Cultura

Em ‘Eternos’, Marvel Studios surpreende ao apresentar um filme inegavelmente artístico, porém pleonástico e indiferente

“Com uma narrativa segmentada e cheia de elementos e novos personagens, o estúdio dá o seu maior passo para fugir da famigerada fórmula que ele mesmo criou e entrega o filme mais autoral, complexo e diferente que já realizou até então"

Valter Soares de Souza Junior*
07/11/21 às 14h00
(Foto: Marvel Studios - © Disney/Divulgação)

Adaptando personagens pouco conhecidos pelo grande público e uma história relativamente obscura e solene, ‘Eternos’ pode ser considerado a aposta mais ousada do Marvel Studios desde ‘Guardiões da Galáxia’.

Com uma narrativa segmentada e cheia de elementos e novos personagens, o estúdio dá o seu maior passo para fugir da famigerada fórmula que ele mesmo criou e entrega o filme mais autoral, complexo e diferente que já realizou até então.

Constituindo-se uma espécie de conto milenar estrelado por imortais escondidos à vista de todos na Terra, os ‘Eternos’ foram criados em 1976 por Jack Kirby, e são uma raça de super-humanos desenvolvidos por alienígenas celestiais durante sua visita à Terra. Com poderes extraordinários que variam de voo e supervelocidade, a alteração da matéria e controle de mentes, eles foram compreensivelmente confundidos com deuses por civilizações antigas.

Eles protegem o planeta desde o início da humanidade. Contudo, quando criaturas monstruosas chamadas de Deviantes, que pensavam há muito ter sumido da história, retornam misteriosamente, os Eternos são forçados a se reunir para defender, novamente, a raça humana.

Nada obstante, avaliar ‘Eternos’ requer algumas isenções de responsabilidade, uma vez que acaba por ser bastante diferente da maioria dos trabalhos da Marvel. A história representa uma expansão potencial muito significativa de seu universo cinematográfico e, pessoalmente, penso só poder ser julgada com justiça num futuro próximo, quando houver tempo suficiente para mensurar os seus efeitos provenientes.


(Foto: Marvel Studios - © Disney/Divulgação)

Narrativas

A princípio, o filme tem uma missão muito complicada e por vezes ingrata: expandir o lado místico da Marvel nos cinemas e mostrar como aconteceu a criação da galáxia, dos planetas e dos seres-humanos, além de relatar a história de toda a humanidade.

Obviamente, alguns arcos narrativos acabam funcionando mais do que outros e a interação entre os heróis é demasiadamente rasa na maior parte do tempo. Além do que, algumas motivações são extremamente infantis para seres milenares, o que causa uma certa estranheza. Apesar disso, o elenco está perfeitamente operante.

‘Eternos’, por sua vez, é muito rico visualmente, com cenas belíssimas. A diretora Chloé Zhao, que recentemente ganhou um Oscar por ‘Nomadland‘ e também dirigiu o elogiado ‘The Rider’, cria um espetáculo visual pouco visto nos filmes da Marvel. Certamente, o maior acerto do filme está em sua belíssima cinematografia, em especial, o pôr do sol, momento em que a escuridão e as cores se confundem em tela e criam planos demasiadamente belos.

Todavia, em 'Eternos' existe um problema muito grande que são as expectativas acerca da Marvel como um estúdio que cria seus próprios produtos e é muito bem aceito pelo público, e da Chloé, que é uma cineasta independente e que costuma priorizar em seus filmes o estudo de personagem. Ambas as características parecem nunca se encaixarem, de fato. Juntos, os Eternos e Chloé Zhao são um soporífero.

Seguramente é um filme que vai dividir opiniões por ser extremamente bem-sucedido em algumas propostas, mas falhar em outras. E tudo depende da sua expectativa: você pode comprar a ideia e embarcar na proposta, ou estranhar pelo filme se afastar tanto daquilo que o estúdio estava acostumado a entregar e simplesmente não gostar. É ruim? Não exatamente. Bom? Não muito.


Título Original: E T E R N A L S

Estreia: 4 de novembro de 2021 (Brasil)

Duração: 157 minutos

Gênero: Ação, Aventura, Fantasia

Direção: Chloé Zhao

Elenco: Richard Madden, Gemma Chan, Kumail Nanjiani, Lauren Ridloff, Brian Tyree Henry, Salma Hayek, Lia McHugh, Don Lee, Barry Keoghan, Angelina Jolie, Kit Harington.

(Foto: Arquivo pessoal)

*Válter Soares de Souza Júnior é jornalista, pesquisador e entusiasta das mídias. Cinéfilo, com aprofundamento em críticas cinematográficas pelo Espaço Itaú de Cinema. Apaixonado por música e pelos esportes. Enquanto o Timão existir, estará sempre do lado alvinegro da Força!

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