A Santa Casa de Penápolis (SP) recebeu neste sábado (27), do Cimpe (Consórcio Intermunicipal da Microrregião de Penápolis), cinco capacetes de oxigenação desenvolvidos e doados pela UEM (Universidade Estadual de Maringá).
O prefeito de Alto Alegre e presidente do Cimpe, Carlos Sussumi (MDB), buscou os equipamentos na cidade paranaense, nesta sexta-feira (26), e fez a entrega ao responsável técnico e coordenador das duas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) da Santa Casa, Alexandre Damo. Em vídeo, Damo afirmou (confira no final do texto) que os capacetes já seriam colocados em uso já neste sábado.
Damo comentou que a ferramenta é importante para ajudar no tratamento e diminui o sofrimento dos pacientes, sendo uma alternativa válida para tentar evitar a intubação e colocação do ventilador nos doentes.
“A intubação é uma situação que coloca o paciente numa debilidade maior e aumenta o risco de mortalidade. O capacete permite uma ventilação não invasiva”, explica. O equipamento fica ajustado na cabeça do paciente e é conectado a uma mangueira que joga oxigênio puro no interior do capacete, permitindo que a pessoa respire o oxigênio puro sem estar intubado.
Damo aproveitou a ocasião para fazer um alerta sobre o grande movimento e rotatividade das UTIs, beirando 100% quase todos os dias. “É muito importante que todos se conscientizem porque a mortalidade aumentou, é visível, não é só em Penápolis, mas no Brasil inteiro. Estamos diante de um vírus novo, que traz consequências mais graves e de forma mais rápida. Então, mais do que nunca peço a colaboração de vocês para que fiquem isolados, mantenham o distanciamento, evitem sair, evitem aglomerações”.
Segundo Sussumi, o Cimpe tomou conhecimento dos capacetes desenvolvidos em Maringá após ver uma matéria sobre o projeto, compartilhada por uma amiga de infância, que é doutora e professora na UEM. O presidente do consórcio, com o aval dos sete prefeitos que compõem o grupo, entrou em contato com a universidade, que ofereceu cinco equipamentos sem custo.
Resultado
Os capacetes foram desenvolvidos no ano passado , demonstrado excelentes resultados ao contribuir para recuperação de pacientes com quadros de insuficiência respiratória de média gravidade. O equipamento foi desenvolvido pelos professores Gustavo Dias, Luiz Cótica e Ivair Santos, do Grupo de Desenvolvimento e Inovação em Dispositivos Multifuncionais, vinculado ao Departamento de Física, e por Edson Arpini Miguel, professor do Departamento de Medicina.
Segundo Miguel, os capacetes têm demonstrado excelentes resultados no enfrentamento da covid-19. "Pacientes com quadros de insuficiência respiratória de média gravidade, com saturação de oxigênio em torno de 70%, obtiveram uma sensível melhora clínica e da saturação periférica, com aumento de até 92% de saturação”, explicou o Departamento de Medicina e um dos responsáveis pelo projeto, em nota divulgada pela universidade.
Mais de 100 capacetes já foram produzidos; somente no HUM (Hospital Universitário Regional de Maringá), cerca de 120 pacientes já usaram o equipamento, destes 60% não precisaram ser intubados. O financiamento do projeto é da AAHU (Associação dos Amigos do Hospital Universitário), por meio das doações que recebe. Os aparelhos são fabricados por um valor inferior aos disponíveis no mercado.
