Cotidiano

Pronto-socorro de Araçatuba tem 16 pacientes aguardando vaga para internação

Mulher com sintomas de covid-19 morreu no final da madrugada; média é de 150 de atendimentos de casos suspeitos por dia

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
13/03/21 às 18h25
Mulher que com sintomas de covid-19 morreu na madrugada deste sábado no pronto-socorro de Araçatuba (Foto: Arquivo)

O pronto-socorro de Araçatuba (SP), que é destinado a atendimentos de urgência e emergência, também está sobrecarregado devido ao aumento dos casos de pacientes que procuram atendimento com sintomas de coronavírus.

Neste sábado (13), uma paciente morreu e há outras 16 pessoas na unidade aguardando vaga de internação. A vítima que foi a óbito com suspeita da doença é uma mulher de 45 anos, que deu entrada na unidade na quinta-feira (11).

Ela havia procurado atendimento na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro Umuarama, destinado a casos suspeitos de covid-19, e foi levada ao pronto-socorro devido a apresentar agravamento do quadro clínico. 

Segundo o gerente de projetos do pronto-socorro, o médico Carlos Mori, a paciente foi medicada, fez os exames laboratoriais, passou por exame de raio-X e teve material coletado para diagnóstico da doença.

Como estava sem condições de receber alta para ir para casa, foi mantida no pronto-socorro, que solicitou vaga na Santa Casa para internação. Já no final desta madrugada, a paciente teve piora no quadro, foram feitos os procedimentos para a estabilização, mas ela não resistiu.

Estrutura

Mori explica que apesar de não haver enfermaria no pronto-socorro, a unidade dispõe de toda estrutura para atendimento aos pacientes com sintomas leves. 

“O pronto-socorro é um serviço de urgência e emergência, que dispõe de todas as condições para estabilizar o paciente, com suporte ventilatório, medicação, para que ele possa receber alta ou ser encaminhado para internação. O que não tem é leito disponível”, explica.

O médico informa o pronto-socorro utiliza um sistema de regulação de vagas próprio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que foi implantado em 2019 e ajudou a reduzir de 2.000 para 500 transferências de pacientes por mês em média para a Santa Casa.

Demanda

Porém, de acordo com ele, a demanda aumentou bastante nas últimas semanas, com aproximadamente 150 pacientes com suspeita de covid-19 sendo atendidos no pronto-socorro por dia.

Além disso, o Samu tem feito em média 20 transportes de pacientes, sendo necessário manter três veículos para essa finalidade, incluindo um veículo de suporte avançado.

Sem camas

Como o pronto-socorro tem 13 macas nos leitos destinados a pacientes com sintomas de covid-19, três pacientes aguardam vaga para internação o ocupando parte das 13 poltronas disponíveis.

Questionado sobre a possibilidade de outros pacientes que aguardam vaga também terem o quadro agravado, Mori informou que isso é um risco.

“O problema é que a covid-19 é silenciosa. A pessoa está bem, está conversando, mas a doença começa a repercutir. Embora o pronto-socorro ofereça todo suporte, isso é uma coisa que pode acontecer. Vai depender da comorbidade do paciente e da forma da doença”, alerta.

Hábitos

Por fim, o médico reforça que a única forma de tentar reduzir o quadro grave em que a pandemia se encontra atualmente é com as pessoas seguindo as regras de distanciamento, para quebrar a transmissão do coronavírus.

“A população tem que entender que precisa mudar de atitude com relação ao comportamento social. Não adianta ficar abrindo leitos. Estamos enxugando gelo”, finaliza.

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