Aos investidores que tentou atrair e aos técnicos para os quais acenou com glórias futuras, Richard Williams nunca deixou de afirmar que os planos para as filhas Venus e Serena estavam traçados desde a concepção, e por isso ele as preparou de modo incansável e implacável a fim de alcançarem tal objetivo.
Soa como exagero, mas consta que Venus foi a número 1 do mundo em simples e em duplas, e Serena, que soma 23 Grand Slams, é tida como a maior atleta da história do tênis mundial até então. E é no pai dessas potências do esporte que está o foco de ‘King Richard: Criando Campeãs’. Um filme sobre a construção e execução de um plano de vida e desse objetivo em curso.
Em uma das suas melhores interpretações dos últimos anos, (demasiadamente intensa, ainda assim, convincente) Will Smith captura em Williams a certeza inabalável no talento das filhas, a energia meio maníaca, o gosto por slogans positivos e as estratégias para inserir duas meninas pretas em um esporte branquíssimo. E, se a exigência com o desempenho escolar e o treino nas quadras arruinadas do bairro parece extremada, avise-se que o longa o suaviza, apesar de não esclarecer o mistério de onde ele teria tirado sua visão e metodologia de ensino. Por isso mesmo, claro, ela é tão fascinante — além de irreplicável.
O filme começa com as duas ainda na primeira infância, treinando com o pai e a mãe em quadras dilapidadas e procurando (a princípio, em vão) um técnico, e as acompanha até o primeiro torneio profissional de Venus, aos 14 anos. Trata-se, portanto, de um recorte que se debruça, exclusivamente, no início da carreira das atletas, ao invés de uma recapitulação de triunfos que já são de domínio público; perspectiva que colabora para evitar os clichês e fragilidades estruturais do gênero cinebiográfico. Pressupõe-se, no entanto, que o espectador conheça as atletas expostas em tela.
Narrativa
