O pronto-socorro de Araçatuba (SP), que é destinado a atendimentos de urgência e emergência, também está sobrecarregado devido ao aumento dos casos de pacientes que procuram atendimento com sintomas de coronavírus.
Neste sábado (13), uma paciente morreu e há outras 16 pessoas na unidade aguardando vaga de internação. A vítima que foi a óbito com suspeita da doença é uma mulher de 45 anos, que deu entrada na unidade na quinta-feira (11).
Ela havia procurado atendimento na UBS (Unidade Básica de Saúde) do bairro Umuarama, destinado a casos suspeitos de covid-19, e foi levada ao pronto-socorro devido a apresentar agravamento do quadro clínico.
Segundo o gerente de projetos do pronto-socorro, o médico Carlos Mori, a paciente foi medicada, fez os exames laboratoriais, passou por exame de raio-X e teve material coletado para diagnóstico da doença.
Como estava sem condições de receber alta para ir para casa, foi mantida no pronto-socorro, que solicitou vaga na Santa Casa para internação. Já no final desta madrugada, a paciente teve piora no quadro, foram feitos os procedimentos para a estabilização, mas ela não resistiu.
Estrutura
Mori explica que apesar de não haver enfermaria no pronto-socorro, a unidade dispõe de toda estrutura para atendimento aos pacientes com sintomas leves.
“O pronto-socorro é um serviço de urgência e emergência, que dispõe de todas as condições para estabilizar o paciente, com suporte ventilatório, medicação, para que ele possa receber alta ou ser encaminhado para internação. O que não tem é leito disponível”, explica.
O médico informa o pronto-socorro utiliza um sistema de regulação de vagas próprio do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que foi implantado em 2019 e ajudou a reduzir de 2.000 para 500 transferências de pacientes por mês em média para a Santa Casa.
Demanda
Porém, de acordo com ele, a demanda aumentou bastante nas últimas semanas, com aproximadamente 150 pacientes com suspeita de covid-19 sendo atendidos no pronto-socorro por dia.
Além disso, o Samu tem feito em média 20 transportes de pacientes, sendo necessário manter três veículos para essa finalidade, incluindo um veículo de suporte avançado.
Sem camas
Como o pronto-socorro tem 13 macas nos leitos destinados a pacientes com sintomas de covid-19, três pacientes aguardam vaga para internação o ocupando parte das 13 poltronas disponíveis.
Questionado sobre a possibilidade de outros pacientes que aguardam vaga também terem o quadro agravado, Mori informou que isso é um risco.
“O problema é que a covid-19 é silenciosa. A pessoa está bem, está conversando, mas a doença começa a repercutir. Embora o pronto-socorro ofereça todo suporte, isso é uma coisa que pode acontecer. Vai depender da comorbidade do paciente e da forma da doença”, alerta.
Hábitos
Por fim, o médico reforça que a única forma de tentar reduzir o quadro grave em que a pandemia se encontra atualmente é com as pessoas seguindo as regras de distanciamento, para quebrar a transmissão do coronavírus.
“A população tem que entender que precisa mudar de atitude com relação ao comportamento social. Não adianta ficar abrindo leitos. Estamos enxugando gelo”, finaliza.
