Cultura

Dez grandes filmes de 2021

“De vencedores do último Oscar a filmes que nem estrearam no circuito comercial brasileiro, esses são filmes que se destacaram no último ano”

Valter Soares de Souza Junior*
09/01/22 às 15h00

Após meses sem estreias devido aos impactos do cenário pandêmico, os filmes e o público finalmente voltaram aos cinemas em 2021. Ainda que, às vezes, o filme não seja ótimo, ir ao cinema continua a ser. 

Felizmente, o ano em que três gerações de Homem-Aranha se encontraram e que Daniel Craig se despediu do papel de James Bond, invariavelmente, foi muito positivo para o cinema e, também foi o ano em que o streaming multiplicou as boas opções nas pequenas telas.

Nesse sentido, listo aqui excelentes produções de 2021 com base, única e exclusivamente, em meu gosto e análise pessoal. De vencedores do último Oscar a filmes que nem estrearam no circuito comercial brasileiro ainda, esses são filmes que se destacaram no último ano:

10. Anônimo (Nobody. EUA, 2021. Dir.: Ilya Naishuller)

(Foto: Divulgação)

Claramente fruto da existência de ‘John Wick’, o longa de ação protagonizado por Bob Odenkirk vai além dos famosos filmes do gênero e entrega momentos de pura insanidade em uma velocidade absurda e pouquíssimo tempo.

A trama gira em torno de Hutch, um pacato pai e marido que sempre arca com as injustiças da vida, sem revidar. Quando dois ladrões invadem sua casa, ele se recusa a defender a si mesmo e sua família na esperança de evitar qualquer violência, o que acaba desapontando seus familiares. Logo as consequências do incidente acabam despertando uma raiva latente nele, desencadeando instintos adormecidos e impulsionando-o em um caminho brutal. Permeado por cenas de ação bem gravadas, fotografia muito boa, ótima trilha sonora e atuações convincentes, é difícil desgostar de um filme tão intenso e com um protagonista tão carismático.

9. O Esquadrão Suicida (The Suicide Squad. EUA, 2021. Dir.: James Gunn)

(Foto: Divulgação)

Descompromissado, exagerado e deliciosamente tosco, o filme escrito e dirigido por James Gunn é um dos pontos mais altos do cinema de heróis em 2021 e traz a DC Comics em sua melhor forma desde ‘Cavaleiro das Trevas’.

A narrativa é um show à parte e anda de mãos dadas com o elenco, em perfeita sintonia. Com um roteiro básico, Gunn, consegue extrair o que de melhor espera-se de um grupo de mercenários dotados de super-habilidades e entrega uma sequência muito melhor que o longa antecessor dirigido por David Ayer, em 2016.

Na trama, o governo americano envia os super vilões mais perigosos do mundo para a remota ilha de Corto Maltese, repleta de inimigos. Armados com armas de alta tecnologia, eles viajam pela selva perigosa em uma missão de busca e destruição.

8. A Mão de Deus (È stata la mano di Dio (The Hand of God). Itália; EUA, 2021. Dir.: Paolo Sorrentino)

(Foto: Divulgação)

As relações familiares são o ponto de partida de ‘A mão de Deus’, filme do diretor italiano Paolo Sorrentino. Retratada na Nápoles dos anos 1980, o longa conta a história de Fábio, um jovem louco por futebol que se vê diante de uma tragédia familiar que acomete seu futuro incerto, porém promissor, como cineasta. O nome do filme faz referência a Diego Maradona, maior ídolo da história do Napoli e do jovem Fábio. Aliás, a figura do ex-jogador argentino está presente durante toda a obra e encarna com perfeição os sentimentos ambíguos apresentados pela história.

7. Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (Spider-Man: No Way Home. EUA, 2021. Dir.: Jon Watts)

(Foto: Divulgação)

Apesar do roteiro um pouco confuso e das inúmeras conveniências narrativas presentes no último filme do “amigão da vizinhança”, é inegável a importância de ‘Homem-Aranha: Sem Volta para Casa’ para o cinema em 2021.

Além de números impressionantes de bilheteria, o filme que reúne três gerações de Homens-Aranhas em tela, se torna uma aventura envolvente, capaz de transportar o espectador para lugares que não necessitam de explicações, apenas sentimentos.

A trama revela Peter Parker precisando lidar com as consequências da sua identidade como aracnídeo ter sido revelada. Ele recorre ao auxílio do Doutor Estranho para que todos esqueçam a informação de quem ele realmente é, porém, o feitiço do ex-mago supremo da Terra não sai como planejado e a situação torna-se ainda mais perigosa, criando rupturas no multiverso que abrem brechas para a fuga de vilões tradicionais do teioso.

6. Bo Burnham: Inside (Idem. EUA, 2021. Dir.: Bo Burn)

(Foto: Divulgação)

‘Bo Burnham: Inside’ é um especial americano escrito, dirigido, filmado, editado e interpretado pelo ator e comediante Bo Burnham. Gravado no quarto de hóspedes de sua residência em Los Angeles durante a pandemia de covid-19, sem uma equipe ou público, foi lançado no catálogo Netflix em 30 de maio de 2021.

