.646 quilômetros quadrados do Pantanal, que proporcionalmente significa 12,4% da área total do bioma. Desde 1998, quando o órgão começou a medir os focos de incêndios no local, esse é o maior nível de queimadas até o momento.

O que estaria aumentando a incidência do fogo na região é a junção da seca com outros fatores, como o aumento do desmatamento, incêndios causados por ações humanas e a falta de fiscalização, ressalta o abaixo-assinado.

“Mais de 90% dos incêndios são provocados pelo homem, apenas 3,5% de toda a região tem unidades de conservação para garantir proteção e, somente neste ano, 11 mil hectares foram desmatados para dar lugar ao crescimento do agronegócio na região. Além disso, a degradação da Amazônia também interfere no que está acontecendo no Pantanal”.

Experiência

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Fotógrafo registrou jaguatirica que teria morrido em decorrência dos incêndios (Foto: João Paulo Guimarães/Arquivo pessoal)

Nesta quinta-feira (10), o fotógrafo paraense João Paulo Guimarães teve um relato impressionante publicado no site Repórter Brasil, contando parte de sua experiência no Pantanal durante as queimadas.  

Ao Hojemais Araçatuba , o profissional explicou nesta sexta-feira que ficou por seis dias no Hotel Sesc Porto Cercado, em Porto Cercado, distrito de Poconé (MT), e percorreu a rodovia Transpantaneira, que passa no meio do Pantanal, em contato direto com o bioma.

“Confesso que travei. Fiquei paralisado sem saber como fotografar. Nunca tinha passado por isso”, disse ao Hojemais Araçatuba . Segundo ele, quando chegou em Poconé, próximo da meia-noite, o município estava na penumbra, de tão pesada que era a fumaça. Foi também perto de Poconé que ele fez uma das fotos mais chocantes da viagem, a de uma jaguatirica morta na beira da estrada.

“Grito para pararem o ônibus e desço para fotografar. O ar é pesado. Os olhos do animal brancos e a língua de fora, como se tivesse tentado sorver o pouco que ainda resta do ar do Pantanal. O motorista aparece ao meu lado, e falamos baixo, como que em luto. Ele diz que ela não foi atropelada. Morreu fugindo”.

Em Barão de Melgaço (MT), a temperatura chegava a 43°C no meio da tarde, com fumaça que se perdia no horizonte. O fogo consumia tudo, a ponto de brigadistas e bombeiros não conseguirem trabalhar no combate às chamas, conta.

De acordo com o fotógrafo, um dos fatos que mais marcaram essa experiência foi ver o que o fogo é capaz de fazer. “A força e o barulho. Parece um lança-chamas”, disse para a reportagem.

Agora, a ideia é voltar para o Pantanal e dar continuidade ao trabalho fotográfico, com a ideia de ajudar na divulgação do que está acontecendo no bioma.

 RECOMENDADO PARA VOCÊ
 EM DESTAQUE AGORA
VEJA TODOS OS DESTAQUES
 ÚLTIMAS EM COTIDIANO
Franquia:
Araçatuba SP
Franqueado:
Connect Jornalismo Digital LTDA
48.486.487/0001-90
Editor responsável:
Lazaro Silva Júnior MTB 48158
lazaro.junior@ata.hojemais.com.br
Todos os direitos reservados © 1999 - 2026 - Grupo Agitta de Comunicação.