Ainda que não seja um filme propriamente dito, a produção é um genial registro dos nossos tempos atribulados. Permeado por comentários sociais que abrangem diversos assuntos, Burnham mistura humor e melancolia, autocomiseração e crítica social em um ensaio, inicialmente cômico, fantástico.

5. Judas e o Messias Negro (Judas and the Black Messiah. EUA, 2021. Dir.: Shaka King)

(Foto: Divulgação)

‘Judas e o Messias Negro’, dirigido por Shaka King, narra como William O’Neal (vivido por LaKeith Stanfield) se infiltrou no Partido dos Panteras Negras, no final da década de 1960, a serviço do FBI, para que os agentes federais obtivessem informações do movimento e barrassem seus avanços, agindo principalmente contra o presidente da filial de Illinois, Fred Hampton (Daniel Kaluuya), cuja voz se tornava cada dia mais poderosa e revolucionária.

Neste filme, as atuações são incrivelmente marcantes, o que conferiu inclusive o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante para Kaluuya no último Oscar e uma indicação na mesma categoria para LaKeith Stanfield. Vale destacar, ainda, a trilha de sonoridades significativas, que ora intensifica as tensões, ora a melancolia retratada no longa.

4. Quo Vadis, Aida? (Idem. Bósnia e Herzegovina; Países Baixos, 2020. Dir.: Jasmila Žbani?)

(Foto: Divulgação)

Indicado na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2021, o filme mergulha a fundo num dos capítulos mais sangrentos e injustos da guerra civil iugoslava, conflito entre nações do Leste Europeu, que ocorreu de 1991 até 2001, tendo ligação direta ao ato que, eventualmente, tomaria a vida de quase nove mil mulçumanos bósnios.

Contudo, mesmo tratando de um período complexo, o filme não pede conhecimento prévio dos eventos, já que se apega ao drama humano da desesperança e da luta mesmo quando tudo está perdido. O longa não dá um minuto de descanso ao espectador.

De sua intensa cena de abertura até seu trágico final, de partir o coração, há pouco espaço para respirar. Esse ritmo frenético aliado a escrita impiedosa de Jasmila Žbani? aumenta o impacto de seu argumento: indignação, pela falta de humanidade, e pela falta de reparação histórica. Sem dúvida, um longa importantíssimo e um dos melhores do último ano.

3. Ataque dos Cães (The power of the dog. EUA, 2021. Dir.: Jane Campion)

(Foto: Divulgação)

Em ‘Ataque dos Cães’, drama baseado no livro ‘The Power of the Dog’ escrito e lançado por Thomas Savage em 1967, a diretora Jane Campion, responsável pelo também aclamado longa ‘O Piano’, cria um sensível e sutil estudo de personagem, tendo como ponto central de discussão até onde um homem pode ir para controlar sua própria natureza.

O filme é um western revisionista que retrata um rancheiro durão travando uma guerra de ameaças contra a nova esposa do irmão e seu filho adolescente, até que antigos segredos vêm à tona. Trabalhando na lógica da ironia dramática, a história é contada magistralmente pelos olhares, gesticulação e silêncio dos personagens, exigindo a atenção do espectador que, uma vez não engajado pela narrativa, pode ser acometido a um certo desgaste, especialmente, devido às várias passagens contemplativas. Com atuações soberbas de Benedict Cumberbatch e Kirsten Dunst, o filme é um trabalho marcante e surpreendente!

2. Duna (Dune. EUA, 2021. Dir.: Denis Villeneuve)

(Foto: Divulgação)

Baseado em um dos textos mais influentes da ficção científica e, continuadamente apontado como um dos pilares do gênero moderno, a adaptação de ‘Duna’ por Denis Villeneuve é uma fantástica viagem sensorial e um espetáculo visual bem regido e tecnicamente impecável.

Com um elenco superestrelado e talentoso, o diretor acaba reorganizando algumas histórias da obra original a fim de aproveitar o carisma e o potencial dos atores a atrizes envolvidos. O resultado é uma narrativa extensa, porém, extremamente positiva, bem-feita e muito honesta ao livro de Frank Herbert. Seguramente, um dos filmes que mais se destacou em 2021.

1. Licorice Pizza (Idem. EUA, 2021. Dir.: Paul Thomas Anderson)

(Foto: Divulgação)

Recém lançado em território americano e com estreia prevista no circuito comercial brasileiro para a segunda quinzena de janeiro de 2022, ‘Licorice Pizza’, novo filme do cineasta Paul Thomas Anderson e, ainda sem tradução, é simplesmente fantástico.

O filme conta a história de dois jovens que se apaixonam no Vale de São Fernando, Califórnia, na década de 1970, enquanto tentam emplacar suas carreiras na indústria cinematográfica. E é esse ambiente que o realizador constrói magistralmente da primeira à última cena: uma história romântica e singela, um amor entre dois jovens, repleta de anedotas e vivacidade onde a vida discorre com leveza, como um fluxo de consciência que reflete a Califórnia dos anos 70. É excelente!

Alana Haim é absolutamente fantástica e Cooper Hoffman, filho do saudoso Philip Seymour Hoffman, um dos grandes parceiros do diretor, uma notável revelação. A cinematografia é linda, a trilha é envolvente e a história é apaixonante. De longe, um dos melhores filmes de 2021.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

* Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação.

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